3 de mar. de 2011

Chegada do Gui nesta Terrinha



Olá queridas, venho até aqui compartilhar com vocês o nascimento do Gui, filhote da nossa irmã Jaque. A bolsa da Jaque estourou na madrugada do dia 19 de fevereiro, com uma linda lua cheia no céu... Cantei cantei para avó lua, me banhei bastante no seu brilho e recebi a notícia - "O Gui está chegando"... após 9 horas de trabalho de parto, assistindo a Jaque firme e forte entre caminhadas, reboladas, duchas, respirações, contrações, massagens... o pequeno Gui nasceu de cesárea, quando o Sol estava alto no céu.

Bem vindo Guilherme, que São Miguel Arcanjo ilumine sua linda VIDA!



Ana Andrade
Doula

Círculos Sagrado de Visões Femininas - Lua Nova março 2011


"Mulheres em círculo para honrar seus ciclos;
avançando fronteiras e tecendo redes".

Este é o convite, esta é a celebração...
Venha celebrar e honrar a energia feminina!!!

Mulheres re-unidas em círculo na primeira noite de lua nova de março, dia 04, 6a-feira, véspera de feriadão de carnaval, às 20h!!!

Em Porto Alegre, estamos re-unidas no Espaço Rapa Nuy, a partir das 19h30!!!
Fechamos o portão e iniciamos o Encontro pontualmente às 20h, colabore com a harmonia e a sintonia.
Quem estará ancorando este Círculo de março será a querida Diovana, estarei em Retiro apoiando a Busca de Visão de meu companheiro e de outros irmãos, mas estarei de coração com vocês no Círculo.

Amorosamente,
Ana Paula Andrade
(guardiã do CSVF em Porto Alegre/RS)

Local: Espaço Rapa Nuy
Rua Delfino Riet, 116 - Santo Antônio - Porto Alegre/RS.
(Rua do Canal 10 da Band, ônibus Caldre Fião ou lotação Canal 10)
http://erapanuy.blogspot.com
Contribuição: R$ 10,00 + frutas, sucos ou lanches naturais para compartilhar.
Sugestão: venham vestidas na energia feminina, com vestido ou saia.


O Espaço aceita doação de almofadas,
ou para maior conforto, traga a sua para o Círculo.

Por favor, confirmar presença!!!
Email: clafilhasdalua@gmail.com
Fone: (51) 98210643 / 32352124



Encontros simultâneos e sincrônicos em diversas cidades!!!

Procure no blog o Círculo mais próximo para participar:
http://circulosagradodevisoesfemininas.blogspot.com

"Porquê a criatividade na autenticidade é a medicina que me alimenta e sustenta!"
(Sabrina Alves)


Aquele que transforma o veneno em nectar

Já estamos sob a influencia do Mahashivaratri, noite em que a lua perde a influencia sobre a mente, uma oportunidade de experienciar a consciência cósmica de Shiva.

Nesta noite, fica mais facil a uniao do sagrado masculino com o sagrado feminino dentro de nós.
E uma noite onde a divindade manifesta sua maxima compaixao, ela se manifesta ... na forma de SHIVA LINGAM, que é a forma mais pura de Deus. Que representa o eterno, o infinito. Muitos olham para fora e comemoram o casamento de Shiva e Parvati, mas isso é um fenômeno que ocorre nos mundos internos. O masculino e o feminino que se unem devido a quietude da mente.
Shiva representa a morte do desejo, somente quando você se livra do desejo, você consegue manifestar o puro amor. Shiva representa a destruição da ignorancia, e aquele que venceu a morte e domina a força vital. Por isso ele vive nos cemiterios e crematórios, cheio de cinzas que representa a aniquilação dos desejos.
A lua nova na cabeça representa o domínio sobre a mente. As serpentes que adornam seu corpo representam o domínio sobre as correntes vitais. E aquele que consegue segurar o veneno na garganta impedindo o holocausto.
Aquele que transforma o veneno em nectar. A morte em Imortalidade, a escuridão em luz. Enato vamos dar passagem a esse aspecto glorioso do nosso ser!

Vamos cantar Om Namah Shivaya!

Elaine Simioni

1 de mar. de 2011

Clã das 9 Luas - Porto Alegre/RS


Clique na imagem para ampliar

Maiores informações com Amanda: (51) 85785707

5 de fev. de 2011

Método de Ovulação Billings

Ensinando o Método de Ovulação Billings

A Correlação dos Eventos Fisiológicos do Ciclo Reprodutivo Feminino com Observações Feitas na Vulva
Dr E.L.Billings AM, MBBS, DCH (Lond.)

Veja aqui:
Organização Mundial do Método de Ovulação Billings

Do Apartamento para a Mata Atlântica

por CRISTINA CAVASOTTO

O que uma garota da cidade pôde aprender vivendo na mata

Decidida a saber como era a viver na Mata, em 2003 encontro uma casinha em meio a mata atlântica, faço as malas e vou. Essa experiência mudou a forma de ver a vida e de me relacionar com tudo que me cerca. Por dois anos vivi sozinha e pude aprender com o lugar,
que nenhum animal silvestre lhe faz mal se você entendê-lo. 

Em cada vão das tábuas centenárias da casa, havia uma aranha diferente e acabei por me acostumar a tomar banho com uma espécie de aranha e a dormir olhando para as armadeiras no teto, que faziam
gentilmente o controle biológico de pernilongos da casa. 

Aprendi com um cavalo picadopor abelhas, que toda e qualquer erva, chamada erroneamente por nós de "daninha", tem uma função. Observei-o indo em busca de um capim específico, utilizado em casos de insuficiência renal. 

Aprendi que onde há cobras não há ratos, onde há lagartos não
há cobras e que eles, adoram bananas. E na colheita de um cacho de banana, ao me cortar, entendi que a água do caule da bananeira é um poderoso cicatrizante. E ao ficar sentada nas pedras do rio, senti fisgadinhas na pele porque nos rios de água doce, tem camarão;
e os lambaris também se acostumam com sua presença. 

