22 de set de 2016

AS DEUSAS GREGAS E A MULHER

ARQUÉTIPOS... UM ESTUDO REVELADOR...
(por Ana Paula Andrade, set. 2015)

Desde 1996 tenho me dedicado a estudar e observar os arquétipos das deusas gregas, tão presentes na psique feminina. E é interessante perceber o quanto tais arquétipos regem e/ou condicionam o comportamento das mulheres, principalmente quando não são compreendidos por elas mesmas.


As imagens arquetípicas fazem parte de nosso legado humano coletivo, elas são “familiares”. E os mitos gregos são contados e recontados porque os deuses e as deusas nos dizem as verdades sobre a natureza humana. Eles expõem luz e sombra. Todo arquétipo está associado a certos dons e determinados problemas possíveis. Toda deusa mitológica tem sua luz e sua sombra.
Luz e sombra são partes essenciais da criação, os dois princípios básicos, igualmente poderosos. Nenhum princípio é “melhor” ou “mais forte” que o outro. Portanto, a sombra não é algo ruim. Mas se tratando de Inconsciente, na sombra o mal se esconde para não ser visto.
Talvez por este motivo, muitas pessoas se neguem a olhar para sua Sombra, com medo daquilo que poderão encontrar por lá (seus próprios demônios). Mas também muitas de nós deixamos esquecidos na sombra grandes potenciais e habilidades, bem como, instintos reprimidos.

Ao conhecer e identificar as múltiplas faces da Deusa através dos mitos e refletir sobre o feminino ainda fragmentado, pode-se (com dedicação e sem julgamentos) assumir primeiramente uma posição de escuta interna. Observar quem delas se sobressai mais que outras e desta forma identificar porque alguns setores da vida funcionam melhor que outros, e porque algumas relações são mais desafiadoras que outras.
Um exemplo prático é uma mulher Héstia com filhos: A casa sempre bagunçada, o agito das crianças, gritos e falta de tempo para meditar em sua casa, lhe causa extremo desconforto.
Uma mulher Artemis com filhos, vai encorajá-los a crescer. Ela não vê a hora que as crianças cresçam para fazerem projetos juntos, se tornarem independentes dela e ela ter de volta sua liberdade.
Uma mulher Hera com filhos talvez dispute com estes a atenção do marido, ou os afaste do pai.
Uma mulher Coré com filhos talvez seja tão imatura e insegura quanto eles. E se já estiver assumido a Perséfone, pode ser uma boa guia ou viver períodos de distanciamento, enquanto encontra-se mergulhada em seu mundo interno.
Uma mulher Atena vai resolver com muita praticidade, sem tanta emoção, o dia-a-dia da casa,  dos filhos, da família, do trabalho, estabelecendo uma organização e mantendo tudo bem “administrado”.
Uma mulher Deméter... Há, esta estará realizada com filhos. Principalmente enquanto estes estiverem sob sua guarda ou seu “teto”. Por outro lado, pode perder-se na dependência emocional e passar muito tempo tentando controlar a vida de seus filhos.

Todas as deusas estão contidas em nossa psique, o que acontece é que algumas estabeleceram residência mais na superfície, outras (por motivos que cabem à nossa história pessoal) ficaram mais recolhidas nas profundezas de nosso interior. Mas elas estão lá, prontas para serem invocadas ou convidadas à sua Dança.

Por vezes acontece de estarmos tão confortáveis dançando o passo que nos foi “ensinado”, que nos mantemos anos em determinada coreografia, sem conhecer de fato nosso próprio ritmo. Fomos condicionadas, niveladas, ajustadas, vestidas ou moldadas pela família, classe social, religião, experiências de vida, o que levou muitas de nós a uma distância considerável de afastamento de alguns arquétipos. Algumas destas faces da Deusa ficaram tão mal compreendidas (ou mal resolvidas) que as evitamos, as rejeitamos, criando com isto alguns conflitos, sejam internos ou externos.
Como ninguém gosta de ser rejeitado, nos deparamos com algumas dificuldades em determinadas áreas de nossa vida e séries de padrões que se repetem e começam a causar dor e sofrimento. Este é um sinal de um arquétipo buscando a superfície. O arquétipo sempre surge por uma necessidade. E a necessidade é sua! A vida nos presenteia com repetidas oportunidades de enfrentarmos o que tememos e tornarmo-nos conscientes de nosso potencial.

Mas também há outra característica, para qual precisamos dar atenção ou ter cuidado. Quando nos identificamos muito com certa deusa, podemos nos perder de nossa individualidade e tornar-se “possuída” por ela.

A deusa alquímica, que pode estabelecer com arte, beleza e criatividade, um diálogo amoroso entre todas as suas faces, é a tão famosa Afrodite, deusa do AMOR. Ela nos diz que não é possível alcançar a libertação se não soubermos amar cada parte de nosso Ser Mulher. Sem culpa, crítica e auto-julgamento, nos entregarmos a dança cósmica da Deusa Mãe, que é Uma e que se manifesta de diferentes formas, para ensinar suas filhas e orientar seu florescimento.
Ela nos convida ao prazer e nos atenta ao que nos dá prazer.
E o que lhe dá prazer? Criar os filhos, cozinhar, ler um livro, cuidar da casa, fazer da casa seu templo? Plantar, cuidar dos animais, fazer esporte? Dedicar-se aos estudos, à sua profissão, ou ao seu caminho espiritual? Ser esposa, prestar serviço à sociedade/comunidade, viajar sem hora para voltar, pintar, dançar, escrever poesias? Não há nada de errado em se ter prazer!
O importante é elaborar, criativamente e amorosamente, como você vai encaixar o prazer na sua vida, a partir de agora. Uma dica é evitar corresponder à estereótipos, deixar de se conformar com o que é esperado a seu respeito e fazer o que ama. Lembrando que o Amor nada impõe, sempre convida. Que o amor não aprisiona nem separa, ele sempre liberta!


Conhecer cada deusa arquetípica e seus mitos faz com que a mulher perceba mais de si, reconhecendo que cada face da Deusa são aspectos de si mesmo (qualidades e aspectos que podem ser melhorados).  Com isto, também fica mais fácil compreender a própria mãe, as outras mulheres e até mesmo os homens (todos trazem deuses e deusas na psique). Mas o ponto a se chegar não é somente conhece-las, é bailar em harmonia com elas. É quando as deusas cooperam e revezam no interior da mulher. Mas para chegar neste ponto a mulher terá de se posicionar, terá de dizer sim e não ou “agora não”, diante da insistência ou das exigências de qualquer deusa dominante.
O grande segredo para este bailado é desenvolver um ego observador, tornar-se consciente dos arquétipos, desenvolver uma escuta sensível para com estas vozes internas, aproveitar a energia inspiradora de cada deusa e tornar-se VOCÊ a regente desta grande orquestra. Desta forma, você desenvolve uma sinfonia de diferentes maneiras de olhar e pode com isso alcançar o “olhar de águia”, a Grande Visionária, que atende a Maestria Interna – Aquela que Sabe. Os arquétipos passam a ser seu Corpo de Baile e você: a Bailarina principal! A verdadeira protagonista da sua história!







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