12 de dez de 2008

O Parto Ativo

O conceito de Parto Ativo foi desenvolvido pela educadora perinatal Janet Balaskas, na Inglaterra. Parto Ativo significa que a mulher é quem faz o seu bebê nascer. Não é o médico quem faz o parto. Não é a parteira quem faz o parto. É a mulher, seu corpo, sua mente e sua alma. Claro que não existe Parto Ativo sem uma equipe que aceite neutralizar sua participação em favor do protagonismo da gestante. Portanto para um parto verdadeiramente ativo é necessário uma mulher ativa, um acompanhante (o pai do bebê ou outro por ela escolhido), um bebê e alguém que fique ao lado apenas verificando se tudo está bem, sem intervir no processo natural do nascimento.
O corpo da mulher já vem preparado para o parto, e até mesmo mulheres em coma conseguem ter partos normais. Sedentárias, ginastas, ativas, magras, gordas, altas ou magras, todas as mulheres têm a capacidade inata de permitir que o bebê viva, se desenvolva e nasça através de seu corpo. No entanto o parto é um processo dinâmico, no qual o bebê faz uma série de movimentos através da pelve, até que possa sair para a luz. Ele desce, insinua seu crânio pela bacia pélvica, dobra o pescoço, gira, colabora. Enquanto isso a mãe se move, anda, muda de posição, pende apoiada pelo companheiro, acocora, deita. Como quando tentamos tirar um anel justo do dedo, só o movimento é que permite que um deslize ao redor do outro.
Se permitimos que a mulher adote todas as posições que lhe parecem confortáveis, se possibilitamos a liberdade de movimento e ações, se o ambiente do parto for propício para essa liberdade, mãe e bebê encontrarão a fórmula para a travessia que eles têm que fazer. Por isso é fundamental que no ambiente do parto sejam oferecidos os elementos fundamentais para um parto ativo:

- Privacidade: se a mulher não tiver privacidade, ela fica tolhida em sua liberdade e deixa de se movimentar de acordo com sua vontade.
- Opções à cama: deitar é em geral a última coisa que uma mulher quer fazer em trabalho de parto, de forma que ela precisa ter opções como a bola suíça, cavalinho, banqueta de parto, almofadas, cadeira, poltrona, etc...
- Equipe: é importante que as mulheres sejam acompanhadas por pessoas que estejam acostumadas ao conceito de parto ativo, como as doulas, enfermeiras obstetras e médicos obstetras motivados e seguros em relação ao parto natural.
- Recursos não farmacológicos para a dor do parto: sendo o parto um processo lento e muitas vezes doloroso (especialmente no pico das contrações), é fundamental que a mulher possa ter à mão os recursos para lidar com essa dor, como chuveiro, banheira, bolsa de água quente, chás e o que mais for possível dentro do contexto.
- Prioridade para o parto natural: para que a mulher se sinta no controle da situação, ela precisa vivenciar o processo da forma como a natureza propôs, ou seja, sem o artifício do jejum, da ruptura artificial da bolsa das águas, do uso de soro com hormônio (ocitocina), forças dirigidas, etc...



Dentro dessa filosofia de atenção ao parto, os procedimentos médicos são destinados apenas às situações especiais, que não deveriam superar uma pequena porcentagem do total de mulheres saudáveis. O parto sempre será um processo normal e natural, para o qual as mulheres continuam estando preparadas, independente de não lavarem mais roupas à beira do rio acocoradas. Basta que deixemos as grávidas em paz e que lhes ofereçamos o mínimo necessário para o conforto, e elas saberão o que fazer.
Se você está grávida e deseja ter um Parto Ativo, leia, pesquise, pergunte, questione seu médico, questione a maternidade onde vai ter seu bebê, faça um plano de parto, procure um grupo de apoio, faça seu acompanhante entender a importância desse processo para você e seu bebê. Não entregue o seu corpo, seu bebê e seu parto nas mãos de outros. Eles lhe pertencem.

Ana Cristina Duarte
Doula e Educadora Perinatal
Parto do Princípio – Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa

Parto Orgásmico

Mulheres, tomem o parto devolta para si!

Minhas queridas,

Já tinha algum conhecimento sobre parto humanizado e defendia a causa, mas ontem, assisti o documentário Parto Orgásmico (Orgasmic Birth), de Debra Pascali-Bonaro, INCRÍVEL, o melhor de tudo que já assisti. Emocionante, intenso, visceral... quem tiver oportunidade, não deixe de estar presente!

Penso que este é um assunto importantíssimo de estarmos resgatando nos Círculos Femininos. Como diz Ricardo Jones, o parto é o momento do 'imprint', fica impregnado no indivíduo que nasce, as sensações do momento. O ambiente acolhedor, a atmosfera de amor, a sensação de ninho, de pertencimento, é indispensável neste momento tão frágil da natureza humana. A presença do toque, de carícias, de beijos... a participação do pai, do companheiro e/ou de pessoas com quem a mãe tem vínculos afetivos, contribuem para a construção desta atmosfera.

Na minha visão, parir por seu próprio esforço é o empoderamento da mulher. Como nos diz Michel Odent, "para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer", convido aquelas que desconhecem o assunto a tomarem conhecimento daquilo que é urgente para o aceleramento do movimento que já estamos fazendo.

Ricardo Herbert Jones é médico obstetra e homeopata. É brasileiro e trabalha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Escreveu o livro «Memórias do Homem de Vidro», em 2004, sobre o seu processo de mudança na forma como encarava e assistia o parto.
Mais do que um defensor da humanização do parto, em teoria e na prática, é um ativista nesse movimento. Participa em congressos e workshops e faz palestras em todo o mundo.
Trabalha numa equipa da qual fazem parte uma parteira e uma doula. Muitos dos partos que acompanha acontecem em casa, mas continua a trabalhar também em meio hospitalar. Faz parte da Humpar (Associação Portuguesa pela Humanização do Parto). Abaixo, adiciono artigo de Ricardo, se deliciem minhas irmãs, mães e filhas.
By Ana Paula Andrade

Parto orgásmico não só é possível como é muito mais comum do que parece. O debate pode ser recente, mas a possibilidade de se encarar o parto como um evento pleno de prazer é tão antiga quanto a própria humanidade. É importante definir o que é «parto orgásmico», e para tanto começo por explicar o que ele não é.

Parto orgásmico não é uma técnica ou um método. Parto orgásmico não é uma moda, uma «new fashion», uma onda. Parto orgásmico não é um produto, algo que se compra ou adquire. Parto orgásmico é um mergulho profundo no ser feminino. É a descoberta do prazer de parir; o segredo mais bem guardado, no dizer da parteira americana Ina May Gaskin. É uma possibilidade para qualquer mulher desde que possa despir-se das capas de medo criadas pela cultura patriarcal que tenta dominar a força criativa da mulher, culpabilizando-lhe o prazer e domesticando o feminino.
As conquistas recentes neste campo abriram as portas para a discussão da sexualidade da «nova mulher pós-pílula» e, como conseqüência, emergiu o debate do parto como parte da vida sexual de qualquer mulher. A partir deste momento, em meados dos anos 80, inúmeros investigadores se entregaram ao estudo das características psicológicas, afetivas, emocionais e hormonais relativas ao nascimento e se depararam com constatações no mínimo inquietantes: havia uma similaridade impressionante entre parto e atividade sexual em todos os aspectos analisados. A mesma perda cognitiva, o mesmo apagamento neocortical, a mesma necessidade de privacidade, a mesma confluência circulatória para os genitais e as mesmas hormonas envolvidas.
A ocitocina surgia como a hormona chave para a compreensão do fenómeno do parto. Michel Odent, médico francês radicado em Londres chama-lhe «a hormona do amor», porque está presente sempre que um momento amoroso se expressa, como no parto e no encontro sexual. Além disso, a sua hormona oposta, a adrenalina, fundamental para o orgasmo, é a mesma implicada no reflexo de ejeção do bebé. Fácil fica, para qualquer observador perspicaz, perceber que existe um claro paralelismo entre os eventos do parto e os do sexo, fazendo-nos enxergar pela primeira vez o nascimento inserido nas forças sexuais de uma mulher.