Descobri porque os animais vão para mata quando tem tempestade a vista: é o local onde a chuva demora para atingí-los, sua
força e temperatura são minimizadas pelo calor da vegetação e das árvores. Fiquei na mata numa tempestade de verão, de olhos fechados para sentir. Pude comprovar que na mata,ventania não entra. Lá era mais quente, que fora. 

Constatei que o sistema de vida da mata é exuberantemente abundante e só passa necessidade quem não aprende com ele. E que nós brasileiros somos privilegiados e não temos a dimensão da riqueza desses habitats.

Nessas vivências, passei a ver cada planta, cada inseto e cada elemento, como parte de um SISTEMA INTELIGENTE, uma grande e sagrada família chamada VIDA.

Minha experiência com parto

Queridas, esta partilha brotou de nossa irmã Adriana, que esteve no Círculo Sagrado de Visões Femininas na lua nova de fev/2011.

MINHA EXPERIÊNCIA COM PARTO
       
                Querida Aninha,
       Quero dar meu depoimento, após conseguir organizar meus sentimentos...
 
       O CSVF de ontem foi magnífico, fiquei emocionada de um modo como nunca havia sentido antes. Tive que vencer uma grande resistência interna para chegar lá, desde perder as duas conduções que me transportaria, até o desejo constante de fugir, sair correndo no meio de tudo. Meu corpo doía e meu ventre superaqueceu. Realmente coisas muito poderosas foram trabalhadas.
        A presenças das três irmãs grávidas, e mais a pequena Cecília foram uma grande benção da Mãe para todas nós. Ela nos deu a possibilidade de Ver através do espelho/ventre de nossas queridas companheiras de Círculo.  Tudo girou em torno da maternidade, inclusive sentei-me ao lado da Lu, que me contou de seus planos de engravidar este ano... Mas que conspiração!
         Mas somente agora é que pude compreender o porquê da minha resistência. Eu de antemão presenti que jamais sairia deste Círculo intacta, me despedacei e me juntei, numa nova forma, um novo caminho.
         Recordei de mim, de minhas gestações e me curei de minhas dores e mágoas no meu Ser-Mãe.  Gestei duas crianças no breve período de dois anos e três meses. Foi uma dura tarefa. Por querer fazer as coisas de uma maneira "diferente", embora nem ao menos soubesse bem como fazer, mais uma vez, me isolei para não ser influenciada pela corrente do que é "normal" fazer no parto. Não agüentava a expressão misto de dor, pena e medo que via nas mulheres de minha família ao receber a notícia de minha gravidez. Eu mesma, sempre afirmei que jamais seria mãe. Com todos estes programas negativos, eu precisei de uma grande dose de coragem para mudar. O período que anteceu a gravidez englobou mudanças alimentares e inclusive de parada no consumo de cigarros. Para coroar a fase, após organismo estar limpo, engravidei. Senti necessidade de ajuda, mas não confiava nos médicos e sua teoria limitada, então, mas me instrui e me fortaleci com o livro do maravilhoso médico argentino, Domingo Constanti, Parto Sem Dor,  e o tornei meu guia, meu porto-seguro. Ele afirmava que as mulheres eram completamente preparadas para terem seus filhos de modo natural, e ele, médico de família, relatava sua experiência de percorrer o interior da Argentina, realizando partos em casa, por aproximadamente dez anos, e neste período, o número de cesarianas realizadas foi ínfimo, umas duas se bem me recordo.
         Então, quando chegou a hora de meu primeiro filho nascer, todos na minha casa corriam de um lado para o outro e eu não compreendia a aflição deles. Internamente eu estava pronta para sair e eu queria ir sozinha... Sentia que poderia realizar o nascimento de meu filho, somente eu e ele, como nossas ancestrais o fizeram, sozinhas na floresta. Desta maneira, consegui ser forte e ir para a sala de parto sem ter sentido as dores que minhas companheiras de hospital estavam sentindo.  Eu respirava tranqüilamente, nada de respiração "cachorrinho", e andava de um lado para outro, fluindo com cada contração que eu tinha, o corpo livre, na onda que empurravava meu filho para fora. Quando ele desceu do útero para o canal vaginal, as enfermeiras não queriam me levar para a sala de parto, porque achavam que ainda não era a hora, eu estava "sem sintomas".  De tanto eu insistir, foram verificar e puderam enxergar a cabeça dele prestes a sair. Como fiz o parto pelo SUS, não consegui evitar que me fizessem a episeotomia, embora soubesse que não era necessária.
         Meu segundo parto, foi uma cesariana de emergência. Se não fosse o fato de eu ter vivido a segunda gestação em situação de angústia por situações alheias à gravidez, tenho certeza que minha filha teria se beneficiado de um parto normal também, pois, no momento da cesariana, que aconteceu decorrente do descolamento da placenta, eu já estava com a dilatação necessária, e tudo isto, novamente sem dor. Mas mesmo esta  cirurgia, que salvou a vida da minha filha, fora-me avisada na noite anterior, numa intuição. Então, procurei aceitá-la e não criar resistências, porque o mais importante era ter minha filha comigo.
          A recuperação de uma cesariana é muito complexa, fiquei privada de oferecer meu amor e meu calor para minha pequena criança pois precisei ficar em recuperação, absolutamente deitada. Mas busquei meu poder de mãe e assim que consegui andar fui até o berçário e busquei eu mesma meu bebê. Só que assim que retornei para casa e que passaram os efeitos dos analgésicos que me aplicavam no hospital, a dor que senti foi inacreditável. Não consigo, pela minha experiência, compreender a preferência pela cesariana! Recuperação muito demorada, três meses... E tanta dor...
         Hoje, então, ensagem para as irmãs é que lutem pela maternidade, porque mesmo com possibilidades limitadas, como as minhas na época, posso afirmar que fui totalmente atuante no nascimento de meus dois filhos. Todas podemos ser de algum modo. Basta que confiemos em nosso corpo e na sabedoria dele. Se tivermos esta convicção, a orientação que eventualmente precisarmos, se apresentará. Saberemos o caminho, sem medo dos fantasmas, que a medicina tenta incutir em nós, eles são ilusões de poder de um mundo que vê as coisas por uma ótica masculina distorcida.
          Somos mulheres e somos nossa própria medicina.
 
