1 de dez. de 2008

Maria Madalena - Canalização

"Eu sou Maria Madalena. Talvez me conheçam, mas poucos de vocês sabem quem sou na realidade, ou quem fui. Pois sim, fui a companheira do que se chamou Yeshua Ben Josef. E sim, há muitas histórias a respeito de nós e de nossas vidas. Ambos fomos Avatares da Nova Era da Consciência "Crística", mas os que escreveram essas histórias estiveram influenciados por suas crenças de que a única experiência importante era a masculina, e por isso a vida do Avatar Feminino, Maria Madalena, foi negligenciada e esquecida.
Mas foi necessário que, para equilibrar a futura Idade Dourada, nascesse um Avatar de cada sexo, e que eles se unissem como companheiros, criando os perfeitos Modelos das Funções para a Futura Era de Luz! E assim foi!
Nasci em uma família normal de Israel, mas eu nunca fui "normal". Levava em meu interior a Chama Sagrada do Feminino Divino do momento em que fui concebida como humana. Nasci como uma perfeita Menina "Crística". Fui a "filha" encarnada da Mãe Divina. Igual a Yeshua, fui treinada pelas mulheres nos ensinos secretos dos Essênios. Como ele, eu era um grande prodígio pelo meu saber e conhecimento das antigas artes da sabedoria das mulheres que estava bem alem dos meus anos.Sim, queridos, fui treinada para que fosse a Guardiã da Chama Sagrada da Sabedoria das Mulheres, o poder do Feminino Divino.


E esse segue sendo ainda meu papel e meu trabalho neste momento. Venho à vocês porque a Terra Ascendida esta uma vez mais preparada para dar as boas-vindas ao Avatar Feminino: as filhas da Mãe Divina. Há muitas entre vocês que estão preparadas para receber o treinamento do Espírito, porque já alcançaram o nível de consciência que lhes permitirá ser o que eu fui: a portadora da Chama da Mãe Divina.
E que poderosa é esta chama: - é puro Amor Incondicional, e se expressa em todos os níveis, incluindo o físico e o sexual.
Sim, queridas irmãs, agora que o raio Laranja-Rosa do Amor Divino banhou o seu ser, limpando e liberando milhares de anos de abuso e de repressão mental, emocional e sexual, vocês já estão esclarecidas e são livres para expressar a Chama Divina através de seus corpos.
Os ensinamentos do Feminino Divino são o Êxtase e a Unidade - o direito de nascimento de toda mulher. E o direito às habilidades e a sabedoria que permitirão que toda mulher expresse seu Êxtase e sua Alegria através de uma relação que será uma União Sagrada, uma expressão de sabedoria espiritual e de amor incondicional. Esta união apaixonada do sexual e do espiritual é o que conduziu a remoção da história de Maria Madalena e sua União Sagrada com o Yeshua Ben Josef das histórias que comemoram a vida de Yeshua.
Sim, chamaram-me "prostituta" e "impura", pelo meu conhecimento dos dons do êxtase sexual. Que triste foi que o caminho do Feminino Divino não fosse honrado ao mesmo tempo que o caminho do Masculino Divino representado por Yeshua. De fato, essa omissão conduziu à distorção da verdade a respeito de nossas vidas. Porque o verdadeiro caminho do Avatar não foi o sofrimento e o martírio. Essa foi uma interpretação posterior feita por quem tinha outros planos. O verdadeiro caminho do Avatar foi criar uma direção para o Êxtase e a Unidade através do Amor Incondicional. E foi alcançado por nós! Foi esta realização que agora nos permite que levemos à vocês os ensinos da União Sagrada e os caminhos do Feminino Divino e do Masculino Divino.
Esta foi a maior realização de nossas vidas, e essa Alegria e esse Amor é o que queríamos transmitir como nosso legado, não o sofrimento nem o derramamento de sangue das incontáveis guerras e cruzadas disputadas em um entendimento errôneo da natureza da energia Divina Masculina e do caminho de Yeshua!
Queridas irmãs, à medida que a consciência abandonou seu planeta, foram levadas a acreditar que era bom que se desconectassem de seus corpos e que reprimissem sua sexualidade e seus desejos. Foram ensinadas a desconectar o espiritual do sexual, e assim perderam a Alegria e o Êxtase da união.
Ensinaram-lhes que essa repressão era um "serviço" e que era aprovada por Deus. E assim, sofreram e ficaram iradas e sem poder, e assim ainda estão muitas de vocês.Queridas irmãs, é hora de elevar sua consciência novamente e ver que seu corpo é o Templo de sua Alma e de seu Espírito. É um corpo de Fêmea, um corpo de mulher, e é o Templo do Feminino Divino.
Esta é uma energia poderosa e sagrada, uma chama da energia Solar Feminina que lhes permite experimentar a energia da Fonte como uma Grande Mãe. Mas também lhes permite experienciar o êxtase de uma relação entre Chamas Gêmeas na qual se reunem o Divino Feminino e o Divino Masculino à serviço da Fonte e de seu Amor por Tudo O Que É!
Há muito a ser compartilhado sobre o conhecimento do caminho do Feminino Divino, e com entusiasmo esperamos compartilhar este Amor com vocês nos próximos tempos. Mas permitam-me terminar onde comecei. Quando aprenderem quem sou, descobrirão que sou uma parte de vocês: a Mulher Crística ou "Cristal" da Nova Terra.


Autora e canalizadora: Celia Fenn - todos os direitos reservados
(ao copiar este texto mantenha a integridade do conteúdo e os créditos da autora)

O Sol saiu em Itajaí...

... Depois de brilhar a partir de muitos corações!

Os últimos acontecimentos em Itajaí fizeram-me refletir novamente sobre a Luz e a Sombra do Ser Humano... Hoje recebi esta mensagem que compartilho com vocês, apesar de longa, permita-se ler, me emocionei aqui...


