Mostrando postagens com marcador Parto Natural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parto Natural. Mostrar todas as postagens

12 de dez de 2008

O Parto Ativo

O conceito de Parto Ativo foi desenvolvido pela educadora perinatal Janet Balaskas, na Inglaterra. Parto Ativo significa que a mulher é quem faz o seu bebê nascer. Não é o médico quem faz o parto. Não é a parteira quem faz o parto. É a mulher, seu corpo, sua mente e sua alma. Claro que não existe Parto Ativo sem uma equipe que aceite neutralizar sua participação em favor do protagonismo da gestante. Portanto para um parto verdadeiramente ativo é necessário uma mulher ativa, um acompanhante (o pai do bebê ou outro por ela escolhido), um bebê e alguém que fique ao lado apenas verificando se tudo está bem, sem intervir no processo natural do nascimento.
O corpo da mulher já vem preparado para o parto, e até mesmo mulheres em coma conseguem ter partos normais. Sedentárias, ginastas, ativas, magras, gordas, altas ou magras, todas as mulheres têm a capacidade inata de permitir que o bebê viva, se desenvolva e nasça através de seu corpo. No entanto o parto é um processo dinâmico, no qual o bebê faz uma série de movimentos através da pelve, até que possa sair para a luz. Ele desce, insinua seu crânio pela bacia pélvica, dobra o pescoço, gira, colabora. Enquanto isso a mãe se move, anda, muda de posição, pende apoiada pelo companheiro, acocora, deita. Como quando tentamos tirar um anel justo do dedo, só o movimento é que permite que um deslize ao redor do outro.
Se permitimos que a mulher adote todas as posições que lhe parecem confortáveis, se possibilitamos a liberdade de movimento e ações, se o ambiente do parto for propício para essa liberdade, mãe e bebê encontrarão a fórmula para a travessia que eles têm que fazer. Por isso é fundamental que no ambiente do parto sejam oferecidos os elementos fundamentais para um parto ativo:

- Privacidade: se a mulher não tiver privacidade, ela fica tolhida em sua liberdade e deixa de se movimentar de acordo com sua vontade.
- Opções à cama: deitar é em geral a última coisa que uma mulher quer fazer em trabalho de parto, de forma que ela precisa ter opções como a bola suíça, cavalinho, banqueta de parto, almofadas, cadeira, poltrona, etc...
- Equipe: é importante que as mulheres sejam acompanhadas por pessoas que estejam acostumadas ao conceito de parto ativo, como as doulas, enfermeiras obstetras e médicos obstetras motivados e seguros em relação ao parto natural.
- Recursos não farmacológicos para a dor do parto: sendo o parto um processo lento e muitas vezes doloroso (especialmente no pico das contrações), é fundamental que a mulher possa ter à mão os recursos para lidar com essa dor, como chuveiro, banheira, bolsa de água quente, chás e o que mais for possível dentro do contexto.
- Prioridade para o parto natural: para que a mulher se sinta no controle da situação, ela precisa vivenciar o processo da forma como a natureza propôs, ou seja, sem o artifício do jejum, da ruptura artificial da bolsa das águas, do uso de soro com hormônio (ocitocina), forças dirigidas, etc...



Dentro dessa filosofia de atenção ao parto, os procedimentos médicos são destinados apenas às situações especiais, que não deveriam superar uma pequena porcentagem do total de mulheres saudáveis. O parto sempre será um processo normal e natural, para o qual as mulheres continuam estando preparadas, independente de não lavarem mais roupas à beira do rio acocoradas. Basta que deixemos as grávidas em paz e que lhes ofereçamos o mínimo necessário para o conforto, e elas saberão o que fazer.
Se você está grávida e deseja ter um Parto Ativo, leia, pesquise, pergunte, questione seu médico, questione a maternidade onde vai ter seu bebê, faça um plano de parto, procure um grupo de apoio, faça seu acompanhante entender a importância desse processo para você e seu bebê. Não entregue o seu corpo, seu bebê e seu parto nas mãos de outros. Eles lhe pertencem.

Ana Cristina Duarte
Doula e Educadora Perinatal
Parto do Princípio – Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa

Parto Orgásmico

Mulheres, tomem o parto devolta para si!

Minhas queridas,

Já tinha algum conhecimento sobre parto humanizado e defendia a causa, mas ontem, assisti o documentário Parto Orgásmico (Orgasmic Birth), de Debra Pascali-Bonaro, INCRÍVEL, o melhor de tudo que já assisti. Emocionante, intenso, visceral... quem tiver oportunidade, não deixe de estar presente!