Mais do que um evento biológico

Mas tão logo percebemos a sexualidade escondida por detrás dos eventos que cercavam o nascimento, ficou-nos claro que as repercussões desta «nova» visão do nascimento só poderiam ser dramáticas. Já não seria possível encarar o parto como um evento biológico, artificialmente controlado em função das variáveis mecanicistas que são ensinadas na escola médica: feto, percurso e força contrátil. Haveria que se modificar totalmente a percepção do evento que passaria dos domínios do profano para o âmbito do sagrado. Através desta maneira radical de compreensão, tornava-se muito difícil continuar a entender o nascimento humano de uma forma mecanicista, pela evidência inequívoca de que a sexualidade extrapola claramente os limites da corporalidade.
Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas. Assim sendo, abria-se automaticamente uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia.
Passamos a entender também que a própria sensação dolorosa estava nitidamente ligada à maneira como tais mulheres «sentiam» o parto, na integralidade dos processos participantes. Elementos muito mais subtis (mas não menos poderosos) do que as células, tecidos e órgãos actuam durante a prática sexual e o trabalho de parto. Caberia a nós, assistentes do nascimento, descobrir onde estavam estas outras «forças ocultas» que, assim como no sexo, alojavam-se em um estrato diferente da nossa consciência superficial.
Desta forma, a sexualidade, o prazer e o orgasmo entravam no discurso de um pequeno grupo de profissionais que percebiam a possibilidade que as mulheres tinham de aceder a estas sensações desde que específicas condições ambientais pudessem ser criadas. Tais condições nada têm de complexas, dispendiosas ou caras: trata-se de oferecer-lhes dignidade, privacidade, cuidado respeitoso e carinho. Praticamente as mesmas necessidades que qualquer mulher procura para um encontro de amor.
O orgasmo durante o trabalho de parto pode ter um potente efeito relaxante para a mulher. Algumas mulheres que tiveram orgasmos durante o processo relatam que isso lhes ofereceu um input incrementado de ocitocina. Tal influxo hormonal produziu - aparte de uma profunda sensação de bem-estar - a normalização da contratilidade uterina.
Entretanto, um orgasmo durante o trabalho de parto não é algo que se busca; não pode ser o foco objectivo deste evento ou algo a ser conscientemente alcançado. Por outro lado, ele pode ocorrer naturalmente quando a mulher, livre dos preconceitos e liberta das amarras do modelo que criminaliza a sexualidade feminina, se permite sentir as sensações que seu próprio corpo lhe oferece.

Que diferença faz?

Mas qual a vantagem de ter um parto orgásmico? Que diferença positiva isso poderia produzir na vida de uma mulher ou de um bebé? A este questionamento pode-se responder com uma pergunta: qual a vantagem de uma relação sexual prazerosa, com quem se ama, e que termina com um orgasmo? Um parto orgásmico é essencialmente um direito que cada mulher possui, mas para que um parto com tal nível de arrebatamento sexual possa ocorrer é necessário que os profissionais que prestam assistência possam oferecer as condições para que tal ocorra.
Se entendermos que as condições para que um parto seja orgásmico são as mesmas para oferecer tranqüilidade e harmonia durante o trabalho de parto, estaremos oferecendo às parturientes uma diminuição do stress e da ansiedade, com uma consequente quebra do círculo adrenalínico de medo-tensão-dor, descrito há décadas por Grantly Dick-Read como o principal complicador do processo de nascimento.
O orgasmo durante o nascimento só pode ocorrer quando todas as variáveis de segurança, afeto, tranqüilidade e equilíbrio emocional estiverem garantidas. Desta forma, o orgasmo será a conseqüência deste ambiente de positividade, e não sua busca objectiva.

Pode aprender-se?

Fica claro para qualquer bom entendedor que este tema não se presta a realização de cursos e «workshops». Como dito anteriormente, parto orgásmico NÃO é uma técnica, um método ou uma moda para mulheres burguesas que podem pagar por uma experiência diferente. Parto orgásmico é uma evidência empírica presente na experiência de inúmeros «assistentes» de parto e milhares de mulheres.
A princípio tal questão assustou alguns profissionais, mas depois os instigou a se perguntar o «porquê» de algumas mulheres o atingirem, enquanto tantas outras apenas tratavam do parto como um evento cercado de medo e dor.
Portanto, não se trata de fazer «cursos para partos orgásmicos», da mesma forma que não se ensina a uma mulher, através de aulas teóricas ou cursos, como atingir um orgasmo. É algo de sua experiência íntima, pessoal, assim como de sua história de vida.

11 de dez de 2008

Plenilúnio 12/12/08




O plenilúnio é um fenômeno provocado pelo alinhamento do Sol, a Terra e a Lua. Este alinhamento representa um dos momentos da mais alta espiritualidade. O plenilúnio é o momento exato em que ocorre a Lua Cheia. A princípio é estranho conceber que se possa aproveitar o confronto e o choque entre duas grandes potências para se desenvolver espiritualmente. Porém, ao analisarmos a palavra harmonia que provém do grego "harmos" que significa: juntar, reunir, provocar o encontro equilibrado e justo das partes, veremos que mais uma vez Deus-Pai-Mãe desvela os seus mistérios através da natureza. Da fusão de duas polaridades, nasce uma terceira. `´E a Trindade em ação. A grande lição que tiramos deste evento celeste, é que não devemos ficar com apenas uma das partes e subjugar ( afastar ) a outra, mas um grande segredo é buscar o ponto de equilíbrio entre ambos.É exatamente isto que acontece no plenilúnio. Nos momentos que antecedem o plenilúnio, a Terra é literalmente bombardeada pelas vibrações do Sol e da Lua, num, choque de correntes ou ondas de vibrações provenientes de pólos diametralmente opostos. Mas em dado momento as energias se ajustam e banham a Terra com uma luz dourada inconfundível. Talvez o simbolismo deste trabalho esteja mais brilhantemente retratado no Bhagavad Gita, na passagem onde Arjuna se encontra num conflito e nos momentos que precedem o combate ( plenilúnio ) entre as tropas de Duryodhana ( Lua ) e a dos Pândavas ( Sol ), o Senhor Krishna ( O Cristo Interno ) desvela o Conhecimento Superior que o leva à Iluminação. De posse deste conhecimento, é inteligente tirar o máximo proveito deste momento mágico onde toda terra é banhada na Luz dourada da Iluminação para trabalhar em benefício próprio e da humanidade. Caso não esteje num local apropriado para meditação, procure se ausentar do tumulto alguns minutos antes do plenilúnio e faça uma meditação.
Plenilúnio em 12/12/08 as 13:38.

9 de dez de 2008

A ARTE DE NÃO ADOECER

Dr. Dráuzio Varella

Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então, vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer – “Tome decisão”
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer – “Busque soluções”
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc. está acumulando toneladas de peso ... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer – “Aceite-se”
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer – “Confie”
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. “O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.

8 de dez de 2008

SALVE MAMÃE OXUM

Ora ieieu Senhora!



No dia 08 de dezembro, para os católicos, presta-se homenagem à Nossa Senhora da Conceição, para os que seguem cultos de origem africana (Cultura Iorubá), é dia de prestar homenagem a Oxum - Senhora das águas doces, dos rios e das cachoeiras.

Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, Oxum cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Símbolo da riqueza, do charme, da elegância, é o Orixá do Amor, da Magia e da Beleza. Jovem e bela mãe, Oxum mantém suas características de adolescente, cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer.
Pense na graça da mulher... A feminilidade ora doce, ora guerreira... Dona do poder da procriação... Vaidosa e sedutora, mas ao mesmo tempo incansável na defesa dos filhos... Eis a tradução de Oxum.

Suas características também nos lembram Lakshimi, Kuan Yin, Afrodite, Ísis e tantas outras Deusas de outros panteões. Aproveito o dia de hoje para reverenciar o Sagrado Feminino, em especial a Corrente Africana.