Beijo amoroso

Ana Andrade

Compartilhando...

Meus amigos,




Ontem 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.


As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas. Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos.


As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperá-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos. Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:


- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros;
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.


Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:


- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.


Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:


COMEÇAR DE NOVO


Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ele que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.


(Anônimo)


É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano. Pelo menos é a minha hora, acredito.


Que Deus abençoe a todos.


Autoria desconhecida


28 de nov. de 2008

Vegetarianismo

O termo "vegetariano" não provem de "vegetal", mas sim do termo latino "vegetare", que significa "dar vida, animar". Quando os romanos usavam o termo homovegetos, eles se referiam a uma pessoa vigorosa, dinâmica.

O que é Vegetarianismo?
No vegetarianismo, entende-se que o consumo de alimentos de origem animal é uma prática desnecessária, que prejudica a saúde humana, o meio ambiente, os animais e a sociedade.
Ovo-lacto-vegetarianos: não consomem qualquer tipo de carne, e consomem laticínios e ovos.
Lacto-vegetarianos: não consomem carne nem ovos, e consomem leite e derivados
Vegans: não consomem qualquer produto de origem animal (carne,leite, ovos, mel) e também não utilizam produtos que tragam sofrimento animal embutido: couro, lã, seda e cosméticos que contenham ingredientes animais ou que tenham sido testados em animais.


Por que ser vegetariano(a)?
Há vários motivos: saúde, ética, compaixão pelos animais, fome mundial, preservação do meio ambiente.

Saúde
"Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mas sábia é a sua mente" (George Bernard Shaw)

Uma dieta vegetariana é saudável porque: é
. Rica em fibras, vitaminas e minerais.
. Pobre em gorduras saturadas, colesterol e contaminantes químicos
(hormônios, antibióticos, pesticidas).
. Moderada em proteínas e calorias.
. Saborosa, trazendo pratos da culinária mediterrânea, indiana, japonesa, etc.

Variada, incluindo hortaliças, legumes, frutas, raízes, cereais integrais (arroz, trigo, centeio, cevadinha), leguminosas (feijão, soja, ervilha,lentilha, grão-de-bico) e oleaginosas (castanhas, nozes e sementes).
. Nutritiva, fornecendo todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo.
. Preventiva, uma dieta vegetariana reduz o risco de doenças crônicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes. Obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar, artrite, asma, pedras nos rins e hipertensão. doenças circulatórias (infarto, derrame, pressão alta) entre outras.

Há um grande número de trabalhos científicos que mostram as propriedades preventivas das dietas vegetarianas.

Mantém o colesterol em níveis adequados - Uma dieta livre de alimentos de origem animal é capaz de controlar a pressão nas artérias e ainda manter níveis adequados de colesterol.
Um estudo do Instituto do Coração (InCor/USP) de 2002 comparou, entre outros fatores de risco para doenças do coração, a pressão arterial e os níveis de colesterol de 136 pessoas, entre vegetarianos e comedores de carne.
Os vegetarianos não apresentaram nenhum caso de pressão alta e apenas 22% das pessoas tinham colesterol elevado.
No grupo que consumia carne, 22% das pessoas apresentaram pressão alta e 41% tinham o colesterol acima do limite máximo recomendado.


Orientação
Há ainda muitas publicações e alguns profissionais que podem orientar uma transição saudável para o vegetarianismo. A informação e orientação são muito importantes para planejar bem a dieta!
Ética
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhor com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles".
(Paul e Linda McCartney)


Compaixão pelos animais
Não nos enganemos: todo animal é capaz de sentir e não há nenhuma justificativa moral para desprezar sua vida, negligenciar seu sofrimento, banalizar o ato de sua morte e mutilar seu cadáver para com ele fazer delicatesses carnívoras.

Fazer sofrer e matar seres vivos sensíveis por razões banais é uma daquelas injustiças elementares a que somos inclinados a condenar. No entanto, falta ainda a convicção de que matar animais para alimentação é uma razão banal e que a cadeia animal não é indispensável.
Do ponto de vista ético, matar um animal é um ato incompatível com as aspirações intelectuais e espirituais da nossa espécie. Se matar um animal dentro de um contexto de defesa ainda é aceitável, abate-lo para lhes retirar as proteínas, as gorduras, os conhecimentos
científicos, e os prazeres gustativos não é aceitável, tanto mais que estas questões são banais em comparação com o sofrimento e a perda de vida de um animal, ser sensível e consciente.

Animais usados como produtos – os bastidores
Os animais criados para consumo, são confinados, manipulados especificamente para o aumento de produção, através de genética, medicamentos e técnicas de manejo. Devido às considerações econômicas, eles não recebem analgésicos.
O gado é marcado várias vezes durante sua vida (causando queimaduras de 3º grau), chifres são removidos , castrações pelo corte dos testículos com facas ou forçando sua queda amarrando-os para interromper o fluxo sangüíneo, mais uma vez, por razões econômicas tudo é feito sem anestesia.
Os modernos antibióticos e vacinas são a razão pela qual os animais sobrevivem às condições intensivas até atingirem o peso do mercado ou até que se tornem " gastos", ( termo utilizado para vacas leiteiras ou galinhas poedeiras cuja produção cai ) e serem mandados para o matadouro.
Mesmo quando são criados soltos os animais, muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente.

Galinhas
As galinhas vivem espremidas em gaiolas do tamanho delas, as luzes ficam acessas até 18 horas por dia – assim elas não dormem e comem mais (isso acontece principalmente com as que produzem ovos), seus bicos são cortados sem anestesia.
O corte dos tecidos delicados com a faca causa dor que persiste por semanas ou até meses. Algumas aves não conseguem comer após o corte dos bicos e morrem de fome. Esse procedimento é feito para que elas não matem umas as outras e para evitar que elas escolham a parte da ração de sua preferência - caso contrário, ciscariam apenas os grãos de seu agrado e deixariam de lado os alimentos que servem para que engordem mais rapidamente.