Penso que este é um assunto importantíssimo de estarmos resgatando nos Círculos Femininos. Como diz Ricardo Jones, o parto é o momento do 'imprint', fica impregnado no indivíduo que nasce, as sensações do momento. O ambiente acolhedor, a atmosfera de amor, a sensação de ninho, de pertencimento, é indispensável neste momento tão frágil da natureza humana. A presença do toque, de carícias, de beijos... a participação do pai, do companheiro e/ou de pessoas com quem a mãe tem vínculos afetivos, contribuem para a construção desta atmosfera.

Na minha visão, parir por seu próprio esforço é o empoderamento da mulher. Como nos diz Michel Odent, "para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer", convido aquelas que desconhecem o assunto a tomarem conhecimento daquilo que é urgente para o aceleramento do movimento que já estamos fazendo.

Ricardo Herbert Jones é médico obstetra e homeopata. É brasileiro e trabalha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Escreveu o livro «Memórias do Homem de Vidro», em 2004, sobre o seu processo de mudança na forma como encarava e assistia o parto.
Mais do que um defensor da humanização do parto, em teoria e na prática, é um ativista nesse movimento. Participa em congressos e workshops e faz palestras em todo o mundo.
Trabalha numa equipa da qual fazem parte uma parteira e uma doula. Muitos dos partos que acompanha acontecem em casa, mas continua a trabalhar também em meio hospitalar. Faz parte da Humpar (Associação Portuguesa pela Humanização do Parto). Abaixo, adiciono artigo de Ricardo, se deliciem minhas irmãs, mães e filhas.
By Ana Paula Andrade

Parto orgásmico não só é possível como é muito mais comum do que parece. O debate pode ser recente, mas a possibilidade de se encarar o parto como um evento pleno de prazer é tão antiga quanto a própria humanidade. É importante definir o que é «parto orgásmico», e para tanto começo por explicar o que ele não é.

Parto orgásmico não é uma técnica ou um método. Parto orgásmico não é uma moda, uma «new fashion», uma onda. Parto orgásmico não é um produto, algo que se compra ou adquire. Parto orgásmico é um mergulho profundo no ser feminino. É a descoberta do prazer de parir; o segredo mais bem guardado, no dizer da parteira americana Ina May Gaskin. É uma possibilidade para qualquer mulher desde que possa despir-se das capas de medo criadas pela cultura patriarcal que tenta dominar a força criativa da mulher, culpabilizando-lhe o prazer e domesticando o feminino.
As conquistas recentes neste campo abriram as portas para a discussão da sexualidade da «nova mulher pós-pílula» e, como conseqüência, emergiu o debate do parto como parte da vida sexual de qualquer mulher. A partir deste momento, em meados dos anos 80, inúmeros investigadores se entregaram ao estudo das características psicológicas, afetivas, emocionais e hormonais relativas ao nascimento e se depararam com constatações no mínimo inquietantes: havia uma similaridade impressionante entre parto e atividade sexual em todos os aspectos analisados. A mesma perda cognitiva, o mesmo apagamento neocortical, a mesma necessidade de privacidade, a mesma confluência circulatória para os genitais e as mesmas hormonas envolvidas.
A ocitocina surgia como a hormona chave para a compreensão do fenómeno do parto. Michel Odent, médico francês radicado em Londres chama-lhe «a hormona do amor», porque está presente sempre que um momento amoroso se expressa, como no parto e no encontro sexual. Além disso, a sua hormona oposta, a adrenalina, fundamental para o orgasmo, é a mesma implicada no reflexo de ejeção do bebé. Fácil fica, para qualquer observador perspicaz, perceber que existe um claro paralelismo entre os eventos do parto e os do sexo, fazendo-nos enxergar pela primeira vez o nascimento inserido nas forças sexuais de uma mulher.

