19 de ago de 2010

Rituais, costumes e virtudes terapêuticas da placenta



Por Verena Schmid
08 de Novembro de 2005

Os costumes ligados à placenta são infinitos. Na África existem povos que a consideram a parte espiritual da criança, aquela parte dela que a acompanhou do Céu para a Terra. Portanto a conservam e a usam para diferentes rituais pessoais e sociais. Em outras sociedades todas as placentas são enterrradas numa colina, a “colina das placentas”. La colina é o equivalente dos nossos cemitérios, somente que está orientada para a vida, não para a morte. Existem métodos empíricos usados pelas parteiras tradicionais da América central e meridional para reanimar uma criança nascida morta: dando fogo à placenta expelida, com o cordão ainda íntegro, ligado ao bebê, parece que este retome vida.

É fora de dúvida que permanece uma forma de troca entre placenta e criança mesmo após a expulsão do corpo materno. Tanto é que em outras culturas a placenta é conservada ao lado da criança até a queda do cordão, sem nunca cortá-lo (o nascimento de Loto**), como sinal de extremo respeito pelos recursos endógenos e pelos tempos da criança, e também na convicção que a placenta continue nutrindo a criança e lhe transmita ainda substâncias preciosas para seu sistema imunitário até estar completamente seca, em seguida poderá ser transformada em remédios que curarão a criança por longos anos e de várias doenças.

Hoje alguns destes rituais voltaram em nossa sociedade. Existem parques onde são plantadas árvores sobre placentas. Alguém o faz em seu jardim ou no bosque.

Na América do Norte nos últimos anos surgiram grupos chamados placentaeaters, comidores de placenta, que se reunem após o nascimento da criança para consumar uma refeição feita com a placenta***. Na Europa, de maneira mais sutil e elaborada, as puérperas recomeçaram a tomar doses mínimas de pó de placenta para a rápida recuperação após o parto.

A placenta possui muitíssimas virtudes terapêuticas, infelizmente pouco exploradas pela ciência.

No uso empírico non é somente considerada um forte reconstituinte, um antihemorrargico, um antidepressivo e um excelente estimulador do leite, portanto ideal para os cuidados no puerpério, ma é também usada nas curas de diversas doenças das mulheres e das crianças, desde as ginecológicas até aquelas por esfriamento, alergias e etc.

As parteiras mexicanas tradicionais usam a tintura de placenta para sarar infecções vaginais da papilloma virus.

Hoje na Itália surgiu uma certa discussão sobre a pertença da placenta. Alguns hospitais não a querem entregar às mulheres que a solicitam. Mas é fora de discussão que um órgão produzido pelo corpo da mulher e dele proveniente é de sua propriedade. O confirma um parecer legal emitido propositalmente****. A única responsabilidade que você precisa assumir, quando ficar com sua placenta, é a de eliminá-la segundo as normas legais vigentes, no caso em que não a queira mais. Para tornar a placenta melhor utilizável, você pode secá-la no forno em baixa temperatura, conservá-la ao ar livre e pulverizá-la em pequenos pedacinhos para o uso. Ou então pode colocar um pedacinho de placenta fresca em álcool e produzir uma tintura mãe, da qual pode-se em seguida obter remédios terapêuticos.
Se quiser saber mais a respeito, o livro de C. Enning “Remédios da placenta para a auto-terapia” contém todas as receitas que você pode preparar sozinha em todos os campos e modos de uso.

Desta forma ela permanece ainda um recurso precioso para a criança e para você por longos anos a seguir.

* Extraído de Verena Schmid, “Venire al mondo e dare alla luce. Percorsi di vita attraverso la nascita”. Milano, Urra, 2005, pp. 195-6.
** Trata-se da modalidade de deixar cordão e placenta grudados à criança nos primeiros dias de vida até quando o cordão se descata sozinho. Com estas modalidades se quer favorecer ao máximo a adaptação da criança ao mundo fora da matriz e o primeiro vínculo com a mãe, respeitando os tempos individuais.
*** Enquanto para alguns povos, como aquele chinês e vietnamita, é ainda usado o costume de cozinhar e comer a placenta após o parto, nas sociedades ocidentais isto provoca desgosto. Nos anos Noventa todavia nos Estados Unidos e na Grã Bretanha este antigo uso foi retomado por algumas famílias. Dada o alto valor terapêutico da placenta, estão de qualquer forma se difundindo modos para seu uso após o parto. (veja também: C. Enning, 2005 e “D&D” n. 36, Março de 2002).
**** C. Lombardo, advogado, Firenze, “D&D”, n. 48, Março de 2005.

Tradução por Adriana Tanese Nogueira�
Fonte: Amigas do Parto

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