Oxum,

Que o seu manto sagrado nos envolva e nos recorde a Sabedoria de "Saber Ser Mulher";
Que suas águas nos purifique e nos lembre o real sentido da vida;
Que sua cor dourada nos remeta ao sol, que brilha internamente em cada coração;
Que sua doçura possa confortar os aflitos e sua alegria trazer esperança aos teus filhos;
E que sua beleza e sua força nos ajude a caminhar, em tempos de tantas mudanças.
Ana Paula Nunes Andrade

4 de dez de 2008

"Observa, escuta e logo atua"

Nós índios conhecemos o silêncio.
Não temos medo dele.
Na verdade para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram essa sabedoria.
"Observa escuta e logo atua" nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais, para ver como cuidam de seus filhotes.
Observa os anciões, para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro com o coração e a mente quietos e então aprenderás.
Quando tiveres observado o suficiente então poderás atuar.
Com os brancos é o contrário.
Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos e todos falam cinco dez cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Talvez o silêncio seja duro demais a vocês porque mostra um lado que não quereis ver.
Quando estão numa habitação e há silêncio ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então falam compulsivamente mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido inclusive.
Se começas a falar eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutar se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou te interromper.
Quando terminares tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo a menos que seja importante.
Do contrário simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveríamos pensar nas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.

"Não sofremos de falta de comunicação mas ao contrário,
com todas as forças que nos obrigam a nos exprimir
quando não temos grande coisa a dizer"
(Sabedoria indígena)


Abraços fraternos,
Ana Andrade

Quem Eu Sou Faz a Diferença

Uma professora de determinado colégio decidiu homenagear cada um dos seus formandos dizendo-lhes da diferença que tinham feito em sua vida de mestra.

Chamou um de cada vez para frente da classe. Começou dizendo a cada um a diferença que tinham feito para ela e para os outros da turma. Então deu a cada um uma fita azul, gravada com letras douradas que diziam: 'Quem Eu Sou Faz a Diferença'. Mais adiante, resolveu propor um Projeto para a turma, para que pudessem ver o impacto que o reconhecimento positivo pode ter sobre uma comunidade. Deu aos alunos mais três fitas azuis para cada um, com os mesmos dizeres, e os orientou a entregarem as fitas para as pessoas de seu conhecimento que achavam que desempenhavam um papel diferente. Mas que deveriam poder acompanhar os resultados para ver quem homenagearia quem, e informar esses resultados à classe ao fim de uma semana.

Um dos rapazes procurou um executivo iniciante em uma empresa próxima, e o homenageou por tê-lo ajudado a planejar sua carreira. Deu-lhe uma fita azul, pregando-a em sua camisa. Feito isso, deu-lhe as outras duas fitas dizendo: Estamos desenvolvendo um projeto de classe sobre reconhecimento, e gostaríamos que você escolhesse alguém para homenagear, entregando-lhe uma fita azul, e mais outra, para que ela, por sua vez, também possa homenagear a uma outra pessoa, e manter este processo vivo. Mas depois, por favor, me conte o que perceber ter acontecido. Mais tarde, naquele dia, o executivo iniciante procurou seu chefe, que era conhecido, por sinal, como uma pessoa de difícil trato. Fez seu chefe sentar, disse-lhe que o admirava muito por ser um gênio criativo. O chefe pareceu ficar muito surpreso. O executivo subalterno perguntou a ele se aceitaria uma fita azul e se lhe permitiria colocá-la nele. O chefe surpreso disse: 'É claro.' Afixando a fita no bolso da lapela, bem acima do coração, o executivo deu-lhe mais uma fita azul igual e pediu: - Leve esta outra fita e passe-a a alguém que você também admira muito. E explicou sobre o projeto de classe do menino que havia dado a fita a ele próprio. No final do dia, quando o chefe chegou a sua casa, chamou seu filho de 14 anos e o fez sentar-se diante dele. E disse:- A coisa mais incrível me aconteceu hoje. Eu estava na minha sala e um dos executivos subalternos veio e me deu uma fita azul pelo meu gênio criativo. Imagine só! Ele acha que sou um gênio! Então me colocou esta fita que diz que 'Quem Eu Sou Faz a Diferença'. Deu-me uma fita a mais pedindo que eu escolhesse alguma outra pessoa que eu achasse merecedora de igual reconhecimento. ' Quando vinha para casa, enquanto dirigia, fiquei pensando em quem eu escolheria e pensei em você. Gostaria de homenageá-lo. 'Meus dias são muito caóticos e quando chego em casa, não dou muita atenção a você. Às vezes grito com você por não conseguir notas melhores na escola, e por seu quarto estar sempre uma bagunça. Mas por alguma razão, hoje, agora, me deu vontade de tê-lo à minha frente. Simplesmente, sabe, para dizer a você, que você faz uma grande diferença para mim. Além de sua mãe, você é a pessoa mais importante da minha vida. Você é um grande garoto filho, e eu te amo!' O menino, pego de surpresa, desandou a chorar convulsivamente sem parar. Ele olhou seu pai e falou entre lágrimas:- Pai, poucas horas atrás eu estava no meu quarto e escrevi uma carta de despedida endereçada a você e à mamãe, explicando porque havia decidido me suicidar e lhes pedindo perdão'. Pretendia me matar enquanto vocês dormiam. Achei que vocês não se importavam comigo. - A carta está lá em cima, mas acho que afinal, não vou precisar dela mesmo.
Seu pai foi lá em cima e encontrou uma carta cheia de angústia e de dor. O homem foi para o trabalho no dia seguinte completamente mudado. Ele não era mais ranzinza e fez questão de que cada um dos seus subordinados soubesse a diferença que cada um fazia. O executivo que deu origem a isso ajudou muitos outros a planejarem suas carreiras e nunca esqueceu de lhes dizer que cada um havia feito uma diferença em sua vida... Sendo um deles o filho do próprio chefe.

A conseqüência desse projeto é que cada um dos alunos que participou dele aprendeu uma grande lição. De que 'Quem Você É Faz sim, uma Grande Diferença'.

Você não precisa passar isso adiante para ninguém... Nem para duas, nem para duzentas pessoas. Mas se sentir no coração que deseja fazê-lo, faça isso, coloque Coração em tudo que faz.
Nós, do Clã Filhas da Lua, só queríamos dizer que, quem você é faz diferença para nós. Eis a sua fita azul!



Ana Paula Andrade
&
Ana Paula Marafigo

3 de dez de 2008

Entrevista com Maturana


A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivo.

(Humberto Maturana)


Humberto Romesín Maturana é Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile, estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e Estados Unidos. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. É professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Chile. Prega a Biologia do Amar e do Conhecer para a formação humana. Sustenta que a linguagem se fundamenta nas emoções e é a base para a convivência humana. Fundou, em Santiago, o Instituto de Formação Matríztica, um espaço relacional que favorece a ampliação da compreensão de todos os domínios de existência humana, desenvolvendo estudos sobre a Biologia do Amar e do Conhecer, por meio de cursos, palestras e oficinas de conversações operacionais e reflexivas sobre a Matriz Biológica da Existência Humana.

Esta entrevista, interessantíssima, foi concedida aos Professores Mércia Helena Sacramento e Adriano J. H. Vieira, durante o seminário comemorativo dos 10 anos do Mestrado em Educação da Universidade Católica de Brasília e publicada na Revista on line Humanitates.


Revista Humanitates – O senhor afirma que o ser humano é o resultado de transformações anatômicas e fisiológicas que ocorreram em torno da conservação do viver no conversar. O que é o conversar?
Humberto Maturana – O conversar é um fluir na convivência, no entrelaçamento do linguagear e do emocionar. Ou seja, viver na convivência em coordenações de coordenações de fazeres e de emoções. Por isso é que digo que tudo o que é humano se constitui pela conversa, o fluxo de coordenações de coordenações de fazeres e emoções. Quando alguém, por exemplo, aprende uma profissão, aprende em uma rede de conversações.

RH – O senhor costuma usar os termos linguagear e emocionar, qual o significado destes termos?
HM – Tenho transformado os substantivos linguagem e emoção em verbos, para fazer referência, para conotar que aquilo que eles significam ocorre no fluir do conviver. Não são coisas, não são elementos isolados porque ocorrem no fluir, a linguagem ocorre no fluir do linguagear. Não está na palavra, não está no objeto, está no fluir do viver em coordenações de coordenações. O mesmo ocorre com a emoção.