Mais do que um evento biológico

Mas tão logo percebemos a sexualidade escondida por detrás dos eventos que cercavam o nascimento, ficou-nos claro que as repercussões desta «nova» visão do nascimento só poderiam ser dramáticas. Já não seria possível encarar o parto como um evento biológico, artificialmente controlado em função das variáveis mecanicistas que são ensinadas na escola médica: feto, percurso e força contrátil. Haveria que se modificar totalmente a percepção do evento que passaria dos domínios do profano para o âmbito do sagrado. Através desta maneira radical de compreensão, tornava-se muito difícil continuar a entender o nascimento humano de uma forma mecanicista, pela evidência inequívoca de que a sexualidade extrapola claramente os limites da corporalidade.
Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas. Assim sendo, abria-se automaticamente uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia.
Passamos a entender também que a própria sensação dolorosa estava nitidamente ligada à maneira como tais mulheres «sentiam» o parto, na integralidade dos processos participantes. Elementos muito mais subtis (mas não menos poderosos) do que as células, tecidos e órgãos actuam durante a prática sexual e o trabalho de parto. Caberia a nós, assistentes do nascimento, descobrir onde estavam estas outras «forças ocultas» que, assim como no sexo, alojavam-se em um estrato diferente da nossa consciência superficial.
Desta forma, a sexualidade, o prazer e o orgasmo entravam no discurso de um pequeno grupo de profissionais que percebiam a possibilidade que as mulheres tinham de aceder a estas sensações desde que específicas condições ambientais pudessem ser criadas. Tais condições nada têm de complexas, dispendiosas ou caras: trata-se de oferecer-lhes dignidade, privacidade, cuidado respeitoso e carinho. Praticamente as mesmas necessidades que qualquer mulher procura para um encontro de amor.
O orgasmo durante o trabalho de parto pode ter um potente efeito relaxante para a mulher. Algumas mulheres que tiveram orgasmos durante o processo relatam que isso lhes ofereceu um input incrementado de ocitocina. Tal influxo hormonal produziu - aparte de uma profunda sensação de bem-estar - a normalização da contratilidade uterina.
Entretanto, um orgasmo durante o trabalho de parto não é algo que se busca; não pode ser o foco objectivo deste evento ou algo a ser conscientemente alcançado. Por outro lado, ele pode ocorrer naturalmente quando a mulher, livre dos preconceitos e liberta das amarras do modelo que criminaliza a sexualidade feminina, se permite sentir as sensações que seu próprio corpo lhe oferece.

Que diferença faz?

Mas qual a vantagem de ter um parto orgásmico? Que diferença positiva isso poderia produzir na vida de uma mulher ou de um bebé? A este questionamento pode-se responder com uma pergunta: qual a vantagem de uma relação sexual prazerosa, com quem se ama, e que termina com um orgasmo? Um parto orgásmico é essencialmente um direito que cada mulher possui, mas para que um parto com tal nível de arrebatamento sexual possa ocorrer é necessário que os profissionais que prestam assistência possam oferecer as condições para que tal ocorra.
Se entendermos que as condições para que um parto seja orgásmico são as mesmas para oferecer tranqüilidade e harmonia durante o trabalho de parto, estaremos oferecendo às parturientes uma diminuição do stress e da ansiedade, com uma consequente quebra do círculo adrenalínico de medo-tensão-dor, descrito há décadas por Grantly Dick-Read como o principal complicador do processo de nascimento.
O orgasmo durante o nascimento só pode ocorrer quando todas as variáveis de segurança, afeto, tranqüilidade e equilíbrio emocional estiverem garantidas. Desta forma, o orgasmo será a conseqüência deste ambiente de positividade, e não sua busca objectiva.

Pode aprender-se?

Fica claro para qualquer bom entendedor que este tema não se presta a realização de cursos e «workshops». Como dito anteriormente, parto orgásmico NÃO é uma técnica, um método ou uma moda para mulheres burguesas que podem pagar por uma experiência diferente. Parto orgásmico é uma evidência empírica presente na experiência de inúmeros «assistentes» de parto e milhares de mulheres.
A princípio tal questão assustou alguns profissionais, mas depois os instigou a se perguntar o «porquê» de algumas mulheres o atingirem, enquanto tantas outras apenas tratavam do parto como um evento cercado de medo e dor.
Portanto, não se trata de fazer «cursos para partos orgásmicos», da mesma forma que não se ensina a uma mulher, através de aulas teóricas ou cursos, como atingir um orgasmo. É algo de sua experiência íntima, pessoal, assim como de sua história de vida.

