6 de out. de 2008

A Lua que não dei

Compreendo os pais - e me encanto com eles - que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings, onde exercitam arremedos de paternidade.
Dar o mundo é sentir-se um pouco como DEUS, que é essa a condição de um Pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado. Volto a narrar, por me parecer apropriado á croniqueta, o que me aconteceu ao ser Pai pela primeira vez. Lá se vão 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço Via-a sugando os seios da Mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe:- ' dar-lhe-ei o mundo, meu amor,' E não lhe dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais. Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada.Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela! Um Pai é, sim, um pequeno DEUS, o criador. E seu filho a criatura bem amada. E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a filhinha - a quem eu prometera o mundo - ergueu os bracinhos para o alto e começou a gritar, assanhada: 'Dá, dá, dá...' Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar.
Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não pude lhe dar. A certeza de meus limites permitiu, porem, criar um pacto entre pais e filhos: ' se eles quisessem o impossível, fossem em busca deles '. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, Portanto, estímulo aos grandes Sonhos. E o Sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no Exterior.Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo: ' Vossos filhos não são vossos filhos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não são de nós. E embora vivam conosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 'Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fora buscar a Lua que eu não lhe dera. E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: ' O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar' Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo, inevitáveis... Lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran. Como Pai, não dando o mundo nem a Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério. Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois Família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca complementar-se. De guerreiros que foram , pais se tornam pajés. E mães, curandeiras da alma e do corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio:
' se o dever premia, o erro cobra '. Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita de areia movediça. É minúsculo mundo que pais querem dar aos filhos: O dos shoppings. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista. Sem Sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas. Na construção familiar, temos erguido paredes. Mas dentro delas, haverá gente de verdade?


Texto publicado em 01/08/2008 no ' Correio Popular ' - Campinas

3 de out. de 2008

O paradoxo de nosso tempo

O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.
Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.
Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.
Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida á extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho.
Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento. Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.
Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra no lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; De residências mais belas, mas lares quebrados.
São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, ficadas de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.
É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente ignorar.
Recebi este texto por email, de autoria desconhecida, mas não pude deixar de publica-lo. Nos faz refletir e repensar o ritmo que levamos a vida, de que forma tomamos nossas decisões, se estamos fazendo alguma diferença ou ignorando a vida. Se estamos, realmente, comprometidos (as) com a biosfera ou se falamos de mudanças mas não mudamos.
Hei, assim falei.
Ana Paula Andrade

Aproveite sua energia interior

Por Oriza Martins

Somos interiormente pura energia... e toda energia pode ser utilizada para o bem ou para o mal.
O uso de nossa energia interior depende de nós mesmos, de equilíbrio emocional, de nosso auto-domínio.
Se estamos irados, nosso interior pode transformar-se numa potente usina de emissão e processamento dessa energia negativa.
Se nos vergarmos ao poder da ira, tendemos a um tipo de vivência improdutiva, extremamente nociva - a nós mesmos e aos que nos rodeiam.
Por que canalizar nossa energia interior para os descaminhos da improdutividade - que fatalmente levam ao abismo da existência?
Por que não aproveitá-la de maneira construtiva e saborear a prática do bem?
Vamos processar essa energia em prol do amor e da paz!
Vamos transformá-la em solidariedade e fazer um positivo uso dela, pois, como já dizia o Gandhi, "nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo".

2 de out. de 2008



"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa.


E, por não poder fazer tudo,

não me recusarei a fazer o pouco que posso."


''O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano.

Mas sem ela, o oceano será menor."