RH – O senhor diz que a maneira de conviver conservada geração após geração, desde a constituição de uma cultura, como linhagem, é fundamentalmente definida pela configuração do emocionar. Como se explica isso?
HM – As emoções definem o espaço relacional no qual ocorrem nossas ações, o que se diz, pela linguagem. Então, o mesmo gesto, o mesmo movimento vai ter um caráter ou outro segundo a emoção que o origina. O mesmo discurso vai ter um caráter ou outro segundo a emoção a partir do qual ele foi gerado, de onde ele se faz. As culturas são redes fechadas de conversações que produzem a configuração do emocionar, é nessa rede fechada de conversações que vai formar o caráter da cultura. Por isso é a emoção que guia, no fundo, o fluir histórico.

RH – Qual a importância das emoções na evolução humana?
HM – As emoções são centrais na evolução de todos os seres vivos, porque definem o curso de seus fazeres: onde estão, para onde vão, onde buscam alimentos, onde se reproduzem, onde criam seus filhotes, onde depositam seus ovos, etc. Bem, com os seres humanos ocorre exatamente a mesma coisa. O emocionar, o fluxo das emoções, vai definindo o lugar em que vão acontecer as coisas que fazem no conviver. Então, se uma pessoa se move, por exemplo, a partir da frustração, isso vai definir continuamente o espaço relacional na qual se encontra e o curso que vai ter seu viver. Se vive a partir da confiança, vai seguir um curso distinto. Assim, portanto, o que guia o fluxo do viver individual são as emoções e na constituição evolutiva também. É o emocionar que se conserva de uma geração a outra na aprendizagem das crianças.

RH – Como educar uma criança para que ela se torne um adulto socialmente responsável?
HM – Numa educação amorosa, que vê a criança, que a escuta, que a acolhe com respeito. Uma educação que traz consigo à criança, a confiança em si mesmo e o respeito por si mesmo, é a educação que possibilita, portanto, a colaboração. A colaboração ocorre somente em um quefazer com outros, tendo respeito por si mesmo.

RH – O que é a biologia do amar e qual sua importância para o desenvolvimento humano?
HM – A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivos. No caso dos seres humanos, isto é central na relação do bebê com sua mãe, com seu pai, com seu entorno familiar, que o vai permitir crescer como uma criança que vai ser um adulto que se respeita por si mesmo. Se você observa a história de crianças que se transformam em seres, chamemos assim, anti-sociais, vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser.

RH – Quando e como acontecem as mudanças culturais?
HM – As mudanças culturais ocorrem quando há as mudanças no emocionar que define as redes de conversação em que se vive. Em geral, estas mudanças culturais ocorrem simplesmente porque vão mudando as condições de vida e as pessoas vão mudando o que fazem, ou porque há situações experienciais que resultam, em nosso caso, em uma reflexão que nos leva a querer viver de outra maneira. Mas, o viver é sempre conservador. As culturas são conservadoras, de tal modo que uma mudança pode ser imperceptível, no sentido de que uma pessoa não se dá conta porque as condições de vida vão mudando, ou mudam as condições de vida sem haver mudança cultural porque o emocionar segue sendo o mesmo. Por exemplo, penso que seja o que acontece com a tecnologia da comunicação atualmente. Ou porque há situações que são comoventes, que faz com que alguém se pergunte porque está vivendo de um modo que não gosta, de estar vivendo num determinado momento.

RH – Quais são as diferenças básicas entre a cultura matrística e a cultura patriarcal ou matriarcal?
HM – A diferença básica reside no fato de a cultura patriarcal/matriarcal estar centrada nas relações de dominação e submissão, exigências, desconfianças e controle. De outro modo, uma cultura matrística, que vem a ser antecessora da cultura patriarcal/matriarcal, está centrada em relações de muito respeito e, portanto, de colaboração. Na cultura patriarcal/matriarcal não há colaboração. Quer dizer, pode haver, claro, mas o centro, o fundamental é a relação de dominação e submissão.

RH – Vivemos numa sociedade que promete a felicidade pelo consumo, pela posição social, por ter coisas. Esta mesma sociedade apresenta muitos sofrimentos. Estes sofrimentos nos indicam que precisamos mudar a cultura patriarcal/matriarcal, que incentiva a competição e o lucro, e retomarmos a cultura matrística?
HM – Veja bem, o sofrimento, como diz minha amiga Ximena Dávila, tem uma origem cultural, é resultado do sentimento de ser negado no convívio. Então, é claro que é sinal de que estamos vivendo num mundo relacional que nos nega. Daí que necessitamos de mudanças, necessitamos criar novos espaços de convívio. E sem dúvida, isso tem a ver com a negação do que somos originalmente seres amorosos.

RH – Como o senhor vê a democracia no momento atual?
HM – Eu penso que o que se passa com a democracia é que tanto está fundada na possibilidade de colaborar para um projeto comum de mútuo respeito como se vê ligada por outras dinâmicas emocionais que se entrecruzam com ela, que tem a ver com noções filosóficas ou políticas, mas que enfatizam justamente a competição ou a desconfiança e o controle. Ou seja, se estamos gerando um espaço de colaboração na convivência em que apareça a competição, será destrutor da própria colaboração. Agora, se estamos gerando uma democracia, ou se queremos viver uma democracia que seja essencialmente um espaço de colaboração de pessoas que se respeitam a si mesmas, em um projeto comum, que é a convivência democrática em que apareçam noções de competição ou atitudes de competição, dependendo, é claro, do grau desta competição, como por exemplo, em nossa cultura, neste momento, toda a visão do comércio que se associa ao estímulo da cobiça, é destruidora da democracia. Quando Jesus disse "não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, não se pode servir ao dinheiro e ao amor", aponta certamente isso. Mostra que servir ao dinheiro tem a ver com a cobiça. Por isso o jovem rico para entrar no Reino de Deus tem que desfazer-se de suas riquezas, abandonar seus apegos, porque o Reino de Deus é, de fato, amar. É a democracia. É o que nos diz, assim, o Evangelho.
Então, estas emoções se entrecruzam, por exemplo, toda a propaganda para transformar as crianças em consumidores é um estímulo para a cobiça. Provavelmente estas crianças serão adultos que vão cobiçar, porque cresceram na busca da satisfação de qualquer coisa que querem, sem ter consciência do que isto significa no espaço social, no espaço de convivência, por exemplo, de seus pais, que não necessariamente podem comprar tudo o que os filhos querem. Mas, os filhos exigem e exigem por que estão convidados a isso. A propaganda, neste caso, é a instrutora, em última análise, da consciência da criança, da legitimidade do espaço de convivência no qual as pessoas não têm tudo. Se tiver uma convivência amorosa não necessita ter tudo.

RH – Qual a importância do jogo para o desenvolvimento humano?
HM – O jogo é uma atividade que se realiza no prazer de ser feito, com a atenção posta no prazer de fazer a coisa, pelo fazer mesmo, não na conseqüência. A importância disso é que o jogo permite a colaboração. Permite a seriedade do fazer pelo próprio fazer, pelo respeito àquilo que se está fazendo, pelo prazer de fazê-lo e não pelas conseqüências que poderá ter. A criança, ao jogar, aprende um modo de viver cuja atenção não está nas conseqüências, mas está na responsabilidade do que faz. Claro que vão ter conseqüências, mas o central não são as conseqüências, mas aquilo que a criança está fazendo ao jogar. Se alguém aprende isso pode colaborar, pode estudar, pode fazer qualquer coisa com satisfação e com prazer. Por que o central não será o resultado, uma nota, não é o que vai ganhar com aquilo, mas o processo mesmo de fazer. Isso dá liberdade de ação. Não quero dizer que alguém não pode fazer nada pelo resultado, sim, pode fazer, mas vai fazer com a seriedade de respeitar o processo, não vai fixar-se nos resultados.

RH – O que o senhor diria a um professor de crianças, da educação infantil, por exemplo. Que mensagem o senhor deixaria a elas ou eles?
HM – Não traiam as crianças! Não prometa acolhê-los quando os vai desconsiderá-los. Não prometa que vai levá-los a brincar quando vai ordená-los que se sentem e fiquem quietos. Porque o que um professor faz, às vezes, sem dar-se conta, é claro, é freqüentemente trair as crianças em função do que ele quer que elas façam. Por um lado os acolhe, mas na realidade os distingue, então a criança vive isso como uma traição. Um menino que está chegando na escola infantil e o professor diz "venha aqui, você vai brincar com as outras crianças!" e depois que o menino aceita isso ele diz "Bom, agora fica sentadinho aqui!", vive isso é uma traição. As crianças sabem exatamente quando alguém promete algo e não cumpre, e vivem isso como uma traição. Isso gera dor e produz sentimentos, por que é uma negação de nossa condição amorosa.