5 de nov de 2008

Cine-debate sobre o filme "Orgasmic Birth"

Cine-debate sobre o filme "Orgasmic Birth"

“Há um espaço dentro da nossa cultura para a intervenção médica. É por isso que os médicos são importantes na redução da mortalidade materna e na mortalidade pré-natal. Ao mesmo tempo, nós temos que honrar as tradições de milhões de mulheres ao redor do mundo e através da história. Mulheres têm o poder interior e a sabedoria interior para dar à luz. Mulheres que estão parindo, confiem em vocês mesmas. Acreditem no seu poder interior. Acreditem na sua habilidade de dar vida. Isso é algo absolutamente sagrado e está no interior de todas as mulheres do mundo. Um médico, uma enfermeira, e todas as parteiras no mundo são pessoas que não estão na posição de ensinar a mulher como parir um bebê, mas de facilitar para ela fazer o que ela já sabe como fazer.”
Este é o depoimento do obstetra brasileiro Ricardo Jones no filme “Parto Orgásmico: o segredo mais bem guardado” (Orgasmic Birth, 2008), um documentário sobre a natureza íntima do nascimento e sobre a importância deste processo para a mulher e para a criança. Diversas parturientes, e profissionais da área de saúde compartilham no filme a sua experiência no trabalho de re-humanização dos partos, na jornada de auto-descoberta, e nas análises desta questão. “O documentário revela que o nascimento é algo que uma mulher pode desfrutar, em vez de enfrentar”, conclamam os produtores da obra no site www.orgasmicbirth.com.
A Unipaz-Sul está convidando uma equipe da rede de apoio à maternidade ativa “Parto do Princípio” – www.partodoprincipio.com.br –, e o doutor Ricardo Jones, para um cine-debate sobre o filme “Parto Orgásmico”. O encontro ocorrerá no auditório da Unipaz-Sul – sala Orquídea – nos dias 17 de novembro, segunda, entre às 19h30 e às 22h, e 11 de dezembro, quinta, entre às 19h30 e às 22h.
A equipe de organização da atividade, composta por Neusa Jones, Maria José Goulart e Alessandra Krause, da rede Parto do Princípio, o dr. Ricardo Jones, entrevistado no filme, e Lúcia D. Torres, coordenadora Acadêmica da Unipaz-Sul e mentora do Programa Tendas e Clãs do Sul, abrem o evento com uma breve apresentação do encontro. Em seguida, exibiremos o documentário, e, após alguns minutos de intervalo, abriremos espaço para as perguntas e partilhas entre os presentes.
Os convites para o cine-debate custam R$ 10,00, e estão à disposição na secretaria da Unipaz-Sul até às 18h do dia de cada exibição do filme. Estaremos recebendo 65 (sessenta e cinco) convidados em cada sessão, e garantimos assento para as 45 (quarenta e cinco) pessoas que adquirirem os ingressos antecipadamente. Para os que comprarem o convite na hora de início da apresentação do filme, disponibilizaremos almofadas e colchonetes para os participantes poderem acomodar-se no chão.
Ingressos e informações para a aquisição de convites:
Unipaz-Sul
Rua Miguel Couto, 237 – Menino Deus - Porto Alegre/RS.
Telefones: 51 3232-5590, 51 3232-5591.
Endereço de correio eletrônico: unipazsul@unipazsul.org.br.
Há também ingressos à disposição com a equipe da rede Parto do Princípio:
Rua Annes Dias, 154/sl. 1504 – Centro - Porto Alegre/RS.
Telefone: (51) 3228-3612.
Informações sobre o documentário:
A diretora do filme é Debra Pascali Bonaro, educadora, orientadora de cursos de doula – acompanhamento pré e pós-natal de gestantes e de casais -, e organizadora de um programa comunitário de doula nos Estados Unidos. A estréia do documentário ocorreu na quinta conferência anual “World Respected Childbirth Week”, em Praga na República Tcheca, em 16 de maio de 2008. Desde então o filme está em exibição pelos Estados Unidos, Europa, México, Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Taiwan, e Israel.
“Parto Orgásmico tem 87 minutos de duração e o DVD do filme, à venda no site www.orgasmicbirth.com traz as legendas em Francês, Alemão, Espanhol e Português. Síntese do evento Cine-debate sobre o filme "Parto Orgásmico"
Local: Auditório da Unipaz-Sul – Sala Orquídea
Datas: 17 de novembro de 2008, segunda
11 de dezembro de 2008, quinta
Horário: das 19h30 às 22h – com pausa para café
Endereço: Rua Miguel Couto, 237 – Menino Deus - Porto Alegre/RS
Informações: Secretaria da Unipaz-Sul
Fones: (51) 3232-5590; (51) 3232-5591
Co-organização e apoio: Movimento Guardiães do Amanhã e Rede Parto do Princípio
Se algum artigo neste blog estiver como "autoria desconhecida" e você souber informar, agradecemos e faremos a devida correção. Solicitamos também que, ao ser extraída qualquer informação desta página, seja adicionada à devida autoria ou endereço:
http://clafilhasdalua.blogspot.com/