          Bjos
          Adri

4 de fev. de 2011

Maternando as mamães na lua nova

Mamãe Lu, Cecília baby-círculo e tia Ana orgulhosa, rsrsrs.

e logo logo + dois pimpolhos... ai, tô me sentindo uma nona, hahaha.
Pilar e Jaque

Eeeeita quanta bênção... mais um encontro de mulheres na lua nova e entre nós a Deusa Mãe... manifestada em três lindas mulheres, carrengando em seus ventres a semente do Amor, a Criança Divina.
Recebemos a graça de poder celebrar a vida abençoando a vida nos ventres de nossas irmãs - Jaque, Pilar e Luciana -


"Posso sentir teu corpo Mãe, posso sentir teu ventre Mãe, gerando vida... Conceber, dar e receber... tudo é um gerar, Ser... Semear o amanhã em um ciclo do eterno viver. Águas que seguem para o mar, mar de amor e criação O planeta a girar, completar a missão. Salve o filho, mamãe canta pra você" (Canção de Kalinne Ribeiro)

E por falar em cantar... olha quem dançou conosco...

a pequena Cecília... que fofa...
já dançou bastante no círculo dentro da barriga da mamãe Lu,
agora ela dança no sling, hehehe.

Estava tão gostosa e comprida a dança que ela tirou uma sonequinha, hahahaha.


Até bolo com velinhas teve...

...e quem estava ficando velhinha era a Daia, kikikiki...
Grande mulher

Já disse que admiro sua força no intento da auto-transformação!

Aí estão elas...


Gratidão ao Universo por ser parte deste Serviço,
por me curar curando a outra!
Salve avó Lua!!!!

26 de jan. de 2011

Reiki Xamânico nível I - Fevereiro de 2011

 Para quem perdeu a oportunidade em janeiro, estamos abrindo nova turma em fevereiro - apenas 8 vagas.
De acordo com nossa agenda haverão níveis II e III em 2011.
Não temos perspectiva de repetir o nível I este ano.
APROVEITEM!!!

DANÇAR O FEMININO - Karenn Fujimatsu em Porto Alegre/RS

25 de jan. de 2011

Espelho da Lua - Março 2011

Olá queridas, passo para estender este convite a todas... esta vivência é muito linda e TRANSFORMADORA... foi a partir deste conhecimento que DESPERTEI na busca de um Feminino mais INTEGRADO.
O ESPELHO DA LUA é uma vivência intensa que revela 7 arquétipos de Deusas Gregas, com horas de práticas e horas de estudo... tudo realizado num local encantador e num ambiente acolhedor. A teoria é transmitida de forma descontraída e participativa, pois todas no íntimo já estivemos diante destas Deusas.

Veja fotos dos Espelhos anteriores:
Verão 2010
Primavera 2010


Curso de Shantala

Queridas mamães, vovós, dindinhas, papais... mulheres do meu Brasil varonil... divulgo com bastante antecedência para que se organizem e não percam este curso.

"Ser levados, embalados, acariciados e massageados, constitui para os bebês alimento tão indispensável senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas” (Frederick Leboyer)

Clique na imagem para ampliar.

24 de jan. de 2011

Canções para Yemanjá

Queridas, não percam... a Karine com sua voz maravilhosa e meu amado Rafa na percussão.
Salve mamãe Yemanjá!

Bjos Ana Andrade

É lindo acompanhar o crescimento...

... o desabrochar das flores...
Mais um curso de Reiki Xamânico nível I - O CAMINHO DO CORAÇÃO.

Este curso traz a transformação... não importa quanto tempo você determine para isto... 15 segundos, 15 horas, 15 dias, 15 meses ou 15 anos... ela chega... a semente está no seu coração!












Voaremos como águias, bem alto no céu,
circulando o Universo...
meu corpo é de Luz...

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre recomeçando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo...

Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

(Fernando Pessoa)

Curso ministrado por: Ana Paula Andrade e Rafael Dusik
Clã Filhas da Lua e Clã Lobos do Sul
14, 15 e 16 de janeiro de 2011 no Espaço Rapa Nuy, Porto Alegre/RS.

Leve este curso para sua cidade:
(51) 98210643
clafilhasdalua@gmail.com

23 de jan. de 2011

“Eu fiz o parto do meu filho, não o médico”

A luta de uma mulher para conseguir um parto natural nos dias de hoje.

por Eliane Brum - Revista Época


Sempre quis entender por que uma mulher prefere passar por uma cirurgia que exige um corte transversal de 10 a 15 centímetros e atravessa sete camadas de tecido do que ajudar seu filho a nascer da forma mais natural. Segundo a Organização Mundial da Saúde, apenas 15% dos partos têm indicação de cesariana. Mas, no Brasil, oito de cada 10 partos na rede privada são cirúrgicos. E, assim, os bebês brasileiros cujas mães têm plano de saúde nascem em horário comercial e o que era natural virou exceção. Por quê? E para o benefício de quem?