Madre Teresa de Calcutá

1 de out. de 2008

29 de set. de 2008

Escute o Misterioso

"Escute o misterioso, não o negue. Não diga precipitadamente que ele não existe. Todas as pessoas que caminharam na terra de uma maneira consciente concordam a respeito disso - o misterioso existe.
O mundo não termina no visível. O invisível existe e é muito mais significativo porque é muito mais profundo. O visível é somente uma onda no invisível. O invisível é o oceano. Dessa maneira, quando algo estranho acontecer, não o negue e não se feche a ele. Abra-se, deixe que ele entre. E todos os dias há muitos e muitos momentos em que o misterioso bate à sua porta. Subitamente um pássaro começa a cantar; escute-o, e escute através do coração. Não comece a analisá-lo, não comece a falar internamente sobre ele. Fique em silêncio, deixe que ele penetre em você tão profundamente quanto possível. Não o impeça com pensamentos. Permita-lhe uma passagem absoluta. Sinta-o, não pense nele. E quando você vir uma flor, não a nomeie, não a chame de rosa. Não diga que ela é bonita - simplesmente sinta-a. Deixe que a beleza o inunde, ao invés de nomeá-la. Deixe que ela o penetre... Deixe-a provocar alguma coisa em você. Mesmo se por um único momento você puder estar com a rosa sem nomeá-la, você ficará surpreso. Seu coração baterá mais forte, com uma nova paixão, com uma nova emoção. Por ter encontrado uma rosa no começo da manhã, você pode se sentir diferente o dia inteiro. Se você viu o sol se erguendo pela manhã e foi arrebatado por ele, você pode se sentir totalmente diferente o dia inteiro. Se você viu os pássaros voando e esteve com eles por um momento, você se sentirá uma pessoa completamente nova -- sua vida começou a mudar. Essa é a maneira de você se tornar um iniciado. Você precisa absorver a beleza da existência, a sua absoluta alegria, a sua bênção transbordante.
(Mestre Osho em: The Tong-tip Taste of Tao)

26 de set. de 2008

O Centro

"Quando estou distante de mim mesma, a sabedoria desliza por entre meus dedos e, então, povôo o espaço não criativo do universo solitário que me habita". (Alba Maria)
Fantástica esta frase! Esta semana conversava com uma mulher sobre os trabalhos do Clã... e explicando nosso propósito ainda falei, o quanto é necessário fazermos o caminho de volta... um caminho de encontro a nós mesmas. As pessoas estão muito distantes de seu coração... é preciso voltar-se ao Centro!
No Centro não existe medo. Nestes últimos dias tenho refletido sobre a beleza do arquétipo do Círculo... em um encontro das Danças Circulares Sagradas escutei com o coração o que uma sábia mulher falou: "Se você se perder na dança venha para o Centro, alguém vai te achar!" MARAVILHOSO, o Centro é a Morada do Ser.
A vida é como uma mandala: tudo se desenvolve a partir do centro. Se estiver conectado ao Centro (ao coração) sua vida terá colorido (Cor/Ação), terá beleza, terá alegria e você jamais se perderá.
A vida para mim é uma dança. Jamais estamos parados, constantemente há movimento, mesmo enquanto durmo, meu sangue, minhas células, meu organismo se movimentam e eu escolho fazer disso uma dança: a dança da vida. Escolho zelar pelo meu corpo físico, esta vestimenta espacial que a Terra me dôou. Escolho zelar pela Terra, Casa Comum de todos nós, escolho zelar pelo Ser Humano que como diz Leonardo Boff:
"Só nós humanos podemos sentar à mesa com o amigo frustrado, colocar-lhe a mão no ombro, tomar com ele um copo de vinho e trazer-lhe consolação e esperança. Nenhuma máquina, nenhum computador (nem o mais inteligente) podem fazer isso... O ser humano sim, porque ele tem um coração que sente a chaga do coração do outro e sabe compadecer-se".
Peço ao Grande Mistério que eu saiba sempre escutar o som do Universo e saiba bailar em harmonia com todos os Seres.
Ana Andrade

25 de set. de 2008

Balsâmicos algozes

Há pessoas que nos libertam...
há outras que nos aprisionam e asfixiam.

Há pessoas capazes de extrair de nós o que há de melhor e mais bonito...
há outras que colocam em evidência toda a nossa imperfeição.

Há pessoas que nos tomam pela mão e nos conduzem...
há outras que nos empurram para o abismo da desorientação.

Há pessoas que semeiam flores de esperança e luz...
há outras que vão colocando espinhos na nossa cruz.

Há pessoas que nos injetam vida, otimismo, confiança...
há outras que aniquilam nosso equilíbrio e temperança.