Porcos
Porcos não têm espaço nem para se deitar confortavelmente. São confinados do nascimento ao abate. As gestantes são forçadas a parir atadas a uma fivela apertada na baia.
Pela sua natureza, os porcos são curiosos e normalmente passariam metade do tempo cavando a terra. A frustração do confinamento faz com que lutem e mordam suas caudas. A resposta da indústria é o corte das caudas e a castração dos porquinhos para torná-los menos agressivos sem o uso de anestesia.
Ser impedido de realizar os instintos mais básicos é motivo de enorme sofrimento. Mesmo os animais criados em gaiolas desde que nasceram sentem necessidade de se mover, esticar as asas ou membros e fazer exercícios.


Rebanhos ou bandos de animais ficam estressados quando são criados isolados ou quando são confinados em grupos muito numerosos, pois têm dificuldade para reconhecerem os outros membros. Além disso, todo o animal confinado sofre de intenso aborrecimento, o que pode provocar um comportamento autodestrutivo.

Transporte
Quando são levados aos matadouros os animais são prensados ao máximo possível nos caminhões para minimizar os custos. Eles vivem nos excrementos uns dos outros e são expostos a condições severas de temperaturas em caminhões abertos, ficam sem água ou alimento por longos períodos de tempo. Em vista disso, muitos morrem a caminho.

Abate - boi
Para se abater um boi de maneira "humanitária", primeiro se dá um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido.
O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos- ele então é erguido por uma argola na pata traseira e sua garganta é cortada.
Os animais são sangrados até a morte ainda conscientes. O abate a marretada é proibido, o que não quer dizer que não aconteça, já que 50% dos abates são clandestinos e, portanto, sem fiscalização. Como não é fácil acertar o boi com o primeiro golpe, muitas vezes são necessários dezenas para desacorda-lo.

Abate - galinhas
As galinhas são despejadas como lixo dos caminhões que as traze; são colocadas em ganchos que fazem parte do sistema de abate automático, sofrem uma descarga elétrica que deveria causar a inconsciência , mas essa corrente é reduzida causando somente dor (níveis maiores de corrente endurecem a carne).
Vão para o próximo estágio com plena consciência, passam por máquina que vai degolando o pescoço, são imersas em um banho escaldante, depois vão para a área onde serão depenadas.

Abate - porcos
O abate dos porcos é parecido com o de bovinos, com a diferença que o atordoamento é feito com um choque elétrico na cabeça e que o animal é jogado num tanque de água fervendo após o sangramento, para facilitar a retirada da pele. Alguns são mergulhados na água fervente ainda vivos.

Pânico
Os animais podem sentir o cheiro, ouvir os gritos e freqüentemente ver a matança daqueles que foram abatidos antes deles. Há verdadeiro pânico e eles tentam fugir dando saltos, o que é inútil, pois estão cercados de chapas de aço.
Nos dias de hoje, compra-se carne longe da matança, o que cria uma falsa impressão de que se alimentar de cadáveres é algo normal e inofensivo. Entretanto quando alguém é apresentado à grotesca realidade de um matadouro, fica chocado com a selvageria e impiedade que há por trás dos pratos de carnes. Não podemos ignorar uma realidade de crueldade e sofrimento que acontece todos os dias contra criaturas pacíficas e indefesas. Se a população tivesse que matar para comer, certamente o número de vegetarianos seria muito maior.
Não permita que matem em seu nome!


Comer peixe é uma alternativa?
Quando paramos de comer carne, surgem muitas dúvidas sobre como obter proteínas e manter uma dieta quantitativamente saudável.
Se frangos e aves, devido aos aspectos sanitários e humanitários, também não devem ser consumidos, os peixes e frutos do mar aparecem como alternativas, até mesmo consideradas saudáveis. Mas, infelizmente, não é bem assim.
Embora a gordura da maioria dos peixes de água salgada e de água doce seja insaturada e benéfica para a saúde, os frutos do mar e muitos produtos dos rios e lagos são ricos em colesterol. O hábito de consumir peixes crus, como o sashimi e o sushi, mesmo sendo uma forma de adquirir proteínas de boa qualidade, não isenta o seu apreciador de assimilar colesterol.
Peixes também sentem dor
Em um documentário realizado no EUA, estudiosos declararam que os peixes têm em suas bocas quase a mesma quantidade de terminações nervosas que os humanos têm em seus genitais. Assim, puxar um peixe para fora d'água com um anzol seria como tirar uma pessoa da água segurando suas partes íntimas.

Intoxicações Alimentares
As piores intoxicações alimentares são provocadas por frutos do mar deteriorados, como ostras, mariscos, camarões, etc. Cerca de 20% dos seres humanos apresentam algum tipo de alergia às suas proteínas, principalmente as do camarão.

Contaminação
Há atualmente um grande risco de contaminação humana por agentes poluentes (PCB, DDT) e metais pesados com o consumo de frutos do mar.
Um marisco ou ostra é capaz de filtrar muitos litros de água do mar por dia, o que pode determinar uma grande concentração de metais pesados e substâncias nocivas, capazes de contaminar o consumidor, às vezes mortalmente. Os animais capturados próximos às grandes cidades são os mais perigosos, já que são mais expostos ao problema.

Impactos Ambientais
O Sea Sherphed Conservation Society (Sociedade de Conservação do Leão Marinho) documentou que as redes de arrastão usadas pelas pesqueiras comercias, com muitas milhas de comprimento, capturam e matam muitos outros animais em seu caminho: golfinhos, baleias, pássaros, tartarugas marinhas.
A pesca industrial dizimou o ambiente marinho e provocou o declínio de cerca de 90% dos grandes peixes do mundo ao longo dos últimos 50 anos, afirma um estudo publicado pela revista "Nature" – Maio de 2003.