Já ouvi dezenas de vezes a justificativa de que a cesariana “é mais prática, cômoda e indolor”. Prática, cômoda e indolor para quem? Talvez seja mais prática, cômoda e indolor para o médico, que não vai ser acordado no meio da noite nem ter de desmarcar compromissos e consultas para acompanhar um processo natural durante horas. Mas, para a mulher, os fatos provam que não. Ainda que o parto natural leve mais tempo, assim que a criança nasce não há mais dor. Já a recuperação da cesariana pode levar semanas e até meses, quando tudo dá certo. Sem contar os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte. Há poucos dias, ao visitar uma amiga que acabou de ter seu segundo filho por cesariana, ela me disse: “A dor que senti ao tentar levantar depois da cesárea foi muito maior do que todas as dores do parto natural do meu primeiro filho. Não entendo como alguém pode achar que isso é melhor”.

Também já perguntei a alguns obstetras por que fazem tantas cesarianas. E a resposta de todos foi: “Porque nenhuma das minhas pacientes quer ter parto natural”. Será? Sempre desconfiei que parte dos médicos não sabe fazer parto natural. E, além de ser mais prático para eles, escolhem a cesariana porque também têm medo. Em uma reportagem sobre mortalidade materna publicada na Época em 2008, o obstetra Nelson Sass, professor da USP, afirmava exatamente isso: “Os estudantes de Medicina das melhores faculdades quase não têm contato com parto natural. É uma deformação das escolas. Como os casos mais complicados são encaminhados aos hospitais universitários e resolvidos com cesáreas, os alunos não treinam o parto natural”.

Este obstetra, que não foi treinado para o mais fácil e mais natural, vai convencer aquela gestante que, no caso dela, uma cesariana é a melhor opção. Quando uma mulher está com um filho na barriga e um médico diz que é necessário cortá-la para que ele saia, dificilmente ela vai desafiar a autoridade do médico e contestá-lo. Se o médico diz que é mais seguro, como ela vai discutir e correr o risco de comprometer a vida do seu filho? Nesses casos, mesmo mães que desejaram e se prepararam para um parto natural recuam diante da autoridade daquele que sabe. Mas, às vezes, aquele que sabe só tem medo. Ou, pior, tem um compromisso social em seguida ou apenas quer ganhar mais.

Quando uma mulher engravida e a barriga começa a crescer, dá medo, às vezes até pânico, saber que aquele bebê que está dentro dela vai ter de sair. E é ela quem vai ajudá-lo nisso. E que esse processo inclui dor. É natural ter medo. Isso não significa que essa mulher não possa lidar com esse medo e com todas as fantasias a respeito desse momento e, mesmo assim, viver o que tem para viver. A maior fantasia – e a que mais atrapalha todas as mulheres – é justamente a ideia de que a maternidade é sagrada e só envolve bons sentimentos. Então, para ser uma boa mãe, supostamente uma mulher teria de achar tudo lindo e elevado.

Poucas crenças são mais perniciosas para as mulheres – e depois para os seus filhos – do que o mito da maternidade feliz. A escritora francesa Colette Audry disse uma frase genial sobre o que é um filho: “Uma nova pessoa que entrou na sua casa sem vir de fora”. Como não ter medo e sentimentos conflitantes a respeito de algo assim? Engravidar e parir dá medo mesmo. E uma mulher não vai amar menos aquele bebê por sentir pavor, raiva e sentimentos supostamente menos nobres – ou supostamente proibidos. Ao contrário. Ela pode ser uma pessoa pior e uma mãe pior se sufocar esses sentimentos em vez de aceitá-los e lidar com eles. O que também implica lidar com o medo da dor do parto e da responsabilidade de ajudar o filho a nascer. É claro que auxilia bastante encontrar um obstetra responsável que converse com ela sobre seus sentimentos – em vez de abrir a agenda para marcar a cesariana.

É por medo de viver e porque ninguém as ajuda a lidar com seus piores pesadelos que muitas mulheres preferem não sentir – literalmente – um dos momentos imperdíveis da vida que é o parto de um filho. Acredito que a saída para esse medo não é ser anestesiada e cortada em data previamente marcada. E, principalmente, sem necessidade. Como me disse uma grávida um dia: “Prefiro a cesariana porque aí não tenho de passar por isso. Eu fico ali, sem sentir nada, e de repente meu filho já está do lado de fora”. Essa mulher nunca soube o que perdeu, porque perdeu.

Hoje há um movimento forte em defesa do parto natural e há crianças nascendo em salas humanizadas de hospitais e mesmo dentro de casa nas grandes cidades, como São Paulo, enquanto lá fora o trânsito para e os carros buzinam. Existem grupos semanais onde as mulheres e também os homens podem falar abertamente sobre todos os medos e trocar experiências sobre parto e amamentação. E poder falar sobre isso e dizer que eventualmente está apavorada faz bem para todo mundo e também para o bebê que vai ter uma mãe que consegue falar de seus sentimentos. E falar do que sentimos e do que não sentimos, por pior que nos pareça sentir o que não queríamos sentir – ou não sentir o que achamos que deveríamos sentir –, nos ajuda a amar melhor.

Algumas ressalvas, porém. A luta pela volta do parto natural é um bom combate. Mas é preciso não cair no outro extremo e virar xiita, já que dogmas não fazem bem à vida. Às vezes percebo com pena esse traço em alguns movimentos que poderiam ser melhores se deixassem a soberba de lado. A cesariana é uma ótima saída nos casos em que é indicada e pode salvar a vida da mãe e do bebê. O problema não é optar por ela quando claramente é a melhor alternativa diante de uma complicação – e sim fazer a cirurgia sem necessidade, um comportamento epidêmico no Brasil.
Nenhuma mulher é menos mãe ou menos mulher porque não conseguiu ter um parto natural. Assim como nenhuma mulher é menos mulher porque decidiu que não quer ser mãe. Já testemunhei mães orgulhosas de seu parto natural esmagar com sua suposta superioridade uma outra que precisou de cesariana. Este é um comportamento lamentável, quando não ridículo. Nesses casos, além de ter sido submetida a uma cirurgia e estar cheia de dores e pontos, a mulher é punida porque não foi uma superfêmea. Como se ter de fazer uma cesariana fosse uma nova modalidade de fracasso. Superfêmeas, assim como supermães, para o bem da humanidade é melhor que não existam. As mulheres mais bacanas e as que possivelmente serão melhores mães são as que assumem seus medos e não punem o medo das outras. E compreendem que na vida, assim como no parto, a gente tenta fazer o melhor possível. E o melhor possível tem de ser o suficiente.