Há pessoas que nos fazem multiplicar nossos poucos talentos...
há outras que nos fazem enterrar os poucos que supúnhamos ter.

Há pessoas que são balsâmicas em nossas vidas...
há outras que tornam completamente inócua a nossa lida.

Há pessoas que nos estruturam e nos levantam...
há outras que nos fragmentam e nos desmontam.

Assim posto, até onde o destino o permitir,
que possamos ficar longe daqueles que nos são corrosivos,
e que possamos ficar perto daqueles que nos são benfazejos.

Mas às vezes, por uma destas razões incompreensíveis da natureza humana,
descobrimos com espanto que há pessoas que simultaneamente nos elevam e nos abatem...
nos levantam e nos derrubam...
nos apedrejam e deitam bálsamo nas nossas feridas.

E, mais perplexos ainda ficamos, quando constatamos que por um capricho da Criação,
ou quem sabe, da nossa mísera condição, não somos vítimas passivas deste processo,
e que vivendo e interagindo, vamos nós também distribuindo (querendo ou não querendo) alegrias e dores, mágoas e alentos, luz e escuridão...
Como se dançássemos em perfeita simetria
Ou como se contracenássemos em perfeita sintonia com os nossos "balsâmicos algozes".
Tal é a humana condição... eis a questão!

24 de set. de 2008

O Ar fala à uma Xamã


"Eu sou o Ar, aquele que te dá a vida e a morte, sou o que te faz respirar. Me afasto pra que você se aproxime do que chamam morte, significado de minha ausência; me aproximo pra que você possa sentir aquilo que chamam vida. o que é a vida e a morte? É um grande e poderoso movimento que chamam respirar, vida é o movimento de preenchimento e morte é o esvaziamento. O que é a dificuldade de respirar, senão o medo de morrer e o enorme desejo de viver?

A respiração é o fio invisível que liga todos os seres deste planeta ao Grande Espírito. Ela em si é una, mas como todo e qualquer processo que aqui na Terra ocorre, torna-se dual. Assim, o que é um - o respirar - torna-se dois - o inspirar e o expirar. Eis um dos Mistérios do Criador. Perceba que, quando inspira, tu internalizas a vida que vem de mim, Eu te dou a minha vida e, quando expiras, Eu inspiro a vida que vem de ti. Esse é o processo da Vida e da Morte que se estabelece ininterruptamente. Doamos nossas vidas um ao outro e nos tornamos Um. Por meio dessa doação amorosa, podes comprender uma das mais belas virtudes que deve ser praticada, segundo a segundo: a compaixão".


O Ar é o único elemento que, nos faltando por minutos apenas,
tira-nos a possibilidade de viver!
"Quando os humanos decidem descer a este planeta, deslocam-se de um núcleo de luz como células se deslocando de um grande corpo. Antes do deslocamento, fazem um pacto com o Grande Espírito. Um propósito então é definido para cada um. Ao se dirigirem ao planeta escolhido, o propósito, transformado em energia vital, transmuta-se em fio de luz que os liga ao Criador. Esse fio é o que se poderia chamar de cordão umbilical energético; à medida que vão realizando o que vieram fazer, o fio vai sendo diminuído, até que retornem à fonte original. Aqueles que não realizam aquilo que prometeram, dispersam a energia vital que, mal utilizada, será direcionada para fortalecer os caprichos do ego; assim, as qualidades do apego e medo, por exemplo, serão reforçadas, e o que seria libertação transforma-se em escravidão. Todos os que não cumpriram suas metas deverão retornar para este planeta, ou a qualquer outro para efetuar o aprendizado universal. Este processo de saída e retorno a fonte é o que vocês chamam de reencarnação". A palavra é apenas um código criado por vocês; é preciso, portanto, ultrapassar esse código, libertar a palavra, para assim compreender o seu verdadeiro significado".

23 de set. de 2008

Caminho da Cura

(de Jamie Sams)

"Ensine-me a reunir os fragmentos de minha alma,
Resgatando meu potencial perdido.
Eu busco a unidade.
Permita-me encontrar o perdão,
E abraçar uma nova forma de ser,
Abrindo mão da dor e da raiva contra todos que me feriram.
Permita-me curar meu corpo humano,
O veículo sagrado da alma, curando todas as desarmonias
Encontradas na Tigela de Cura.