Ética - Fome mundial
800 milhões de pessoas passam fome no mundo!
O peso coletivo dos bovinos no mundo é superior ao peso coletivo dos humanos. Esse gado criado para corte consome um terço de toda a safra de grãos do Planeta, enquanto um bilhão de pessoas sofrem de fome crônica e desnutrição.
Pode-se facilmente produzir alimentos para saciar a fome dessas pessoas, bastando pra isto que os recursos empregados na produção de ração animal sejam direcionados para a produção de alimentos para o consumo humano.
Um acre de cereal produz cinco vezes mais proteínas do que o acre devotado à criação de gado; um acre de legumes (feijões ou lentilhas) dez vezes mais. Assim, se uma parte de terra ocupada por gado fosse destinada a culturas, a maior parte dos famintos poderia ser alimentada adequadamente.
Aliás, segundo dados bastante atuais do setor agropecuário, um bovino ocupa em média no Brasil, área de 1,5 hectares, espaço adequado ao plantio de vegetais para cesta básica, que alimentaria muitas famílias.
Se todos fossemos vegetarianos é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da terra (uma vaca, num único gole bebe até dois litros de água, num dia consome até 100 litros) para produzir 1 quilo de carne, gasta-se 43.000 litros de água, enquanto um quilo de tomates custa ao planeta 200 litros de água.
Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos do mundo viram comida de vaca, boa parte de nossa produção de soja, uma das maiores do mundo é exportada para ser dada ao gado. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano haverias lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.

Ética - Meio Ambiente
"A Terra tem o suficiente para suprir a necessidade de todos, mas não têm o bastante para satisfazer a ganância de algumas pessoas". (Mahatma Gandhi)

. A indústria da carne é um dos agentes mais poluentes, que mais consome água, é também responsável pela destruição das florestas tropicais e outras florestas em todo o mundo.
. Uma fazenda de porcos gera lixo equivalente a uma cidade de 12.000 habitantes. Estima-se que o gado americano por si só produz 127 toneladas de fezes por segundo, o que significa 13 vezes a produção humana. A amônia contida nas fezes polui as águas e afeta severamente a camada de ozônio. Os resíduos animais são 100 vezes mais poluentes do que os resíduos humanos.
. A energia necessária para produzir um só hambúrguer poderia abastecer um veículo para rodar 30 km ou aquecer água para 17 banhos quentes.
. Estudos recentes realizados nos Estados Unidos revelam que o rebanho bovino é responsável por pelo menos 12% do gás metano (uma das substâncias que mais influenciam para o efeito estufa) liberado para o meio ambiente.
. A criação extensiva de gado só se faz com desmatamento. Estima-se que 40% da floresta amazônica foi devastada para a criação de gado. Tira-se a mata nativa, e com ela toda a fauna e a flora correspondentes, transformando a área em pasto para bois.
Do total de 4.14 bilhões de kg de carne de boi consumidos em 1996 nos EUA, 160 milhões de kg foram importados do Brasil, o que contribui para a desertificação da Amazônia, mas não ajudou a alimentar a população brasileira. O benefício econômico obtido com a exportação é enganoso.
Estima-se que cada hectare (10.00m2) de floresta derrubada para a formação de pastos seja capa de produzir US$ 160, enquanto que, com uma exploração sustentável (para a produção de látex e frutas, por exemplo), a mesma área possa produzir US$7.280!
Como podemos concluir, a opção de não comer carne pode ajudar individualmente a cada um de nós e, conjuntamente, ao nosso planeta como um todo.


"Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras. Precisamos nos posicionar contra essas coisas. O vegetarianismo é minha forma de me posicionar". (Issac Bashevis Singer)

Produção Animal / Degradação Ambiental e Fome no Mundo

Nos países desenvolvidos é impossível ignorar a relação entre a produção animal e o desastroso impacto económico-ambiental. O custo da criação intensiva de gado, aves, porcos, cabras, carneiros e peixes, para alimentar uma população humana excessiva e em contínuo crescimento, inclui a fome nos países do terceiro mundo, o uso indevido da água e dosolo, o alto nível de contaminação produzido por fezes de animais, o aumento nas taxas de doenças cardíacas assim como outras enfermidades degenerativas e a destruição das florestas. A permanência desta situação contribuirá para a desertificação, a extinção de muitas espécies animais e vegetais e as alterações climáticas. Desmesurada e consumidora excessiva de recursos, a produção animal é portanto, incompatível com os recursos naturais e ecossistemas da Terra.

Degradação Ambiental

Consumo e contaminação da água e ar:
A produção de ração e de forragem para o gado requer uma enorme quantidade de água, resultando na escassez de água em certas áreas. Só nos Estados Unidos, mais de metade da água consumida para todos os fins é gasta na produção animal. Consequentemente, lençóis de água como o gigantesco aquífero Ogalalla (Estados Unidos), estão a ser rapidamente esgotados. Em paralelo, um dos fatores mais poluentes da água é aacumulação e descarga de resíduos animais. O nitrogênio proveniente destes resíduos é convertido em amônia e nitrato e infiltra-se nas águas do subsolo e da superfície, poluindo a atmosfera, contaminando poços, rios e riachos e matando a vida aquática. De acordo com a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos, cerca da metade dos poços e todos os riachos do país estão contaminados por poluentes oriundos da pecuária. Na Holanda, os 14 milhões de animais que ocupam os estábulos do sul produzem tanto esterco que o nitrato e o fosfato saturam camadas da superfície do solo e contaminam a água. A amônia proveniente da indústria de criação de animais é sozinha a maior fonte de deposiçãoácida nos solos holandeses, provocando mais prejuízos que os automóveis e as fábricas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública e Proteção Ambiental do país.