FONTE:
Ana Paula Andrade
Pedagoga

2 de dez de 2008

A Lenda de Maní

Hoje, quero dividir com vocês uma lenda muito bonita, que nos ensina, entre muitas coisas, a darmos atenção aos sinais (sonhos) e a respeitar e amar o diferente.
(Lenda tradicional da Amazônia, recontada por Esperança Alves*)

"Há muito tempo, na Amazônia, em uma tribo indígena, pertencente à ancestral matriz Tupi, a mais bela “ cunhãtã” , filha do cacique, apareceu grávida, misteriosamente. O pai, muito contrariado por sua filha trair os costumes do seu povo, afinal não estava prometida a nenhum jovem guerreiro, quis sacrificá-la à “ Tupã” , mas, foi detido de seu intento, após um sonho. Neste, um homem branco lhe apareceu comunicando a inocência da mãe virgem, escolhida para uma importante missão.
Passadas 09 luas, a mãe deu à luz uma linda menina, muito alva, a quem deu o nome de " Maní ". De início, todos acharam muito estranho a cor diferente de sua pele, mas com o tempo foram se acostumando, se encantando e vendo graça e beleza naquela criança por quem aprenderam a nutrir grande amor e respeito.
Um dia, misteriosamente, “Maní” morreu sem ter adoecido. A comunidade inteira ficou desolada. A mãe e o avô ficaram muito, muito tristes. O Conselho das mulheres mais velhas orientou e cuidou de enterrá-la no centro da maloca do avô.
Dia e noite a mãe chorava sobre a sepultura de “ Maní”. Depois de certo tempo, para surpresa de todos, do chão brotou uma pequena e desconhecida planta. E o mais espantoso foi mesmo quando a terra se abriu e apareceram grandes e belas raízes. Um a um foi chegando para ver a grande novidade. Com grande apreensão e respeito colheram as raízes, percebendo que, por dentro, elas eram "branquinhas", pelo que imediatamente associaram com o corpo de “ Maní”. Acreditaram ser uma nova manifestação de sua vida. Por isso, deram-lhe o nome de " Maní-oca ", que significa casa ou corpo de “ Maní” , na língua tupi.
A partir de então, nunca mais a população daquela aldeia Tupi passou fome, tornando-se a “maní-oca”, ou mandioca, seu principal e sagrado alimento.

Saiba...
A mandioca tem um enorme valor cultural, não só na Amazônia, mas para toda a América do Sul, sendo encontrada do Norte da Argentina até o sul do México. Vários pesquisadores levantam a hipótese de sua domesticação ter se dado na região Amazônica com povos pertecentes ao tronco linguístico-cultural Tupi-Guarani, estes por sua vez, também sendo originários da mesma região (Pau-Brasil / org. Eduardo Bueno. – São Paulo: Axis Mundi, 2002).
Maní - Ser mítico e arquétipo da Grande-Mãe Virgem, na tradição indígena Tupi que conta a origem da sagrada raiz da mandioca (manioca em tupi) que alimentou e alimenta povos diversos da Amazônia até a América Latina. Provavelmente de origem amazônida, a mandioca foi domesticada pelos povos de ascendência ancestral Tupi. No oriente, o termo mani significa literalmente "jóia", e refere-se a um tipo de não-substância imune a danos e mudanças, simbolizando o estado iluminado da compaixão e do amor. Acredita-se que "mani" esteja associada à Deusa "Kwan-Yin" - representação da Grande-Mãe na tradição do budismo chinês.

1 de dez de 2008

Maria Madalena - Canalização

"Eu sou Maria Madalena. Talvez me conheçam, mas poucos de vocês sabem quem sou na realidade, ou quem fui. Pois sim, fui a companheira do que se chamou Yeshua Ben Josef. E sim, há muitas histórias a respeito de nós e de nossas vidas. Ambos fomos Avatares da Nova Era da Consciência "Crística", mas os que escreveram essas histórias estiveram influenciados por suas crenças de que a única experiência importante era a masculina, e por isso a vida do Avatar Feminino, Maria Madalena, foi negligenciada e esquecida.
Mas foi necessário que, para equilibrar a futura Idade Dourada, nascesse um Avatar de cada sexo, e que eles se unissem como companheiros, criando os perfeitos Modelos das Funções para a Futura Era de Luz! E assim foi!
Nasci em uma família normal de Israel, mas eu nunca fui "normal". Levava em meu interior a Chama Sagrada do Feminino Divino do momento em que fui concebida como humana. Nasci como uma perfeita Menina "Crística". Fui a "filha" encarnada da Mãe Divina. Igual a Yeshua, fui treinada pelas mulheres nos ensinos secretos dos Essênios. Como ele, eu era um grande prodígio pelo meu saber e conhecimento das antigas artes da sabedoria das mulheres que estava bem alem dos meus anos.Sim, queridos, fui treinada para que fosse a Guardiã da Chama Sagrada da Sabedoria das Mulheres, o poder do Feminino Divino.


E esse segue sendo ainda meu papel e meu trabalho neste momento. Venho à vocês porque a Terra Ascendida esta uma vez mais preparada para dar as boas-vindas ao Avatar Feminino: as filhas da Mãe Divina. Há muitas entre vocês que estão preparadas para receber o treinamento do Espírito, porque já alcançaram o nível de consciência que lhes permitirá ser o que eu fui: a portadora da Chama da Mãe Divina.
E que poderosa é esta chama: - é puro Amor Incondicional, e se expressa em todos os níveis, incluindo o físico e o sexual.
Sim, queridas irmãs, agora que o raio Laranja-Rosa do Amor Divino banhou o seu ser, limpando e liberando milhares de anos de abuso e de repressão mental, emocional e sexual, vocês já estão esclarecidas e são livres para expressar a Chama Divina através de seus corpos.
Os ensinamentos do Feminino Divino são o Êxtase e a Unidade - o direito de nascimento de toda mulher. E o direito às habilidades e a sabedoria que permitirão que toda mulher expresse seu Êxtase e sua Alegria através de uma relação que será uma União Sagrada, uma expressão de sabedoria espiritual e de amor incondicional. Esta união apaixonada do sexual e do espiritual é o que conduziu a remoção da história de Maria Madalena e sua União Sagrada com o Yeshua Ben Josef das histórias que comemoram a vida de Yeshua.
Sim, chamaram-me "prostituta" e "impura", pelo meu conhecimento dos dons do êxtase sexual. Que triste foi que o caminho do Feminino Divino não fosse honrado ao mesmo tempo que o caminho do Masculino Divino representado por Yeshua. De fato, essa omissão conduziu à distorção da verdade a respeito de nossas vidas. Porque o verdadeiro caminho do Avatar não foi o sofrimento e o martírio. Essa foi uma interpretação posterior feita por quem tinha outros planos. O verdadeiro caminho do Avatar foi criar uma direção para o Êxtase e a Unidade através do Amor Incondicional. E foi alcançado por nós! Foi esta realização que agora nos permite que levemos à vocês os ensinos da União Sagrada e os caminhos do Feminino Divino e do Masculino Divino.
Esta foi a maior realização de nossas vidas, e essa Alegria e esse Amor é o que queríamos transmitir como nosso legado, não o sofrimento nem o derramamento de sangue das incontáveis guerras e cruzadas disputadas em um entendimento errôneo da natureza da energia Divina Masculina e do caminho de Yeshua!
Queridas irmãs, à medida que a consciência abandonou seu planeta, foram levadas a acreditar que era bom que se desconectassem de seus corpos e que reprimissem sua sexualidade e seus desejos. Foram ensinadas a desconectar o espiritual do sexual, e assim perderam a Alegria e o Êxtase da união.
Ensinaram-lhes que essa repressão era um "serviço" e que era aprovada por Deus. E assim, sofreram e ficaram iradas e sem poder, e assim ainda estão muitas de vocês.Queridas irmãs, é hora de elevar sua consciência novamente e ver que seu corpo é o Templo de sua Alma e de seu Espírito. É um corpo de Fêmea, um corpo de mulher, e é o Templo do Feminino Divino.
Esta é uma energia poderosa e sagrada, uma chama da energia Solar Feminina que lhes permite experimentar a energia da Fonte como uma Grande Mãe. Mas também lhes permite experienciar o êxtase de uma relação entre Chamas Gêmeas na qual se reunem o Divino Feminino e o Divino Masculino à serviço da Fonte e de seu Amor por Tudo O Que É!
Há muito a ser compartilhado sobre o conhecimento do caminho do Feminino Divino, e com entusiasmo esperamos compartilhar este Amor com vocês nos próximos tempos. Mas permitam-me terminar onde comecei. Quando aprenderem quem sou, descobrirão que sou uma parte de vocês: a Mulher Crística ou "Cristal" da Nova Terra.