Permita-me a coragem necessária
para enfrentar os inimigos interiores,
curando minhas fraquezas,
E honrando o guerreiro que ali está.
Permita-me honrar a promessa sagrada,
de ser leal à minha busca de totalidade,
sem nunca abandonar minhas Curas,
nem o coração que bate em meu peito".

22 de set. de 2008

Equinócio de Primavera

Ingresso do Sol em Libra
22 de setembro de 2008 às 12:44 Hora do Brasil

O Sol inicia sua viagem rumo ao Hemisfério Sul, e se encontra exatamente no meio do caminho entre os dois Hemisférios, seccionando o Equador. Ao fazer isso, ele espalha de forma igual os seus raios nos dois hemisférios. Mas, para o Hemisfério Norte isto significa o fim do verão e início do outono e para o Hemisfério Sul o fim do inverno e início da Primavera.

Em astronomia, equinócio é definido como um dos dois momentos em que o Sol, em sua órbita aparente (como vista da Terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). Mais precisamente é o ponto onde a eclíptica cruza o equador celeste. A palavra equinócio vem do Latim e significa "noites iguais". Os equinócios acontecem em Março e Setembro, as duas ocasiões em que o dia e a noite tem duração igual. Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do Sol é o instante em que metade do corpo solar está acima (ou metade abaixo) do horizonte, e o pôr do Sol o instante em que o corpo solar encontra-se metade abaixo (ou metade acima) do horizonte. Com esta definição o dia durante os equinócios tem 12 horas de duração.

Desde a antiguidade a chegada da Primavera era festejada com cantos e danças, como bem representa a imagem acima, que faz parte da Primavera do pintor italiano renascentista Botticelli. A Primavera chega com as chuvas, que alimentam as plantas que ficaram sem folhas ou adormecidas no inverno. Tudo se renova. Os pássaros cantam com novo ardor, iniciando a estação do acasalamento. Após o acasalamento estarão ocupados em preparar os ninhos para os novos nascimentos.Devemos portanto fazer em nós também esta renovação. Tomar novas iniciativas, deixar para trás o ranço do inverno, que trouxe consigo um momento de reflexão e interiorização e até de desânimo. Agora podemos usar roupas mais leves e com cores mais alegres, fazemos uma faxina na casa, jogando fora o velho para dar lugar ao novo, terminarmos com antigos rancores e olharmos o futuro com mais esperança.O signo de Libra é chamado também de Balança. Ela nos impele a buscar a sociabilidade, a igualdade, a justiça. Este signo é relacionado com o elemento AR. É um signo intelectual, regido pelo planeta Vênus. Ar se preocupa antes de mais nada com idéias e princípios. Vênus é a deusa do Amor, e na mitologia grega está ligada ao mito de Proserpina. Filha de Gea que foi roubada por Hades e levada aos infernos. A mãe desesperada pede a Hades que deixe sua filha voltar. Mas Hades a devolverá seis meses por anos, e os outros seis meses ela permanecerá no inferno. É para festejar a volta de Prosérpina que a Terra se veste com suas melhores flores, as árvores se enfeitam, os passaros cantam, tudo é renovado.Esta é a única constelação do zodíaco que não toma seu nome emprestado de um animal e não é representada por um ser humano. Em astrologia mundial o signo da Balança representa os acordos de paz, os tratados de amizade, as associações e a busca do equilíbrio. Ele pede para a humanidade um momento de reflexão que leve à união dos povos, ao sentido de união e favorece as ações pacifistas, os encontros internacionais, assim como o mundo das artes em geral, já que Libra é regido pelo planeta Vênus. Por esta razão o mundo artístico ganha um certo destaque e os momentos de alegria, devido à festas e reuniões sociais.
Não esqueçamos, a primavera com suas flores e árvores renovadas nos mostra que tudo é cíclico e que tudo pode ser melhorado se assumirmos as nossas responsabilidades.