Desflorestação e desertificação:


Todos os anos, cerca de 200.000 quilômetros quadrados de florestas tropicais são destruídas de forma permanente ocasionando a extinção de aproximadamente 1000 espécies de plantas e animais. A exploração e devastação constante de novos solos (muitas vezes abandonados poucos anos depois) para criação de pastos para gado, leva à utilização excessiva da terra o que resulta na contínua perda da camada fértil dosolo. Pressões da competição levam os donos das unidades de produção animal a optar por métodos de produção de baixo custo que deixam o solo exposto ou a submeter terras fracas à produção intensiva, resultando na sua destruição permanente. Por todo o planeta, a terra, que é a própria base da produção de alimentos, está a ser rapidamente desertificada. Desertificação é o empobrecimento de ecossistemas áridos, semi-áridos e sub-áridos pelo impacto das atividades humanas. As regiões mais afetadas pela desertificação são as áreas produtoras de gado, inclusive o oeste americano, a América Central e do Sul, a Austrália e a África Sub-saariana. A desertificação dos campos e florestas deslocou a maior massa migratória na história do mundo. No virar deste século, mais de metade da população irá viver em áreas urbanas.



Fome no Mundo



A fome no mundo é uma realidade dolorosa, persistente e desnecessária. No momento, existe suficiente terra, energia e água para bem alimentar mais do que o dobro da população humana, contudo metade dos cereais produzidos é destinada aos animais enquanto milhões de seres humanos passam fome. Em 1984, quando centenas de etíopes morriam diariamente de fome, a Etiópia continuava a cultivar e exportar milhões de dólares em alimento para o gado do Reino Unido e outras nações da Europa.



Conclusão:
O que se pretende aqui é chamar atenção para um importante aspecto da vida diária, que são os hábitos alimentares, e mostrar como eles se encontram hoje estreitamente ligados ao quadro da miséria, subnutrição e fome. Estão também ligados a um enorme desperdício, à degradação do meio ambiente e à má saúde da população como um todo.
Muitos estão preocupados com os graves problemas ambientais e sociais com os quais nos defrontamos a nível global, contudo, poucos estão cientes das enormes implicações que o simples acto de comer tem sobre vários destes problemas. Ao investigarmos esta questão, vemos que existem efeitos de amplo alcance na mudança fundamental das naçõesocidentais, que se deu, sobretudo, depois da II Guerra Mundial, de uma dieta composta principalmente de alimentos de origem vegetal para uma dieta à base de alimentos de origem animal.
Analisando estes problemas até à raíz - os hábitos alimentares - conseguimos concluir que ao modificar as nossas dietas, podemos desempenhar um importante papel no sentido de ajudar a curar a Terra e a criar um mundo sustentável para os futuros habitantes.



Referências:
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/producao.htm
http://www.avozanimal.com.br/index1.htm
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/pecuaria-moderna.html
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/agricultura-moderna.ht

27 de nov. de 2008

As Gerações Futuras

Inúmeros são os nomes da Grande Mãe: os Cristãos a chamam de Maria, os Incas de Pacha Mama, os orientais de Kuan Yin, os zen-budistas de Avalokiteshvara, os Wiccas de Deusa e se quisermos alargar esta lista podemos mencionar as dezenas de “Nossas Senhoras”, como “Nossa Senhora de Fátima” ou “Nossa Senhora dos Navegantes” em suas muitas aparições.


O que qualquer um desses nomes invoca é a energia da Mãe, a energia criadora, a polaridade Ying, que oferece colo e conforta. Que nos ajuda e nos indica o caminho, que nos prove alimento, que nos cerca com seus braços, que nos acalenta. Essa é a energia da Mãe. Da nossa Mãe biológica e de nossa Mãe terra, Mãe natureza. É dela que extraímos nossa sobrevivência, o alimento e a energia que nos dá poder para enfrentarmos os desafios cotidianos. Essa Mãe que é divina e poderosa, diante das dificuldades é capaz de nos oferecer abrigo e confortar diante das adversidades.


Acompanhe este texto de Stella Bittencourt, na Revista da Frater:



Lindo texto Stella!

26 de nov. de 2008

Entrevista com Maya Angelou - Super bonito!*

Em abril, Maya Angelou foi entrevistada por Oprah Winfrey na passagem de seu aniversário, mais de 70.

Oprah perguntou o que ela sente diante da velhice que chega.
Resposta: 'animada'. Comentando as mudanças no corpo, disse que há muitas, a cada dia. Como os peitos, que estão competindo um com o outro para ver qual chega primeiro à cintura. A platéia riu de chorar.

**Uma das grandes vozes do nosso tempo, Maya Angelou é uma mulher simples, direta, cheia de sabedoria... Alguns exemplos:

> Aprendi que aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
> Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pesso ao bservando-se como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagemperdida e luzes de árvore de Natal emboladas.
> Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando se forem.
> Aprendi que 'ganhar a vida' [making a living] não é o mesmo que 'ter uma vida' [making a life].
> Aprendi que a vida às vezes nos oferece uma segunda oportunidade.
> Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora; tem que saber abrir mão de algumas coisas.
> Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração, em geral vem a ser a decisão correta.
> Aprendi que mesmo quando tenho dores, não tenho que ser um saco.
> Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém. As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
> Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
> Aprendi que as pessoas esquecem o que você diz, esquecem o que você faz, mas não esquecem como você faz com que se sintam.

Mande este texto para cinco mulheres fantásticas ainda hoje.

25 de nov. de 2008

A Arte de Menstruar

Ao longo dos milênios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender sua condição física e sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir de suas regras, a jovem deve assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar e assumir sua nova identidade?
Ao longo do processo civilizatório, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, virando tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser: esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda mulher madura tornou-se invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos 'higiênicos', mas que continua a reforçar a idéia de que o sangue menstrual é 'sujo'. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou qual marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva. Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do fato biológico central em suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres 'liberadas' acreditam que suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da idéia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida. O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação.