Para nos ajudar a pensar sobre tudo isso, entrevistei uma amiga que teve seu primeiro filho há uns poucos meses, perto dos 40 anos. Eu a escolhi porque ela desejou muito um parto natural. E se preparou muito para o nascimento do seu filho. E conseguiu o seu parto. Mas, para isso, passou por um tremendo estresse desnecessário em seu embate com a cultura predominante da cesariana e o medo de que os profissionais escolhessem por ela ao longo do trabalho de parto.

Quando fui visitá-la no hospital, no dia seguinte ao nascimento do bebê, ela tinha necessidade de contar sobre o pavor vivido não por causa das dores do parto, mas pelo medo de que roubassem dela esse momento. Seu bebê era saudável, ela ajudava a dar nele o primeiro banho e amamentava-o sem nenhum incômodo. Mas o embate com a equipe de saúde a tinha marcado. E teria sido melhor se ela tivesse a certeza de que sua decisão seria respeitada – e uma cesariana só seria feita se realmente houvesse necessidade.

Há cerca de um ano ela deu outra entrevista para esta coluna, sobre seu desejo e suas dificuldades de engravidar, e os mitos de fertilidade que atrapalham a vida das mulheres. Agora, ela nos conta o capítulo seguinte. A experiência de cada mulher é única. Esta é a da minha amiga. Nem certa nem errada, nem melhor nem pior, apenas a dela.

ÉPOCA – Você queria muito ter parto natural. Por quê?
Me parecia uma experiência mais completa do que uma cesariana, mais natural e menos passiva. Queria fazer força, ajudar meu filho a vir ao mundo. Não queria alguém tirando ele com um bisturi sem que eu visse, por trás de uma cortininha hospitalar, em 10, 15 minutos. A cena tinha de ser maior, mais demorada e curtida. Me via puxando/empurrando meu filho pra vida. A gente tomava fôlego de vez em quando e ele continuava a sair. Algo pra se ir absorvendo aos poucos. Ao longo da gravidez, também fui construindo em mim a ideia de que um parto normal seria algo mais meu, sobre o qual eu teria mais controle do que uma cirurgia. Eu faria o parto – não o médico.

ÉPOCA – - Este desejo, que é natural, afinal é assim que as crianças nascem ou deveriam nascer quando não há nenhuma complicação, acabou sendo difícil de botar em prática, porque toda a cultura ao redor empurrava você para uma cesariana. E isso deu a você uma carga extra de tensão. Como foi?
- Eu tive de fazer uma verdadeira maratona para conseguir meu parto. Sabia que as cesarianas eram regra, mas não que era tanto assim. Os médicos te dizem: "Vamos tentar um parto normal", como se fosse o mais difícil, como se exigisse condições. Ora, o "normal" não é ser normal e a cirurgia só acontecer se algo der errado? O fato é que eu tive de convencer, barganhar, ameaçar trocar de médico para conseguir que fosse normal. Percebi que precisaria me informar horrores, me apropriar do processo, para que quando chegasse o momento ninguém pudesse me enrolar com desculpas como as que eu ouvia de amigas justificando cesáreas. E nesta viagem eu aprendi muitas coisas sobre parto. Tantas que teria sido capaz de fazer o meu sozinha. Descobri que bastava amparar meu filho na saída e secá-lo. Não existe nenhum procedimento imprescindível nem durante o parto, nem no nascimento - quando tudo está bem, é claro. Não deixa de ser um absurdo ter de descobrir como funciona algo tão ancestral e natural como um parto. Este processo parece que foi transformado em um mistério pela medicina moderna – um mistério até para as mulheres.

ÉPOCA – - Por que você acha que a medicina tornou o parto um mistério? E por que você acha que as mulheres preferem cesarianas? Do que elas têm tanto medo, afinal?
Primeiro, por falta de informação. Os médicos dão pouca informação. Chegam a perguntar o que a mulher prefere, em vez de irem direto para o normal e partirem para a cesárea apenas quando necessário. Já ouvi de um médico que cesariana era mais “prático”. O ponto de partida é que já está errado. Se os médicos não esclarecem, as possibilidades de parto normal já ficam reduzidas. Por exemplo, o parto normal dói, mas tem a opção da anestesia no momento em que a paciente quiser, embora o ideal seja mais para o final. Acho que se as mulheres conhecessem melhor o processo, optariam menos por cesarianas. Há vários mitos envolvidos. Acho que algumas mulheres consideram o parto normal algo pouco civilizado, pouco moderno. Muitas têm medo de ficar com a vagina alargada depois que passar um bebê. Tem também a questão da falsa praticidade, de poder marcar o parto. Digo falsa porque não é nada prático ficar com pontos na barriga de uma cirurgia considerada de porte, fora o risco de ter um bebê nascido antes do tempo, antes de ficar pronto. Há mulheres que querem acabar logo com o processo do nascimento, como se ele não pudesse ser demorado e maravilhoso, sentido, como se esta demora não tivesse também as suas delícias. É como sexo: você sua, se esforça, quanto mais demora, melhor. Não combina ser asséptico, rápido, cirúrgico. O parto também não. Mas acho que o que mais pega é o medo da dor. Nosso mundo tem medo da dor. Mesmo a inevitável, a necessária, a que ajuda a trazer um filho pra vida. A dor de parto não é como outras dores. Não é como uma dor de ouvido, por exemplo. Ela vem aos poucos, para que a mulher se recupere nos intervalos. É forte, mas é uma dor de vida, não de morte. Vai trazer uma coisa boa. Isso te ajuda a suportar. Se não, tem a possibilidade de analgesia. Prefiro dizer que não são dores de parto, mas contrações, movimentos.