Autora e canalizadora: Celia Fenn - todos os direitos reservados
(ao copiar este texto mantenha a integridade do conteúdo e os créditos da autora)

O Sol saiu em Itajaí...

... Depois de brilhar a partir de muitos corações!

Os últimos acontecimentos em Itajaí fizeram-me refletir novamente sobre a Luz e a Sombra do Ser Humano... Hoje recebi esta mensagem que compartilho com vocês, apesar de longa, permita-se ler, me emocionei aqui...


Beijo amoroso

Ana Andrade

Compartilhando...

Meus amigos,




Ontem 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.


As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas. Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos.


As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperá-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos. Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:


- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros;
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.


Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:


- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.


Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:


COMEÇAR DE NOVO


Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ele que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.


(Anônimo)


É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano. Pelo menos é a minha hora, acredito.


Que Deus abençoe a todos.


Autoria desconhecida


28 de nov de 2008

Vegetarianismo

O termo "vegetariano" não provem de "vegetal", mas sim do termo latino "vegetare", que significa "dar vida, animar". Quando os romanos usavam o termo homovegetos, eles se referiam a uma pessoa vigorosa, dinâmica.

O que é Vegetarianismo?
No vegetarianismo, entende-se que o consumo de alimentos de origem animal é uma prática desnecessária, que prejudica a saúde humana, o meio ambiente, os animais e a sociedade.
Ovo-lacto-vegetarianos: não consomem qualquer tipo de carne, e consomem laticínios e ovos.
Lacto-vegetarianos: não consomem carne nem ovos, e consomem leite e derivados
Vegans: não consomem qualquer produto de origem animal (carne,leite, ovos, mel) e também não utilizam produtos que tragam sofrimento animal embutido: couro, lã, seda e cosméticos que contenham ingredientes animais ou que tenham sido testados em animais.


Por que ser vegetariano(a)?
Há vários motivos: saúde, ética, compaixão pelos animais, fome mundial, preservação do meio ambiente.

Saúde
"Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mas sábia é a sua mente" (George Bernard Shaw)

Uma dieta vegetariana é saudável porque: é
. Rica em fibras, vitaminas e minerais.
. Pobre em gorduras saturadas, colesterol e contaminantes químicos
(hormônios, antibióticos, pesticidas).
. Moderada em proteínas e calorias.
. Saborosa, trazendo pratos da culinária mediterrânea, indiana, japonesa, etc.

Variada, incluindo hortaliças, legumes, frutas, raízes, cereais integrais (arroz, trigo, centeio, cevadinha), leguminosas (feijão, soja, ervilha,lentilha, grão-de-bico) e oleaginosas (castanhas, nozes e sementes).
. Nutritiva, fornecendo todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo.
. Preventiva, uma dieta vegetariana reduz o risco de doenças crônicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes. Obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar, artrite, asma, pedras nos rins e hipertensão. doenças circulatórias (infarto, derrame, pressão alta) entre outras.

Há um grande número de trabalhos científicos que mostram as propriedades preventivas das dietas vegetarianas.

Mantém o colesterol em níveis adequados - Uma dieta livre de alimentos de origem animal é capaz de controlar a pressão nas artérias e ainda manter níveis adequados de colesterol.
Um estudo do Instituto do Coração (InCor/USP) de 2002 comparou, entre outros fatores de risco para doenças do coração, a pressão arterial e os níveis de colesterol de 136 pessoas, entre vegetarianos e comedores de carne.
Os vegetarianos não apresentaram nenhum caso de pressão alta e apenas 22% das pessoas tinham colesterol elevado.
No grupo que consumia carne, 22% das pessoas apresentaram pressão alta e 41% tinham o colesterol acima do limite máximo recomendado.


Orientação
Há ainda muitas publicações e alguns profissionais que podem orientar uma transição saudável para o vegetarianismo. A informação e orientação são muito importantes para planejar bem a dieta!
Ética
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhor com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles".
(Paul e Linda McCartney)


Compaixão pelos animais
Não nos enganemos: todo animal é capaz de sentir e não há nenhuma justificativa moral para desprezar sua vida, negligenciar seu sofrimento, banalizar o ato de sua morte e mutilar seu cadáver para com ele fazer delicatesses carnívoras.

Fazer sofrer e matar seres vivos sensíveis por razões banais é uma daquelas injustiças elementares a que somos inclinados a condenar. No entanto, falta ainda a convicção de que matar animais para alimentação é uma razão banal e que a cadeia animal não é indispensável.
Do ponto de vista ético, matar um animal é um ato incompatível com as aspirações intelectuais e espirituais da nossa espécie. Se matar um animal dentro de um contexto de defesa ainda é aceitável, abate-lo para lhes retirar as proteínas, as gorduras, os conhecimentos
científicos, e os prazeres gustativos não é aceitável, tanto mais que estas questões são banais em comparação com o sofrimento e a perda de vida de um animal, ser sensível e consciente.

Animais usados como produtos – os bastidores
Os animais criados para consumo, são confinados, manipulados especificamente para o aumento de produção, através de genética, medicamentos e técnicas de manejo. Devido às considerações econômicas, eles não recebem analgésicos.
O gado é marcado várias vezes durante sua vida (causando queimaduras de 3º grau), chifres são removidos , castrações pelo corte dos testículos com facas ou forçando sua queda amarrando-os para interromper o fluxo sangüíneo, mais uma vez, por razões econômicas tudo é feito sem anestesia.
Os modernos antibióticos e vacinas são a razão pela qual os animais sobrevivem às condições intensivas até atingirem o peso do mercado ou até que se tornem " gastos", ( termo utilizado para vacas leiteiras ou galinhas poedeiras cuja produção cai ) e serem mandados para o matadouro.
Mesmo quando são criados soltos os animais, muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente.

Galinhas
As galinhas vivem espremidas em gaiolas do tamanho delas, as luzes ficam acessas até 18 horas por dia – assim elas não dormem e comem mais (isso acontece principalmente com as que produzem ovos), seus bicos são cortados sem anestesia.
O corte dos tecidos delicados com a faca causa dor que persiste por semanas ou até meses. Algumas aves não conseguem comer após o corte dos bicos e morrem de fome. Esse procedimento é feito para que elas não matem umas as outras e para evitar que elas escolham a parte da ração de sua preferência - caso contrário, ciscariam apenas os grãos de seu agrado e deixariam de lado os alimentos que servem para que engordem mais rapidamente.

Porcos
Porcos não têm espaço nem para se deitar confortavelmente. São confinados do nascimento ao abate. As gestantes são forçadas a parir atadas a uma fivela apertada na baia.
Pela sua natureza, os porcos são curiosos e normalmente passariam metade do tempo cavando a terra. A frustração do confinamento faz com que lutem e mordam suas caudas. A resposta da indústria é o corte das caudas e a castração dos porquinhos para torná-los menos agressivos sem o uso de anestesia.
Ser impedido de realizar os instintos mais básicos é motivo de enorme sofrimento. Mesmo os animais criados em gaiolas desde que nasceram sentem necessidade de se mover, esticar as asas ou membros e fazer exercícios.


Rebanhos ou bandos de animais ficam estressados quando são criados isolados ou quando são confinados em grupos muito numerosos, pois têm dificuldade para reconhecerem os outros membros. Além disso, todo o animal confinado sofre de intenso aborrecimento, o que pode provocar um comportamento autodestrutivo.