O polo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o polo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente a serviço da espécie. O polo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o polo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de curarmos a nós mesmas. Desprezada e negligenciada, não é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externo. O período menstrual nos torna mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordo. Se aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece em nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando sua sacralidade.
Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos nos recolher na cabana de menstruação, como faziam nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam suas experiências. Mas podemos reduzir nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos nos recolher para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos nos retirar para um lugar tranqüilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.




Fonte: Caldeirão

24 de nov. de 2008

Olá lindos sóis, abaixo segue convite para um trabalho de uma amiga muito querida.

Beijos a todas (os).

Ana Andrade

Clique na imagem para ampliar.

Pegada Ecológica? O que é isso?

Você já parou para pensar que a forma como vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela Terra deixa "rastros", "pegadas", que podem ser maiores ou menores, dependendo de como caminhamos. De certa forma, essas pegadas dizem muito sobre quem somos!
A partir das pegadas deixadas por animais na mata podemos conseguir muitas informações sobre eles: peso, tamanho, força, hábitos e inúmeros outros dados sobre seu modo de vida.
Com os seres humanos, acontece algo semelhante. Ao andarmos na praia, por exemplo, podemos criar diferentes tipos de rastros, conforme a maneira como caminhamos, o peso que temos, ou a força com que pisamos na areia.
Se não prestamos atenção no caminho, ou aceleramos demais o passo, nossas pegadas se tornam bem mais pesadas e visíveis. Porém, quando andamos num ritmo tranqüilo e estamos mais atentos ao ato de caminhar, nossas pegadas são suaves.
Assim é também a "Pegada Ecológica". Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se torna a marca que deixamos na Terra.
O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande quantidade de resíduos gerados são rastros deixados por uma humanidade que ainda se vê fora e distante da Natureza.
A Pegada Ecológica não é uma medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos.
Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações. Afinal de contas, nosso planeta é só um!



21 de nov. de 2008

Saber mudar

Certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente e logo nadou até a borda do copo. Mas, como a superfície era muito lisa e suas asas estavam molhadas, não conseguiu escapar. Acreditando que não havia saída, desanimou, parou de se debater e afundou. Sua companheira, apesar de não ser tão forte, era tenaz; por isso continuou a se debater e a lutar. Aos poucos, com tanta agitação, o leite ao seu redor formou um pequeno nódulo de manteiga, onde ela subiu e conseguiu levantar vôo para longe. Tempos depois, a mosca tenaz, por um descuido, caiu novamente em um copo, desta vez cheio de água. Imaginando que já conhecia a solução para aquele problema, começou a se debater na esperança de que, no devido tempo, se salvasse. Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da outra, pousou na beira do copo e gritou:
- Tem um canudo ali, nade até lá e suba.
A mosca tenaz respondeu:
- Pode deixar que eu sei como resolver esse problema. E continuou se debatendo, mais e mais, até que, exausta, afundou na água.
Moral da história: soluções do passado, em contextos diferentes, podem se transformar em problemas.
Quantas vezes, baseados em experiências anteriores, deixamos de observar as mudanças ao nosso redor e ficamos lutando inutilmente até afundar em nossa própria falta de visão? Criamos uma confiança equivocada e perdemos a oportunidade de repensar nossas experiências. Ficamos presos a velhos hábitos que nos levaram ao sucesso e perdemos a oportunidade de evoluir... Os donos do futuro sabem reconhecer essas transformações e fazer as mudanças necessárias para acompanhar a nova situação.

(Roberto Shinyashiki, no livro "Os Donos do Futuro”)

19 de nov. de 2008



"A Ancestralidade é nossa via de identidade histórica, sem ela,
não sabemos o que somos e nunca saberemos o que queremos ser"




A Serpente Cósmica

Olá amados(as)
Hoje é meu aniversário, fim de um ciclo, início de outro, renovação... Novos começos (assim dizia a runa)... é isto mesmo! Ontem, folhando o livro da Monika von Koss, Rubra Força, parei na página que falava da Serpente Cósmica e hoje, decidi dividir esta leitura com vocês. Tudo haver com o momento! Meu, nosso. Pois enfrentamos todos um momento de parto, de grandes mudanças, de virada de ano para muitos, encerrando um ciclo e começando outro... Quantos(as) não estarão trocando de pele?!
Aí vai... partes deste livrinho maravilhoso.
Beijos a todos(as),
Ana Paula Nunes Andrade
Como acompanhantes de todas as grandes deusas, encontramos os animais, que se postavam ao lado da Grande Mãe de forma tão proeminente que são tidos como sua epifania: a simples presença do animal evoca a presença da deusa.
Estes animais, longe de serem totens ou divindades individuais de crenças politeísticas, corporificam a própria divindade, definindo sua personalidade e exemplificando seu poder.
Por seu movimento e renovação cíclica, a serpente foi o animal mais freqüentemente associado com o fluir do sangue menstrual. Pelo hábito de recolher-se nas reentrâncias da terra para hibernar, bem como se desfazer anualmente de sua pele, como um recém-nascido se desfaz da placenta, a serpente é considerada símbolo de continuidade da vida e da conexão com o mundo profundo.

