20 de abr de 2008

CHAMADO DOS PAMPAS


Estivemos a uma semana atrás em um encontro de Qi Gong Li - A arte de mover o sopro, onde encontramos e reencontramos muitos irmãos de caminhada. Nas diferentes conversas surge um convite e uma possibilidade de trabalho. O Universo é mesmo surpreendente! Conhecemos uma mulher Guerreira lá dos Pampas. Tínhamos um curso agendado para esse fim de semana mas a Deusa desejava outra coisa de nós...

Acabamos indo parar no município de Butiá/RS, para conhecer o sítio da Kadine. Para nossa surpresa encontramos mais um belo casal de Zeladores da Terra. Ao redor da fogueira, sob a luz da Deusa Luna, no momento em que a humanidade recebe toda a magia do Weesak (Iluminação de Buda), compartilhamos a Chanupa Sagrada, firmamos nossos propósitos e oramos pela Terra. Ao som dos chocalhos e do tambor, cantamos e dançamos em um só coração, honrando a Força e a Sabedoria dos nosso antepassados.
Como é bom deixar ser guiada pelo coração... ouvir o chamado da Terra e atender sem medo ou exitação.
Que bela aula de história tivemos nesse final de semana! Conhecer um pouco da história da mineração em nosso estado e entrar em contato com cavernas tão escuras do inconsciente coletivo... eis mais uma lição da Terra. Onde quer que estejamos, comprometidos com o nosso propósito, estaremos curando e sendo curados.
Minha gratidão ao bom coração do Sandro e da Kadine por suas histórias contadas e minhas honrarias ao povo que foi escravisado no ciclo da extração do carvão.
Ana Eçaí

"Quando entramos na sincronicidade da natureza e seguimos em harmonia na espiral da Deusa o propósito sempre se realiza. Nem sempre da maneira que projetamos pois, quando nos entregamos ao propósito divino o divino se revela à nós, nos colocando nos caminhos que nos levam a realizar este propósito. E assim, nossa essência se revela e passamos a vibrar em alegria e beleza, unindo mente, coração e espírito".
Ana Paula Marafigo
Estelar

A vocês, Kadine e Sandro, deixamos esta homenagem, em gratidão pelo acolhimento e pelo belo serviço de resgate da Identidade Cultural de um Povo!


NA BOCA DA NOITE GRANDE

Na boca da noite grande, o silêncio se enternece
Uma cambona se aquece no braseiro do fogão
Sinto brotar no rincão um cantar de nazarenas
E a noite fica pequena na grandeza de um galpão.
Na boca da noite grande “hay” vida pelas canhadas
Rumores nas madrugadas e romances em pelegos
Chinas que contam segredos e peões que morrem nos braços
Das que sofreram mormaços nos golpes suaves dos dedos
Na boca da noite grande, fantasmas arrastam chilenas
Índios de barbas, melenas, chapéus de copa batida
Homens de outras vidas que habitam nos galpões
Reacendendo fogões nas madrugadas compridas
Na boca da noite grande relembram lidas e vidas
As chegadas e partidas, potreadas e corredores
Velhos recuerdos de amores que por mais que o tempo passe
Se reacende e renasce no canto dos pajadores
Na boca da noite grande as bruxas andam teatinas
Nos potreiros trançam crinas da cavalhada gaviona
A noite é uma temporona e sempre será, parceiro
Porque meu canto fronteiro é pátria, guitarra e cordeona.
(Música de Jairo “Lambari” Fernandes)

“A Simplicidade do coração traduzida em versos”.
Rafael Dusik


Um comentário:

Kadine disse...

Amados,nossos muito amados seres de Luz!
Nossos corações transbordam de emoção, gratidão e alegria. Nunca mais seremos os mesmos depois da chegada de vocês a esta nossa terra tão sofrida. A esperança vibra com força e a confiança no fazer de um Novo Tempo se consolida. Muitas Graças Amigos Pacha Mama!

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