Harmonia e Amor


Se você observar a natureza,
verá que ela despende o mínimo de esforço em seu funcionamento.
A grama não se esforça para crescer, apenas cresce.
O peixe não se esforça para nadar, apenas nada.
As flores não se esforçam para abrir, apenas desabrocham.
Os pássaros não tentam voar, apenas voam...
Essa é a natureza intrínseca.
A terra não se esforça para girar sobre o seu eixo;
é próprio de sua natureza girar sobre o seu eixo.
É próprio de sua natureza girar a uma velocidade estonteante e rolar pelo espaço.
É da natureza dos bebês o estado de graça.
É da natureza do Sol brilhar.
É da natureza das Estrelas piscar e reluzir.
E é da natureza Humana materializar seus sonhos...
E quando seus atos são movidos pelo amor,
não há perda de tempo, de energia e de esforço.
Ao contrário, tudo se multiplica e acumula.
Temos nossa grandeza!
Libere-se para vislumbrar a verdadeira grandeza do Universo:
Sorria!
Ame!
Sinta-se Feliz!
Aceite-se!
Permita-se!

19 de set. de 2008

Netto perde sua alma

Queridos,
aqui no sul o 20 de setembro é uma data especial, marca um relevante episódio na história do Rio Grande do Sul - a Revolução Farroupilha - que deixou muitas marcas no imaginário e na psicologia do povo gaúcho. O período de 14 à 20 de setembro, em nosso estado, chamamos de Semana Farroupilha e entre eventos nativistas, comemorações e homenagens, escuta-se e retrata-se a história do povo do Sul.

Este ano, dentro da programação da Assembléia Legislativa do Estado, estava a exibição do filme "Netto perde sua alma", dos diretores Tabajara Ruas e Beto Souza, um longa-metragem que recebeu 4 Kikitos de ouro no festival de gramado em 2001 - de melhor filme pelo voto do júri popular, melhor música, melhor montagem e o Prêmio Especial do Júri.

O filme narra a história do general Antônio de Souza Netto, que proclamou a República rio-grandense durante a revolução Farroupilha e foi o único chefe militar contra os termos de acordo de paz, que culminou com o seu auto-exílio no Uruguai. República? Sim, é um fato histórico não muito conhecido. Mas o filme, cuja narrativa usa o recurso do flash back, percorre o período de 1816 a 1866 e narra as guerras dos Farrapos e do Paraguai. Isso sim já estudamos na escola.

História de lutas, amor, aventura e liberdade, o filme, baseado no livro homônimo do escritor e jornalista Tabajara Ruas, recria a complexa personalidade do general Netto, protagonista central de dois episódios-chaves da história brasileira - a Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Guerra do Paraguai (1861-1866) - comandando a sua cavalaria de gaúchos e lanceiros negros.

Embora não tivesse um perfil claramente definido como republicano, Netto era favorável às chamadas liberdades civis. Era contra a escravidão e nunca deixou de exercer sua liderança política. Apesar de tantas batalhas, o guerreiro, com porte de herói galante, encontrou tempo para casar, ter duas filhas e cuidar de sua estância em Piedra Sola, distrito de Tacuarembó, no Uruguai. O conflito do personagem com sua própria consciência, rememorando o período da República Rio-Grandense, proclamada por ele em 1836, após o combate do Seival, a derrota, o exílio e a solidão, são enfoques importantes do enredo que se passa no século XIX.

Me emocionei algumas vezes e fiquei pensando nesta terra pisada por tantos guerreiros, quanto sangue foi preciso derramar por um ideal de liberdade, as mulheres que durante muito tempo tocavam os ranchos e estâncias sozinhas, pegavam em armas para se defenderem ou inibirem a visita ou passagem de qualquer estranho, que esperavam em agonia a volta de seu esposo e/ou filhos, vivos ou mortos. Fiquei imaginando por onde já andei, quantos já passaram antes de mim... o filme, realmente, mecheu com meu imaginário e me fez refletir. Estou esperando pelo próximo Longa do Tabajara - Netto e o domador de cavalos - que conta a história do Negrinho do Pastoreio, que se passa no inicio da Guerra dos Farrapos...