Um símbolo universal altamente complexo, encontramos a serpente na origem de muitas mitologias. Como emblema das divindades auto-criadas, representa a fonte de todas as potencialidade, tanto materiais quanto espirituais. E neste sentido também representa a primordial natureza instintiva humana, a força de vida potencial e animadora que surge das profundezas do ser.
Como uma das muitas epifanias da deusa, quer represente o sol ou a lua, a vida ou a morte, a sabedoria ou a paixão cega, o reino espiritual ou o reino físico, nos relatos cosmogônicos este animal primordial e misterioso habita o oceano primordial, do qual tudo emerge, ao qual tudo retorna.
Como uroboros, a serpente que morde seu rabo, simboliza o caráter cíclico de todo ser, o fim que se une ao começo. Neste sentido, ainda faz parte de uma visão integrada da vida humana. Sua associação com vida, fertilidade, rejuvenescimento e regeneração faz dela um símbolo de imortalidade, razão pela qual é sempre encontrada junto à Árvore da Vida, possibilitando o acesso a ela.
Nas diferentes partes da África, a força primordial da criação é concebida como a "serpente cósmica", uma das criaturas mais amplamente encontradas nas diversas mitologias. No começo, o poder serpentino se enrolou em torno da terra disforme, mantendo-a coesa, e ainda tem essa função. Ela se move constantemente, seu fluxo espiral pondo os corpos celestes em movimento. Seu poder criativo está intimamente associado com às águas e o arco-íris.
Na cosmologia andina, as serpentes representam o mundo profundo (ukupacha). Entre os incas do Peru, todas as coisas retornam ao útero da Mãe Terra para serem transformadas. Entre os astecas, a mãe das divindades era Coatlicue, que dá a vida e a toma na morte. Nos mais antigos dias dos povos do México, a mãe Coatlicue escondia-se no nebuloso topo da montanha no país de Aztlan, enquanto seus servos-serpente viviam dentro das cavernas da montanha. Desta casa secreta ela deu nascimento à luz, ao sol e a todas as estrelas no céu.

Representando bem mais do que fertilidade sexual, as serpentes hibernam no inverno e reaparecem na primavera. Por isso, eram consideradas pelos egípcios como a vida da terra. Nos livros dos mortos egípcios, é dito que ela oscila entre amar e odiar os deuses. Por este seu aspecto duplo, era usada para representar poderes sagrados benéficos e hostis. Quando benéfica, estava protetoramente ereta, como na fronte dos faraós. Quando hostil, era a serpente Apófis, que diariamente ameaçava o sol em sua trajetória noturna.

As divindades-cobra eram sempre femininas. De registros do antigo Egito, sabemos que a imagem da cobra era o sinal hieroglífico para a palavra "deusa" e que a cobra era conhecida como "o Olho", uzait, um símbolo de insight místico e sabedoria.



Na tradição aborígine australiana, o poder do sangue menstrual é designado e identificado mitologicamente como uma grande serpente. Esta força semelhante ao arco-íris, de cor vermelho-sangue, é entendida como característicamente maternal.


Na mitologia da terra de Arnhem, no centro-norte da Austrália, "tornar-se um arco-íris" é um encanto menstrual. A serpente representa, simbolicamente, o poder criador universal manifestado pelo sangrar da mulher. Descrita como amante da água, detectora de odores, envolvendo as mulheres e, acima de tudo, amante de sangue, a serpente "não é outra coisa que o poder simbólico da ‘inundação’ ou do ‘fluxo’ das mulheres".


(Texto extraído do livro Rubra Força – Fluxos do poder feminino – de Monika von Koss)

MULHER LUA MINGUANTE




O terceiro aspecto da Deusa, a Anciã, corresponde à fase da Lua Minguante,


sendo o menos compreendido e o mais temido.




A Lua Minguante define-se no acaso e na velhice. É aquela que encerra em si a sabedoria e os segredos nunca revelados. Está associada a velha bruxa, ao deteriorar da força vital, ao envelhecimento, assim como, aos poderes de destruição e da morte, à destruição do impulso de Eros.A mulher que é arquetípicamente regida pela Lua Minguante é misteriosa e por vezes indefinível. Parece possuir um potencial para realização de algo que é difícil definir com exatidão. Possui virtualidades pressentidas, mas nem sempre realizadas. Ela mesma não se define de maneira consciente e clara.Possui também uma certa dificuldade em lidar com os aspectos da vida consciente.Esta é a mulher que vive no "mundo da lua". Está sempre descobrindo novas possibilidades, mas tem certa dificuldade em direcioná-las e nunca consegue finalizar o que começou. Como está mais próxima e mantém constante contato com as fontes inconscientes da fertilidade, aparenta estar realizando algo, mas que pode nunca concretizar. É sempre suscetível a perder-se em sonhos e devaneios em função da dificuldade que tem em lidar com o concreto e o real. O seu maior obstáculo é o tempo presente, pois está sempre voltando ao passado, revendo tudo o que foi capaz de realizar, ou lamentando o que deixou de fazer.


Ela está sempre distante do presente e por isso torna-se fria e distante dos outros, devido ao seu excesso de auto-referência. A sua criatividade, se não submetida ao controle do ego consciente, pode assumir uma forma caótica e desordenada. A sua maior dificuldade está em mobilizar e dirigir essa energia.Possui ela, todo o potencial para a criação por seu acesso fácil às fontes criadoras lunares, mas necessita compreender e separar a mistura orobórica criativa, a fazer a ordenação do caos, para que ele se transforme num cosmo criativo. A mulher Lua Minguante possui uma energia muito forte, mas ela pode manifestar-se de maneira tanto construtiva, como destrutiva, dependendo da forma como trabalha o seu consciente.A necessidade de mudança também está sempre determinando seu comportamento. O que mais importa para ela é o próprio processo do que o objetivo final, o caminho não tem tanta importância, mas premente é a necessidade de fazer a passagem. A introspecção ao mundo interior ocorre facilmente para a mulher regida pela lua minguante. A sua maior dificuldade está no fato de tornar-se produtiva e realizar toda a fertilidade encontrada. Se não conseguir direcionar essa vitalidade, objetivando-a e encaminhando-a para a realização criativa, toda essa riqueza pode se tornar inútil.


