26 de abr de 2011

E assim chegou Ariel - Relato de parto domiciliar


Dedico este post à esta família linda que a tão pouco conheço mas que já muito admiro (Costa, Nicole, Luan e Ariel), irmãos que tenho em Curitiba/PR.
Nicole querida, gratidão por compartilhar este momento mágico e tão íntimo de vocês, para que todas possamos crescer com sua experiência.
Ahooowww cabocla linda!
Beijo grande da sua irmã, Yawa Wanu.


Descobri que estava grávida durante as férias, em fevereiro. Estava em Belém, um lugar muito quente e úmido e comecei a me sentir mal diariamente... após alguns dias, tomei coragem e fiz o teste: POSITIVO. Era minha segunda gestação não planejada e decidi que não falaria para ninguém. Voltei para Curitiba e aos poucos fui contando, primeiro para os amigos mais próximos, familiares, mais amigos, até a notícia se espalhar.


Apesar do mal-estar nos primeiros meses e de levar alguns sustos com exames mal interpretados, tive uma gestação muito saudável. Sentia-me disposta, cheia de energia e bonita, muito bonita... diferente da primeira gestação, dessa vez não tive muito apetite, consegui me alimentar de forma balanceada e engordei exatos 10 kg. Emocionalmente, foi um período difícil, mas freqüentei as aulas de Yoga e Preparação para o parto do Aobä e sempre que possível, conversava bastante com a Talia e a Luciana, doulas queridas. E apesar das "turbulências", sempre mantive uma certeza: Ariel nasceria em casa!

Quando completei 36 semanas, por intermédio da Luciana e da Talia, conheci a equipe de enfermeiras que me acompanhariam: Adelita, Aline e Maria Rita. Foi uma longa busca até que elas aparecessem, mas chegaram no momento certo, não poderia ser melhor. Depois de um pré-natal "animado", freqüentando diversos médicos do convênio particular e do programa Mãe Curitibana, enfim conheci as pessoas certas e sabia que seria bem assistida.

As semanas se passaram de forma tranqüila, estava sendo monitorada pelas enfermeiras e nos dois pré-natais e tudo corria bem. Mas a dona Ansiedade estava a postos, incomodando diariamente e quando completei 38 semanas, comecei a achar que a coisa estava muito demorada! Marquei uma sessão terapêutica para destravar possíveis bloqueios à vinda do Ariel e depois disso, me sentia mais preparada.

No dia 23, virada da lua cheia, a Maria Rita esteve em casa e fizemos algumas manobras. Na mesma noite, fizemos uma meditação, eu e meu marido, preparando a chegada do Ariel. Senti que ele deu aquela "encaixadinha final", mas continuou quieto. Então marcamos uma nova visita para o dia 26, domingo, quando estariam presentes as enfermeiras e as doulas, para uma reunião final antes do parto. Eu já estava com 39 semanas e 3 dias...

Às 4h do dia 26, acordei sentindo um leve incomodo. Sabia o que estava acontecendo e num misto de alegria e medo, andei pela casa, meditei e rolei na cama até amanhecer. Às 6h, acordei o Junior: "é hoje, ele está chegando!". Ele me abraçou e perguntou se eu queria avisar a equipe; mas ainda era cedo, achei melhor esperar. Às 8h, comecei a cronometrar as contrações: estavam bem regulares e curtas, de 5 em 5 minutos, com menos de 30 segundos. Então liguei para a Maria Rita, expliquei a situação e falei que ligaria depois do almoço. Antes que o Ariel chegasse, ainda queria participar de um temascal em Campina Grande do Sul. Mas as contrações evoluíram e senti que seria mais prudente ficar em casa.

Junior e Luan saíram e sozinha, pude perceber melhor o trabalho de parto. Aspirei a casa, preparei o "ninho" no quarto dos meninos, perfumei tudo com óleo de laranja doce, me arrumei, acendi uma vela e comecei a meditar. A cada contração, sentia meu corpo se preparando para o tão sonhado momento... era lindo! Tudo estava acontecendo da forma mais perfeita, estava serena, em casa, sozinha, em silêncio e nesse momento senti que daria conta, que só dependia de mim e mais ninguém...

Aline ligou e em poucos minutos, já estava em casa. A essa altura, eu me sentia meio aérea, já com bastante dor e uma leve vontade de empurrar. Ela fez o toque e, para minha alegria, estava com dilatação total. Não sei em que momento aconteceu, mas quando me dei conta, Junior e Luan estavam sentados na cama, olhando, amorosamente me apoiando. Em volta de mim, Adelita, Aline, Luciana e Maria Rita. Estava em quatro apoios e respirava profundamente. Em algumas respirações, senti uma pressão interna, um estouro e minha roupa ficou toda molhada - era a bolsa! Que emoção! Aguardava ansiosa esse momento, que é maravilhoso, um sinal de que estamos quase lá. Respirava com a boca bem aberta, deixando o ar sair e criando forças para a próxima respiração. Já não tinha pudores de fazer barulho ou chamar a atenção dos vizinhos (mas depois me disseram que ninguém no prédio ouviu nada, ficaram surpresos de saber que tinha nascido em casa). Senti a cabecinha dele coroando, toquei seus cabelos. Mais um pouquinho, passou a cabeça. Esse momento é indescritível, único, magnífico! Lembro de ficar confusa ao tocar a cabeça: "será que é ele?"... Mais um pouquinho, força, concentração, respiração: NASCEU!!!

Às 12h48 – mais ou menos, pois ninguém olhou exatamente o horário – nasceu Ariel! Lindo, sereno, forte, com 49 cm e 3.610 kg, no seu quarto, na segurança e conforto de casa. Junto com ele, nasceu uma nova mulher, mais segura, mais determinada... As vezes, olho pra ele e nem acredito... foi – e continua sendo - tudo tão perfeito! Durante todo o processo, fomos respeitados em nossas vontades; tudo aconteceu de forma fluida, no nosso tempo. A presença tanto das enfermeiras quanto da Lu foi absolutamente discreta, um apoio e atenção na medida certa... Depois de algum tempo elas me ajudaram com a amamentação e hoje estamos em plena lua-de-leite!

Para mim, o parto é um momento de mergulho no ser, de conexão com o lado primitivo de ser mulher, com toda força e todo potencial que temos. A mulher que se permite essa experiência, jamais será a mesma... Acho importante dizer para as mulheres que por ventura leiam esse relato que o que importa não é saber que o PARTO DO ARIEL foi bem, mas saber que TODOS PODEM SER IGUALMENTE BEM-SUCEDIDOS.

Médico algum me apoiou na decisão de ter um parto domiciliar; ninguém me autorizou a fazer isso ou garantiu que daria certo. Eu apenas sabia que poderia tentar e tentando teria grandes chances de conseguir! É preciso uma grande dose de confiança e um "filtro" nos ouvidos para não cair nas armadilhas de exames mal-feitos, comentários médicos tendenciosos ou o alarde que as pessoas fazem... mas diariamente mulheres como eu e você dão ä luz da maneira como escolheram, assumindo a responsabilidade por seu corpo e por esse processo tão lindo e transformador que é o parto!
http://naturoterapeuta.blogspot.com


Um comentário:

Sabrina disse...

Linda demais sua história...fiquei muito emocionada..a natureza é perfeita demais!
Tudo de bom pra vc e pro seu pikuxinho que chegou!
Bjus

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