Fui buscar saber a história dos Lanceiros Negros, já que tenho grande admiração e respeito por meus irmãos de pele negra, um povo que me passa força, bravura, que não esconde sua fé e sua alegria, que dança e canta para esquecer o sofrimento... quer melhor maneria de espantar o mal?

Caiu em minhas mãos uma leitura que conta a história dos Lanceiros, pesquisa realizada pelo Deputado Raul Carrion, qual não foi minha surpresa ao saber da grande presença e contribuição dos Negros na Guerra dos Farrapos. Porque não me falaram isto na escola? Porque esta parte da história foi escondida ou esquecida?

Os Lanceiros eram negros livres ou libertados pela República, "quando a guerra terminou, os Farrapos tinham duas divisões de negros em suas fileiras, uma de infantaria e outra de cavalaria, totalizando mil homens. De acordo com os cálculos do exército imperial, os negros compunham de um terço à metade do exército rebelde" (DACANAL, 1985, p. 65). Na escola não me falaram da "Surpresa dos Porongos", da traição que fez mais de 80 lanceiros negros mortos, em nome do tal "tratado de paz".


SALVE OS LANCEIROS NEGROS!
Presto minha homenagem à comunidade negra neste 20 de setembro e aos índios, mulatos e mulheres que lutaram com bravura, ao lado de generais e coronéis!

Ana Paula Nunes Andrade

A Terra fala à uma Xamã

"Lembra aos teus irmãos o cuidado que devem ter comigo. Afinal, sou o lar que os abriga, a mãe que os acolhe. Minha matéria física é semelhante a teus corpos: a tua carne é minha carne, teus poros os meus poros, teus centros de poder são também os meus. Lembra que eles estão fazendo uma longa viagem e um dia, quando a Grande Senhora da Transformação se aproximar, o Senhor da Existência olhará para cada um, estenderá sua mão generosamente e perguntará: "O que aprenderam na peregrinação por este planeta? O que deixaram como herança aos seus irmãos, os seres visíveis e invisíveis? E nada poderão negar, pois, como em um filme, suas vidas serão apresentadas diante de seus olhos e dos olhos Daquele que pergunta. Em qualquer lugar em que pensarem estar aqui no planeta, nesta linda viagem, eu estarei também. Vocês são a terra que atraem cada um dos meus irmãos, o ar, o fogo e a água."

Trecho do livro - A voz dos quatro elementos
História de uma xamã
Alba Maria
Editora Kalango

Gosto de dividir minhas leituras com vocês...
Grande beijo
Ana Eçaí

18 de set. de 2008

A técnica sozinha não tem sentido

A técnica sozinha não tem sentido. Só tem eficiência quando permeada pela inspiração e a intuição. O que é o corpo físico por mais belo que seja se não abrigar em si a centelha da vida? Se não for o Templo onde habita o Espírito? É a comunhão entre técnica e a intuição, o corpo e o espírito que faz a diferença. Só assim o fazer artístico passa a ser autêntico, pois expressa com clareza a personalidade de quem o faz...
Lá fora, o mundo é a grande Arena. Só permanece de pé, aquele que soube construir em bases sólidas os alicerces de seu Templo... É preciso coragem para sair do lugar comum. É preciso determinação para olhar o mundo de frente e não esmorecer diante de tanta disparidade. Uma Educação Viva só tem sentido quando envolve o ser humano, com os reais fatos que espelham sua grandeza interior e a dimensão da sociedade da qual ele é parte integrante.


A teoria das Inteligências Múltiplas, expostas pelo cientista Howard Gardner, a partir de 1983, deixa bem claro que, além da inteligência verbal e a Lógico-Matemática que prepondera em nosso sistema educacional, outros prismas da inteligência humana ainda marginalizados, aí estão para serem pesquisados com seriedade, pois dizem respeito essencialmente a enfoques onde “nossa Razão”, embora tão reverenciada, nada ou muito pouco pode opinar. O psicólogo Daniel Goleman em seu Livro “Inteligência Emocional” expõe esta preciosa reflexão:“Uma visão da natureza humana que ignora o poder das Emoções, é lamentavelmente míope. O próprio nome Homo sapiens, a espécie pensante, é enganoso à luz da nova apreciação e opinião do lugar das Emoções em nossas vidas que nos oferece hoje a Ciência. Como todos sabemos por experiência, quando se trata de modelar nossas decisões e ações, o Sentimento conta exatamente o mesmo, e muitas vezes mais que o Pensamento.