A Lua Minguante sempre serviu como vaso adequado para a projeção de todo o lado sombrio, tanto do homem como da mulher. Aqui penetra-se no reino de Hécate e Lilith e tantas outras deusas que apresentam aspecto sombrio, mas que pode no final nos trazer a iluminação.Talvez torne-se necessário para a mulher fazer contato com estas deusas, na intenção de que elas a presenteiem com a possibilidade de um enriquecimento de personalidade, permitindo a sua expressão de uma forma mais humanizada e não tão instintiva.Deste modo, as dimensões do instinto poderão ter uma via mais integrada, em que pode haver a participação de novas forças energéticas.É observando e reconhecendo os movimentos da Lua no céu e integrando as suas três fases, que poderemos nos alinhar e sintonizar com o fluxo do tempo e com os ritmos naturais. Nos utilizando dos poderes mágicos da Lua e reverenciando as Deusas ligadas a ela, criaremos condições para melhorar e transformar nossa realidade, harmonizando-nos e vivendo de forma mais equilibrada, plena e feliz.
Por Rosane Volpato

A MULHER LUA CHEIA

O aspecto de Mãe da Deusa sempre foi o mais acessível para que a humanidade o reconhecesse, invocasse e o identificasse. A Lua Cheia está associada à imagem maternal da Deusa, à mulher em toda a sua plenitude, ao potencial pleno da força vital. Ela corresponde ao crescimento e amadurecimento de todas as coisas, ao ponto culminante de todos os ciclos, à semente germinada e à plenitude do caldeirão.
Na Lua Cheia entramos em outra dimensão do feminino, aqui o instinto se coloca a serviço da criação e da humanização. Esta é a fase lunar que é iluminada pelo Sol em sua totalidade, indicando mais clareza de consciência e um melhor relacionamento entre masculino e feminino, o que propicia a criação.
A Lua Cheia é a Lua Grávida de criatividade, de riqueza e da realização do próprio crescimento. É a imagem da Mãe, com o poder divino de carregar uma nova vida em seu ventre. É ela que gera, promove o crescimento e dá o nascimento. Ela é a deusa da maternidade, que traz consigo a fertilidade para a terra e para os homens.
A Lua Cheia nos conecta com a terra, nos coloca em contato com os valores terrenos, é o próprio amor realizado. Esta Lua-Mãe, foi expressa mitológicamente pelos gregos como Deméter com sua prodigiosa energia para nutrir e acalentar e sua dedicação desinteressada para com os filhos e a família. Esta deusa-mãe também é visualizada em Cibele, Ísis, em Astarte e na Virgem Maria. Todas aparecem sempre com o filho, o que pressupõe uma capacidade de relacionamento e reprodução realizada. O filho representa o nascimento, o Logos no feminino. A Lua, deste modo, relaciona-se com o mundo de maneira mais humana, através de seu filho. Estabelece-se assim, um contato mais íntimo entre o mundo interno e o externo, do divino com o terreno e do espiritual com o material.
A maternidade em si já é uma doação, mas também associa-se à capacidade de sacrifício. Todas as deusas citadas, têm em comum o fato de terem um filho que morre e depois ressuscita. O filho seria a semente que morre, se decompõe na terra, para trazer em seguida a renovação da vida. Mas, enquanto não chega a hora do sacrifício, o filho reina junto com a Mãe-Lua e é controlado por ela.
A mulher regida pela Lua Cheia é mais confiável, pois se assemelha à Mãe. Ela é acolhedora, mais domesticada e sempre se coloca à disposição e proteção do outro. Esta mulher tem os pés no chão e seus mistérios não são tão ocultos, pois ela se revela mais claramente. Ela acolhe a criação, que é a união do masculino com o feminino. Mas esta mulher tem uma preocupação exagerada com a segurança, o que impede o seu aprofundamento em seus relacionamentos, pois o contato mais íntimo, pode constituir-se em uma ameaça. Desenvolve então, um controle fora do comum e nada pode pegá-la desprevenida. Aqui desenvolve-se um impedimento a sua criatividade, pois seus passos são calculados, evitando confrontar-se com o desconhecido, que podem lhe proporcionar surpresas desagradáveis.
A mulher-lua-cheia é a esposa e mãe perfeita, desfaz-se em eficiência e cuidados, mas falta-lhe a paixão e a inquietação.

17 de nov. de 2008

A dança da morte



Fernanda Torres para o pai Fernando Torres

A dança da morte
Fernanda Torres

A peça "Seria Cômico Se Não Fosse Sério", de Friedrich Dürrenmatt, foi o melhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos de
parceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela se passa no início do século passado e conta a história de um general aposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em um farol.

Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde com eles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por doze
vertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua mais derradeira solidão. Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general da I Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lá pelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:

- Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!

E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando em torno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque da esposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC. A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alice arrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo. Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viu sabe.

Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria a acontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce,
amorosa e redentora. São as mensagens que recebemos ao longo da vida. Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde, no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer que meu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim..

Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante a representação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, como a neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era um problema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levou vinte anos para acontecer. Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numa crônica. Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para os filhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modesto perfil.

Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce e sádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor e
ator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro. Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dos tempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissão etérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plena Cinelândia ele gritou:
'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica. Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo a ele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso,como pude fazê-lo inclusive à ele mesmo, sem achar que lhe faltava o respeito, isso me fez forte, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu, Buenos Aires e as montanhas russas. Que tudo inclusive as brigas devem ser encaradas de frente, sem medos, sem receios, porque viver, é ter coragem de encarar a vida! Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meu pai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.

Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do pai jovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturam fortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimos tempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai. Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesse período, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge e Cristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital Sarah Kubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida,
libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos e colocando no lugar: o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e à
doutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fui entender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, e
com ela. Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração ou batimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foi ela quem nos ajudou. A ver que a vida não nos pertence.Por isso o medo de perdê-la!

A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica e acolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundos
achar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte da vida. Um salva de palmas para ele. Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso. Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minha Dança dos Boiardos.
Se algum artigo neste blog estiver como "autoria desconhecida" e você souber informar, agradecemos e faremos a devida correção. Solicitamos também que, ao ser extraída qualquer informação desta página, seja adicionada à devida autoria ou endereço:
http://clafilhasdalua.blogspot.com/