Transporte
Quando são levados aos matadouros os animais são prensados ao máximo possível nos caminhões para minimizar os custos. Eles vivem nos excrementos uns dos outros e são expostos a condições severas de temperaturas em caminhões abertos, ficam sem água ou alimento por longos períodos de tempo. Em vista disso, muitos morrem a caminho.

Abate - boi
Para se abater um boi de maneira "humanitária", primeiro se dá um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido.
O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos- ele então é erguido por uma argola na pata traseira e sua garganta é cortada.
Os animais são sangrados até a morte ainda conscientes. O abate a marretada é proibido, o que não quer dizer que não aconteça, já que 50% dos abates são clandestinos e, portanto, sem fiscalização. Como não é fácil acertar o boi com o primeiro golpe, muitas vezes são necessários dezenas para desacorda-lo.

Abate - galinhas
As galinhas são despejadas como lixo dos caminhões que as traze; são colocadas em ganchos que fazem parte do sistema de abate automático, sofrem uma descarga elétrica que deveria causar a inconsciência , mas essa corrente é reduzida causando somente dor (níveis maiores de corrente endurecem a carne).
Vão para o próximo estágio com plena consciência, passam por máquina que vai degolando o pescoço, são imersas em um banho escaldante, depois vão para a área onde serão depenadas.

Abate - porcos
O abate dos porcos é parecido com o de bovinos, com a diferença que o atordoamento é feito com um choque elétrico na cabeça e que o animal é jogado num tanque de água fervendo após o sangramento, para facilitar a retirada da pele. Alguns são mergulhados na água fervente ainda vivos.

Pânico
Os animais podem sentir o cheiro, ouvir os gritos e freqüentemente ver a matança daqueles que foram abatidos antes deles. Há verdadeiro pânico e eles tentam fugir dando saltos, o que é inútil, pois estão cercados de chapas de aço.
Nos dias de hoje, compra-se carne longe da matança, o que cria uma falsa impressão de que se alimentar de cadáveres é algo normal e inofensivo. Entretanto quando alguém é apresentado à grotesca realidade de um matadouro, fica chocado com a selvageria e impiedade que há por trás dos pratos de carnes. Não podemos ignorar uma realidade de crueldade e sofrimento que acontece todos os dias contra criaturas pacíficas e indefesas. Se a população tivesse que matar para comer, certamente o número de vegetarianos seria muito maior.
Não permita que matem em seu nome!


Comer peixe é uma alternativa?
Quando paramos de comer carne, surgem muitas dúvidas sobre como obter proteínas e manter uma dieta quantitativamente saudável.
Se frangos e aves, devido aos aspectos sanitários e humanitários, também não devem ser consumidos, os peixes e frutos do mar aparecem como alternativas, até mesmo consideradas saudáveis. Mas, infelizmente, não é bem assim.
Embora a gordura da maioria dos peixes de água salgada e de água doce seja insaturada e benéfica para a saúde, os frutos do mar e muitos produtos dos rios e lagos são ricos em colesterol. O hábito de consumir peixes crus, como o sashimi e o sushi, mesmo sendo uma forma de adquirir proteínas de boa qualidade, não isenta o seu apreciador de assimilar colesterol.
Peixes também sentem dor
Em um documentário realizado no EUA, estudiosos declararam que os peixes têm em suas bocas quase a mesma quantidade de terminações nervosas que os humanos têm em seus genitais. Assim, puxar um peixe para fora d'água com um anzol seria como tirar uma pessoa da água segurando suas partes íntimas.

Intoxicações Alimentares
As piores intoxicações alimentares são provocadas por frutos do mar deteriorados, como ostras, mariscos, camarões, etc. Cerca de 20% dos seres humanos apresentam algum tipo de alergia às suas proteínas, principalmente as do camarão.

Contaminação
Há atualmente um grande risco de contaminação humana por agentes poluentes (PCB, DDT) e metais pesados com o consumo de frutos do mar.
Um marisco ou ostra é capaz de filtrar muitos litros de água do mar por dia, o que pode determinar uma grande concentração de metais pesados e substâncias nocivas, capazes de contaminar o consumidor, às vezes mortalmente. Os animais capturados próximos às grandes cidades são os mais perigosos, já que são mais expostos ao problema.

Impactos Ambientais
O Sea Sherphed Conservation Society (Sociedade de Conservação do Leão Marinho) documentou que as redes de arrastão usadas pelas pesqueiras comercias, com muitas milhas de comprimento, capturam e matam muitos outros animais em seu caminho: golfinhos, baleias, pássaros, tartarugas marinhas.
A pesca industrial dizimou o ambiente marinho e provocou o declínio de cerca de 90% dos grandes peixes do mundo ao longo dos últimos 50 anos, afirma um estudo publicado pela revista "Nature" – Maio de 2003.

Ética - Fome mundial
800 milhões de pessoas passam fome no mundo!
O peso coletivo dos bovinos no mundo é superior ao peso coletivo dos humanos. Esse gado criado para corte consome um terço de toda a safra de grãos do Planeta, enquanto um bilhão de pessoas sofrem de fome crônica e desnutrição.
Pode-se facilmente produzir alimentos para saciar a fome dessas pessoas, bastando pra isto que os recursos empregados na produção de ração animal sejam direcionados para a produção de alimentos para o consumo humano.
Um acre de cereal produz cinco vezes mais proteínas do que o acre devotado à criação de gado; um acre de legumes (feijões ou lentilhas) dez vezes mais. Assim, se uma parte de terra ocupada por gado fosse destinada a culturas, a maior parte dos famintos poderia ser alimentada adequadamente.
Aliás, segundo dados bastante atuais do setor agropecuário, um bovino ocupa em média no Brasil, área de 1,5 hectares, espaço adequado ao plantio de vegetais para cesta básica, que alimentaria muitas famílias.
Se todos fossemos vegetarianos é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da terra (uma vaca, num único gole bebe até dois litros de água, num dia consome até 100 litros) para produzir 1 quilo de carne, gasta-se 43.000 litros de água, enquanto um quilo de tomates custa ao planeta 200 litros de água.
Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos do mundo viram comida de vaca, boa parte de nossa produção de soja, uma das maiores do mundo é exportada para ser dada ao gado. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano haverias lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

Ética - Meio Ambiente
"A Terra tem o suficiente para suprir a necessidade de todos, mas não têm o bastante para satisfazer a ganância de algumas pessoas". (Mahatma Gandhi)

. A indústria da carne é um dos agentes mais poluentes, que mais consome água, é também responsável pela destruição das florestas tropicais e outras florestas em todo o mundo.
. Uma fazenda de porcos gera lixo equivalente a uma cidade de 12.000 habitantes. Estima-se que o gado americano por si só produz 127 toneladas de fezes por segundo, o que significa 13 vezes a produção humana. A amônia contida nas fezes polui as águas e afeta severamente a camada de ozônio. Os resíduos animais são 100 vezes mais poluentes do que os resíduos humanos.
. A energia necessária para produzir um só hambúrguer poderia abastecer um veículo para rodar 30 km ou aquecer água para 17 banhos quentes.
. Estudos recentes realizados nos Estados Unidos revelam que o rebanho bovino é responsável por pelo menos 12% do gás metano (uma das substâncias que mais influenciam para o efeito estufa) liberado para o meio ambiente.
. A criação extensiva de gado só se faz com desmatamento. Estima-se que 40% da floresta amazônica foi devastada para a criação de gado. Tira-se a mata nativa, e com ela toda a fauna e a flora correspondentes, transformando a área em pasto para bois.
Do total de 4.14 bilhões de kg de carne de boi consumidos em 1996 nos EUA, 160 milhões de kg foram importados do Brasil, o que contribui para a desertificação da Amazônia, mas não ajudou a alimentar a população brasileira. O benefício econômico obtido com a exportação é enganoso.
Estima-se que cada hectare (10.00m2) de floresta derrubada para a formação de pastos seja capa de produzir US$ 160, enquanto que, com uma exploração sustentável (para a produção de látex e frutas, por exemplo), a mesma área possa produzir US$7.280!
Como podemos concluir, a opção de não comer carne pode ajudar individualmente a cada um de nós e, conjuntamente, ao nosso planeta como um todo.


"Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras. Precisamos nos posicionar contra essas coisas. O vegetarianismo é minha forma de me posicionar". (Issac Bashevis Singer)

Produção Animal / Degradação Ambiental e Fome no Mundo

Nos países desenvolvidos é impossível ignorar a relação entre a produção animal e o desastroso impacto económico-ambiental. O custo da criação intensiva de gado, aves, porcos, cabras, carneiros e peixes, para alimentar uma população humana excessiva e em contínuo crescimento, inclui a fome nos países do terceiro mundo, o uso indevido da água e dosolo, o alto nível de contaminação produzido por fezes de animais, o aumento nas taxas de doenças cardíacas assim como outras enfermidades degenerativas e a destruição das florestas. A permanência desta situação contribuirá para a desertificação, a extinção de muitas espécies animais e vegetais e as alterações climáticas. Desmesurada e consumidora excessiva de recursos, a produção animal é portanto, incompatível com os recursos naturais e ecossistemas da Terra.

Degradação Ambiental

Consumo e contaminação da água e ar:
A produção de ração e de forragem para o gado requer uma enorme quantidade de água, resultando na escassez de água em certas áreas. Só nos Estados Unidos, mais de metade da água consumida para todos os fins é gasta na produção animal. Consequentemente, lençóis de água como o gigantesco aquífero Ogalalla (Estados Unidos), estão a ser rapidamente esgotados. Em paralelo, um dos fatores mais poluentes da água é aacumulação e descarga de resíduos animais. O nitrogênio proveniente destes resíduos é convertido em amônia e nitrato e infiltra-se nas águas do subsolo e da superfície, poluindo a atmosfera, contaminando poços, rios e riachos e matando a vida aquática. De acordo com a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos, cerca da metade dos poços e todos os riachos do país estão contaminados por poluentes oriundos da pecuária. Na Holanda, os 14 milhões de animais que ocupam os estábulos do sul produzem tanto esterco que o nitrato e o fosfato saturam camadas da superfície do solo e contaminam a água. A amônia proveniente da indústria de criação de animais é sozinha a maior fonte de deposiçãoácida nos solos holandeses, provocando mais prejuízos que os automóveis e as fábricas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública e Proteção Ambiental do país.



Desflorestação e desertificação:


Todos os anos, cerca de 200.000 quilômetros quadrados de florestas tropicais são destruídas de forma permanente ocasionando a extinção de aproximadamente 1000 espécies de plantas e animais. A exploração e devastação constante de novos solos (muitas vezes abandonados poucos anos depois) para criação de pastos para gado, leva à utilização excessiva da terra o que resulta na contínua perda da camada fértil dosolo. Pressões da competição levam os donos das unidades de produção animal a optar por métodos de produção de baixo custo que deixam o solo exposto ou a submeter terras fracas à produção intensiva, resultando na sua destruição permanente. Por todo o planeta, a terra, que é a própria base da produção de alimentos, está a ser rapidamente desertificada. Desertificação é o empobrecimento de ecossistemas áridos, semi-áridos e sub-áridos pelo impacto das atividades humanas. As regiões mais afetadas pela desertificação são as áreas produtoras de gado, inclusive o oeste americano, a América Central e do Sul, a Austrália e a África Sub-saariana. A desertificação dos campos e florestas deslocou a maior massa migratória na história do mundo. No virar deste século, mais de metade da população irá viver em áreas urbanas.



Fome no Mundo



A fome no mundo é uma realidade dolorosa, persistente e desnecessária. No momento, existe suficiente terra, energia e água para bem alimentar mais do que o dobro da população humana, contudo metade dos cereais produzidos é destinada aos animais enquanto milhões de seres humanos passam fome. Em 1984, quando centenas de etíopes morriam diariamente de fome, a Etiópia continuava a cultivar e exportar milhões de dólares em alimento para o gado do Reino Unido e outras nações da Europa.



Conclusão:
O que se pretende aqui é chamar atenção para um importante aspecto da vida diária, que são os hábitos alimentares, e mostrar como eles se encontram hoje estreitamente ligados ao quadro da miséria, subnutrição e fome. Estão também ligados a um enorme desperdício, à degradação do meio ambiente e à má saúde da população como um todo.
Muitos estão preocupados com os graves problemas ambientais e sociais com os quais nos defrontamos a nível global, contudo, poucos estão cientes das enormes implicações que o simples acto de comer tem sobre vários destes problemas. Ao investigarmos esta questão, vemos que existem efeitos de amplo alcance na mudança fundamental das naçõesocidentais, que se deu, sobretudo, depois da II Guerra Mundial, de uma dieta composta principalmente de alimentos de origem vegetal para uma dieta à base de alimentos de origem animal.
Analisando estes problemas até à raíz - os hábitos alimentares - conseguimos concluir que ao modificar as nossas dietas, podemos desempenhar um importante papel no sentido de ajudar a curar a Terra e a criar um mundo sustentável para os futuros habitantes.



Referências:
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/producao.htm
http://www.avozanimal.com.br/index1.htm
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/pecuaria-moderna.html
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/agricultura-moderna.ht

27 de nov de 2008

As Gerações Futuras

Inúmeros são os nomes da Grande Mãe: os Cristãos a chamam de Maria, os Incas de Pacha Mama, os orientais de Kuan Yin, os zen-budistas de Avalokiteshvara, os Wiccas de Deusa e se quisermos alargar esta lista podemos mencionar as dezenas de “Nossas Senhoras”, como “Nossa Senhora de Fátima” ou “Nossa Senhora dos Navegantes” em suas muitas aparições.


O que qualquer um desses nomes invoca é a energia da Mãe, a energia criadora, a polaridade Ying, que oferece colo e conforta. Que nos ajuda e nos indica o caminho, que nos prove alimento, que nos cerca com seus braços, que nos acalenta. Essa é a energia da Mãe. Da nossa Mãe biológica e de nossa Mãe terra, Mãe natureza. É dela que extraímos nossa sobrevivência, o alimento e a energia que nos dá poder para enfrentarmos os desafios cotidianos. Essa Mãe que é divina e poderosa, diante das dificuldades é capaz de nos oferecer abrigo e confortar diante das adversidades.


Acompanhe este texto de Stella Bittencourt, na Revista da Frater:



Lindo texto Stella!

26 de nov de 2008

Entrevista com Maya Angelou - Super bonito!*

Em abril, Maya Angelou foi entrevistada por Oprah Winfrey na passagem de seu aniversário, mais de 70.

Oprah perguntou o que ela sente diante da velhice que chega.
Resposta: 'animada'. Comentando as mudanças no corpo, disse que há muitas, a cada dia. Como os peitos, que estão competindo um com o outro para ver qual chega primeiro à cintura. A platéia riu de chorar.

**Uma das grandes vozes do nosso tempo, Maya Angelou é uma mulher simples, direta, cheia de sabedoria... Alguns exemplos:

> Aprendi que aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
> Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pesso ao bservando-se como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagemperdida e luzes de árvore de Natal emboladas.
> Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se forem.
> Aprendi que 'ganhar a vida' [making a living] não é o mesmo que 'ter uma vida' [making a life].
> Aprendi que a vida às vezes nos oferece uma segunda oportunidade.
> Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora; tem que saber abrir mão de algumas coisas.
> Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração, em geral vem a ser a decisão correta.
> Aprendi que mesmo quando tenho dores, não tenho que ser um saco.
> Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém. As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
> Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
> Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz com que se sintam.

Mande este texto para cinco mulheres fantásticas ainda hoje.

25 de nov de 2008

A Arte de Menstruar

Ao longo dos milênios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender sua condição física e sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir de suas regras, a jovem deve assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar e assumir sua nova identidade?
Ao longo do processo civilizatório, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, virando tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser: esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda mulher madura tornou-se invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos 'higiênicos', mas que continua a reforçar a idéia de que o sangue menstrual é 'sujo'. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou qual marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva. Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do fato biológico central em suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres 'liberadas' acreditam que suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da idéia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida. O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação.


O polo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o polo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente a serviço da espécie. O polo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o polo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de curarmos a nós mesmas. Desprezada e negligenciada, não é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externo. O período menstrual nos torna mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordo. Se aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece em nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando sua sacralidade.
Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos nos recolher na cabana de menstruação, como faziam nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam suas experiências. Mas podemos reduzir nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos nos recolher para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos nos retirar para um lugar tranqüilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.




Fonte: Caldeirão
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