ÉPOCA – - O que você aprendeu em sua busca de conhecimento, quase se armando para que não roubassem de você um dos grandes momentos da sua vida?
No fim, aprendi que havia vários tipos de parto normal - natural, normal, induzido, humanizado... E percebi que eu não queria apenas um parto "vaginal". Queria um parto com o mínimo de intervenções, o mais natural possível. Nos últimos anos (ou décadas) foram estabelecidas tantas intervenções como rotina que, na maioria dos partos normais urbanos, de classe média, você toma uma superanestesia e fica inepta pra ajudar seu filho a nascer. Então tem de tomar hormônio pra estimular as contrações reduzidas pela anestesia. Na hora H alguém empurra sua barriga com uma manobra horripilante e desnecessária para que o bebê saia. E, no fim, quase que obrigatoriamente, cortam a entrada da sua vagina para ajudar o bebê a sair, mesmo que não precise. Eu não queria nada disso. Queria um parto meu, comandado pelo poder de dar à luz que a natureza me deu, apenas assistido pelos profissionais de saúde.

ÉPOCA – Em sua incursão pelo mundo da militância do parto natural, você participou de grupos e ouviu histórias de todo tipo. Quais foram essas narrativas e como elas ajudaram a construir a sua?
Eu tinha guardado na memória o relato especial de uma amiga que teve a filha ainda adolescente no hospital, mas sem anestesia, sentindo as dores do parto. Era minha história inspiradora de nascimento. Descobri na internet um grupo para grávidas, o Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), para ajudar as mulheres a ter experiências assim. Frequentei esse grupo semanalmente com meu marido. Lá ouvi outros relatos de partos naturais, ou seja, sem anestesia nem intervenções, muitos ocorridos em casa. Quase todo dia tinha uma história incrível de uma mulher que tinha dado à luz deitada em sua própria cama, usando os lençóis guardados no armário, comovendo os vizinhos com o choro de bebê novo que de repente interrompia os gemidos do parto como se estivessem todos num século remoto, muitas vezes escandalizando a família com sua escolha "precária". Não me lembro de um relato exato porque eles se pareciam muito, mas de detalhes misturados de nascimentos em apartamentos apertados no caos de São Paulo. Um casal contou que teve o filho num cômodo sem janela, na parede apenas o quadro pintado por um amigo imitava a paisagem de fora. Que loucura alguém parir sem janela, pensei. Eu adorava esses detalhes curiosos e muito humanos. Teve o marido assustado que se refugiou na cozinha para fazer comida enquanto a mulher se contorcia pra dar à luz no quarto, como se nada de extraordinário estivesse acontecendo na casa enquanto ele cozinhava. Teve a história da mulher que berrou no meio de uma contração para o marido não entregar pra parteira as toalhas de banho brancas, e sim as estampadas, se não estragaria o enxoval dela. Teve o caso de uma que ficou muito brava com o companheiro porque ele ficava contando os intervalos das contrações e isso a deixava nervosa. Ela pedia que ele parasse e ele continuava contando. Teve a que achou que tinha defecado no parto, mas era só a placenta saindo depois do bebê. E teve uma que de fato defecou. Nunca tinha imaginado que coisas assim pudessem acontecer. Além dessas histórias do grupo, fui também buscar histórias mais próximas. Uma amiga contou que teve o bebê quase no saguão do hospital, antes de a médica chegar, porque o marido não acreditou que o trabalho de parto estivesse tão avançado. A filha nasceu enquanto ele estacionava. Essa história me fez pensar que eu deveria conhecer bem os estágios do parto, para o caso de uma emergência. Outra me contou como se sentiu traída ao final de um trabalho de parto normal e tranquilo, quando o anestesista a agulhou pelas costas sem que ela quisesse, apenas para justificar sua ida ao hospital numa antevéspera de ano novo. E de como ela se sentiu dolorida nos dias seguintes por causa da peridural e da traição. Me fez pensar em como era importante eu deixar claro meus desejos e manter em minhas mãos o comando da situação. E também a importância de deixar claro para o meu marido o que eu queria – e não queria. Ouvi também um relato triste da minha irmã, que sempre quis parto normal e acabou levada a uma cesárea que ela acreditava desnecessária. Ela não viu os filhos saírem, não sentiu nada. E quando fui resgatar essa história, senti como isso tinha deixado nela uma ferida aberta. Uma ferida que eu não queria aberta em mim. Fui escutando essas histórias para ver como era, saber o que eu queria, o que eu não queria, e para tentar aceitar o que talvez estivesse além do meu querer.

ÉPOCA – Quando seu filho nasceu, você disse que ficou muito tensa durante o processo porque a todo momento tinha medo de que os médicos pudessem dar uma anestesia, fazer algum procedimento ou mesmo uma cesariana contra a sua vontade. Como foi isso?
Ao longo da gravidez, fui decidindo o que eu queria e o que não queria pra mim e para o bebê. Coisas muito importantes, pelas quais eu e meu marido faríamos todo o possível, e outras que nos importaríamos menos se escapassem do planejado. Meu maior terror era passar por uma cesariana. Ainda mais se fosse desnecessária. Não sei em que pedaço de mim isso pegava, mas pegava. Nas últimas semanas, minha obstetra falou: "Querida, se rolar cesariana serão dez anos de terapia pra você, não é?". Eu disse: "Exatamente. Você entendeu o tamanho da coisa".

ÉPOCA – Por que tanto horror à cesariana? Embora exista um abuso de cesarianas no Brasil, boa parte delas desnecessária, há casos em que pode ser a melhor escolha e mesmo fundamental para salvar a vida da mãe e do bebê. Se fosse este o caso, não estaria tudo bem para você?
Acho que se fosse o último recurso, tudo bem. Mas eu gostaria de ter certeza de que era realmente necessário e não uma conveniência ou inabilidade do médico, coisa que ficou muito difícil identificar hoje em dia. Acho que eu também mitifiquei o parto normal. Eu nasci de cesárea. E estou aqui, viva, sem traumas. Não tenho problemas com isso. Mas era um desejo meu ter o filho naturalmente. Só aceitaria a cesárea se tivesse muita clareza da necessidade.