Fomos longe demais na enfatização do valor e importância do puramente racional, do que mede o QI na vida humana. Para o melhor e pior, a inteligência não dá em nada, quando as Emoções dominam.”. (D. Goleman. 1995, p.18) Apesar da indiferença que notadamente prevalece na mentalidade de nosso sistema Educacional, ao alicerçar seus fundamentos numa educação excessivamente Cartesiana, ainda existe quem acredite na Arte não apenas como produto decorativo, mas como um instrumento mais amplo do saber humano, conhecimento Intuitivo e por tudo isto, um dos pilares básicos, para a formação equilibrada do cidadão que pensa, sente e age no mundo. Decisivamente a Arte como linguagem do Coração, em todas as suas modalidades, quando bem direcionada, é um poderoso instrumento que tem muito a contribuir, para ampliar estas “novas dimensões da natureza do homem”, e assim amenizar o clamor de uma humanidade emocionalmente carente, apática e ainda desequilibrada. É um desafio gratificante navegar por essas rotas tão poucas exploradas da psique humana. Saber que o conhecimento é universal, não tem limite, não é propriedade particular de ninguém e é acessível a todo aquele que quer aprender. Mesmo porque existem múltiplas formas de aprendizagens que extrapolam o convencional.


Ao trabalharmos nossa sensibilidade, estaremos contribuindo para o nosso crescimento interior e para um padrão de vida mais sadio em nossos relacionamentos com os outros. Acordar no homem a sua transformação, sua ecologia interior. Libertar suas amarras e seus reflexos condicionados. Despertar para o inusitado. Transitar com reverência e disposição de aprender, o caminho promissor entre o profano e o Sagrado. Ter a agudeza de saber perceber a essência humana, compreender seus limites e, sobretudo valorizar suas aptidões. A realização de todo trabalho humano, só tem sentido quando é compartilhada imparcialmente com os outros. O fruto de meu trabalho é para o seu bem estar. O fruto de seu trabalho é para o meu bem estar. E somente assim estaremos cumprindo com nossa função de pessoas solidárias e feitas à imagem e semelhança do Supremo Criador. Enfim... “Somos todos um”!


Jbconrado*





Percorrendo o mundo virtual encontrei este texto de João Batista Conrado, arte-educador, artista plástico/gráfico e poeta, que fala em libertar-nos das amarras e reflexos condicionados. Adorei! Compartilho de seu pensamento e sempre falo em nossos cursos e palestras que a técnica sozinha é como a fé sem obras. Que um bom profissional é aquele que coloca coração naquilo que faz. Aplicar uma técnica pode auxiliar, potencializar ela com amor pode curar.
JBConrado fala da Arte como linguagem do coração e me vem a mente tantas coisas... o Calendário Maia que nos diz que Tempo é Arte, os mistérios da Antiga Fé, que se referem às práticas pagãs como A Arte... estar em harmonia com a natureza, conectada e alinhada com o Céu e a Terra, festejando a vida que cresce a todo instante e que se esvai a cada momento, e que se renova a cada ciclo, é uma Arte.
Reconhecer que tudo dentro de mim é um reflexo da energia imensurável do Universo, que o canto dos pássaros é uma sinfonia, que as folhas que balançam na árvore fazem uma dança e que o vento se comunica quando sopra, é uma Arte. Cozinhar, fazer amor, prestar serviços, é uma Arte. Compartilhar saberes, ser ouvinte e ser contador de histórias, é uma Arte. Curar com o toque, com o olhar, com um abraço, é uma Arte. Fazer sorrir quem estava chorando, dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome, é uma Arte.


A Vida imita a Arte ou a Arte imita a Vida? Quem sabe são duas palavras distintas que exprimem a mesma coisa - a expressão do espírito!


Ana Paula Andrade
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