ÉPOCA – Então conta como foi seu processo nessa luta com os profissionais de saúde ao longo do trabalho de parto...
Meu trabalhou de parto ativo durou 13 horas. Isso é considerado normal, mas as pessoas se assustam. Muitos médicos se assustam, inclusive. Meu pavor, quando eu via o relógio andando depressa demais, era que eles se cansassem e dissessem: "Bom, vai ter de ser cesárea". E me empurrassem uma desculpa qualquer goela abaixo, com o poder da autoridade deles. Eu cheguei ao hospital com contrações fortes e ritmadas, num bom intervalo. Mas a dilatação era frustrantemente pequena ainda. Meu filho estava com a cabeça defletida, ou seja, virada pra cima, mirando o céu, então não descia. E minha vagina tinha uma reborda, uma espécie de dobra que se forma muitas vezes e também dificulta a saída. Eu sabia que nenhuma das duas coisas era motivo para cesárea, mas podiam tentar usá-las para fazer uma. Eu tinha chamado uma doula, uma acompanhante de parto, que na hora me ajudou com exercícios, posições e apoio emocional. Mas, depois de oito horas, acabei pedindo uma analgesia porque não aguentei a dor, estava dobrada, apagando nos intervalos das contrações. Tive medo que isso animasse os médicos a fazer cesárea, afinal, eu já estava anestesiada, ainda que de leve. Chorei muito porque não imaginava que a dor fosse maior do que eu. E chorei de medo. Lá pelas tantas entrou uma obstetra na sala e começou a conversar com minha médica. Ela dizia que o parto que ela fazia na sala ao lado estava demorando muito então ia virar uma cesárea porque ela já estava cansada. Entrei em pânico e comentei com a doula que não queria que todos se cansassem daquele momento meu e quisessem ir embora inventando uma cesárea. Minha médica ouviu e disse: "Temos todo o tempo do mundo para esperar". Era verdade. Ela começou a me pedir pra fazer certas posições, me virava na cama, com muita delicadeza, até que o bebê se acertou e começou a sair. Nessa hora, de novo entrei em pânico, fiquei selvagem porque começaram a montar uma mesa de instrumentos e eu temi de novo uma cesárea. Pra que tudo aquilo? A pediatra, acostumada com partos humanizados, naturais, me disse que era normal, uma prevenção em caso de ocorrer uma emergência. Mas a cada barulhinho de metais mexendo eu gritava, perguntando o que iam fazer. Felizmente, o que fizeram foi apenas esperar meu filho sair, naturalmente, sem cortes, inteiros nós dois.

ÉPOCA – Qual foi o sentimento quando seu filho nasceu?
Eu parecia um bicho. Estava meio agressiva, assustada e ao mesmo tempo me sentindo a dona da cena. Queimava tudo quando ele estava saindo. Parecia que as tripas iam sair por baixo, apesar da analgesia, que era leve justamente pra eu sentir. Daí ele saiu, roxinho, com o cordão enrolado no pescoço e na mão, sem nenhum problema. Veja que os cesaristas adoram dizer que isso é motivo pra cortar uma mulher. Alguém que estava perto da vagina esticou os braços me entregando aquele pacotinho. Me escapou um: "O que eu faço com isso?". Mas imediatamente eu soube e puxei ele pra mim, pro meu peito. Veio a pediatra e ajeitou-o pra mamar. E ele mamou. Eu chorava, chorava. Chorava e sorria. Parecia que não existia nada além dali. Que o momento era aquele. Que a vida começava e terminava naquela sala. Que ali dentro estava tudo que me importava. Senti orgulho de mim, do meu filho. Me senti poderosa, cheia de muita coisa boa. Talvez algumas mulheres se assustem com a intensidade de dor e de medo no relato do parto do meu filho e achem que não vale a pena. Primeiro, eu acredito que as coisas importantes não são necessariamente leves e indolores. Nem que as coisas boas só são boas se forem leves, rápidas e indolores. Meu parto foi forte. Em alguns momentos foi tenso e doloroso. Em alguns momentos tive medo. E, mesmo assim, foi uma delícia. Mesmo assim, tive um prazer indescritível. Tudo junto, como a vida é. Não trocaria isso por nada. Poucas vezes me senti tão viva. Poucas vezes estive tão viva. E completa.

ÉPOCA – Como é ser mãe? Fico observando você e percebo que, embora existam as angústias, e elas são muitas nesse início da vida de um filho, você parece estar sempre numa espécie de estado de completude. Volta e meia olha para o seu filho e chora de alegria...
Eu estou em estado de graça desde o momento em que meu filho nasceu. Eu tinha um medo, que para algumas pessoas pode parecer idiota, de ter um filho feio e burro. Bem, ele é lindíssimo. Meu bebê nasceu lindíssimo, como eu jamais poderia imaginar que seria. Tem orelhas perfeitas, nariz lindo. Ele é todo bonito. Tudo nele é bom. Senti algo indescritível quando saí da maternidade com ele nos braços, apresentando a rua lá fora, o sol, os carros, o barulho, as pessoas, a vida. Me senti a pessoa mais importante do mundo. Chorei quase todos os dias do primeiro mês de vida dele. De alegria, de plenitude. Chorei de ver que era tudo verdade, que ele estava ali. E ainda choro. A maternidade está além da minha maior expectativa.

ÉPOCA – Me parece, pela minha própria experiência e pela de outras mulheres que escuto por aí, que o afeto e o amor pelo filho não é algo dado, mas construído. De repente, há uma pessoinha nova fora da gente, na casa da gente, exigindo coisas com o seu choro. Mesmo que a gente a carregue por nove meses, fora do nosso corpo é outra história. Me parece que amamos aos poucos, num afeto que vai se construindo e se fortalecendo ao longo dos dias, até se tornar a ligação mais forte e profunda da nossa vida. E não como um amor que vem do além e cai como um raio na hora em que o bebê nasce, como somos ensinadas a acreditar que é o certo. Como foi para você?
É interessante porque, embora a maternidade seja atávica, o afeto não é automático, imediato. Eu não senti assim, pelo menos. Fui me apaixonando pelo meu filho. É algo que é construído da rotina com o bebê, que é uma das coisas mais intensas que alguém pode viver. Um dia aparece um serzinho estranho de dentro de você para você cuidar. Invade seu mundo, sua vida, com um cheiro novo, barulhos novos, hábitos novos. Surge um novo prolongamento de você, algo que não existia antes e que precisa de você para existir. No começo é ternura, curiosidade, encantamento. Acho que a natureza faz bebês fofos para a gente se encantar e cuidar deles. Aos poucos vai virando amor, delícia, intimidade. Você ama "aquele" bebê. Eu comecei a ficar mais mãe aos poucos. E acho que vou ser cada vez mais mãe, conforme o tempo passar.

ÉPOCA – - Um de seus conflitos é a aproximação do momento de voltar ao trabalho, depois da licença-maternidade. Por um lado você tem vontade de largar seu emprego e virar mãe em tempo integral. Por outro, tem sonhos de que está trabalhando em grandes projetos. Não é fácil ser mulher, não é? Como você está se virando?
Não gosto nem de imaginar a volta ao trabalho. Parece que ele vai precisar de mim e não vou estar. Dizem que quem mais sente a dor dessa primeira separação é a mãe. Eu não consigo imaginar meu filho desamparado. Uma neura de que não cuidarão tão bem dele, de que eu não estarei lá vendo cada sorriso ou respiro. Acho que ainda sinto que ele é um pedaço de mim que ficaria pra trás algumas horas, doendo. Tenho um trabalho flexível, que me permitiria estar com ele em vários intervalos do dia. Ao mesmo tempo, já fiz as contas pra ver quanto tempo eu poderia ficar em casa só acompanhando ele crescer, mudar. Provavelmente, voltarei a trabalhar. Acho que ficaria tensa de não ter segurança financeira e talvez me cansasse, com o tempo, de ficar apenas em casa. Afinal, é uma rotina desgastante. Meu plano ideal seria que me dessem uma licença de um ano ou que meu emprego me liberasse e estivesse lá quando eu voltasse. Pra mim, seria o tempo ideal pra eu me dedicar ao meu filho, curtir cada minutinho, cheirar ele o dia inteiro. É importante trabalhar, mas é melhor ser mãe, ao menos nesse momento. Acho que o modo como as coisas são estruturadas no nosso mundo, no nosso universo brasileiro, não facilita muito a vivência dessas coisas. Poderíamos ter a opção de voltar logo ou não ao trabalho. Eu queria muito ficar mais. Mas dá medo chutar tudo e viver de economias. Eu não gosto de pensar nisso. Me incomoda, estraga meu dia. Meu filho fez parar meu tempo. Mas as coisas fora de nós não pararam. Não sei como resolver.

ÉPOCA – Quais são as alegrias e os conflitos desse momento muito particular que você está vivendo?
As alegrias são todas. O sorriso dele quando acorda, as dobrinhas, o cocô sem cheiro. Os gemidos, o choro, o beicinho, a respiração, o espirro. Mas a maior felicidade é ele mamar no meu peito. Ele se alimentar de mim. Isso é uma loucura. E eu me alimento de olhar ele mamando, toda torta, querendo chorar de alegria. A mãozinha no meu peito. Algo indescritível. Não tenho muito tempo pra mim, o que me angustia, mas só um pouquinho. Me sinto bonita, forte, poderosa, e tenho conseguido administrar as dificuldades porque tenho uma boa rede de apoio – marido superparticipativo, empregada, família, grana. Talvez eu não seja a melhor referência, porque a maternidade nem sempre é fácil. E pra mim está sendo uma delícia. Meu maior conflito é querer às vezes ficar só eu, meu filho e o pai dele juntos, feito bichos, num ninho, nos lambendo. Mas o planeta não é vazio como eu queria que fosse agora. O que também tem um lado bom: muita gente pra eu mostrar a coisa mais linda que eu já vi.

ÉPOCA – Hoje, olhando para trás, o que o parto natural deu a você?
O meu não foi 100% natural porque eu tomei analgesia. Meu parto normal me deu a maior lembrança da minha vida. Uma longa cena que me mudou completamente. Me sinto uma mulher completa agora. Me sinto uma mulher feita. Acho que, por ter sido um parto normal, me sinto mais do que se fosse de outra forma.

ÉPOCA – Você tem medo do futuro? De seu filho estar aqui, de ter de educá-lo com um mundo inóspito lá fora...
Tenho todos os medos, os mais absurdos. De ele sofrer, de não ser feliz. Medos que eu sempre tive da vida, como todo mundo. Mas meus olhos estão tão cheios da visão linda do meu filho e meu coração transborda de uma alegria tão grande que não cabe mais nada. Essas visões ruins de futuro se apagam rapidamente. Uma ternura louca espanta os medos, tão logo eles chegam. E me enche de esperança a idéia de criar um ser humano lindo e feliz. De apresentá-lo ao mundo e o mundo a ele.

ÉPOCA – O que é ser mãe, afinal?
Para mim, ser mãe é me sentir completamente mulher, fêmea, em todas as possibilidades. Já li que não é a maternidade que te faz uma mulher. Mas há uma dimensão que a gente só conhece sendo mãe. É mais para sentir do que explicar. Me sinto maior do que eu era antes. Bem maior. 
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.) 




ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem.
 
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