15 de set. de 2008

Eu estou para mim...
eu estou nas minhas mãos...
eu existo para mim...
eu estou neste ambiente interior...
sou meu amigo...
me amo, me aceito como sou, sem culpa...
porque eu estou para mim em paz...
eu estou para me elevar...
me organizar...
me disciplinar...
sou forte, benevolente, alegre, equilibrado...
eu tenho em mim a porta da liberdade...
eu tenho em uma das mãos o não quando me convém...
em outra o sim quando for bom para mim...
sinto muito amor, bondade...
sou próspero em tudo que é bom...
meus olhos só enxergam o bem...
meus ouvidos só ouvem o que me dá prazer...
minha boca só diz a verdade...
as palavras que digo são da minha responsabilidade...
o silêncio me envolve me beneficia...
não tenho culpa...
se errei foi inconsciente...
o perdão faz parte do meu sentimento...
eu emito paz...
eu recebo paz...
tudo que recebo da vida eu agradeço...
e tenho o poder de transformar para melhor...
o passado não existe...
não me ocupo do futuro...
vivo o presente...
faço do perdão minha força...
da batalha minha esperança...
do medo minha segurança...
dos desencontros o amor...
da tristeza a alegria...
do fracasso o sucesso...
deixo de ser vítima dos problemas...
torno-me autor da minha própria história...
a água que bebo me purifica...
a do banho me dá energias...
a luz que recebo me esclarece, sem confundir...
iluminando o caminho que devo seguir...
por que sou luz q não se apaga...
luz para iluminar, luz para obstáculos tirar...
luz que reflete paz...
luz que alimenta fé...
luz que esperança traz...
luz sempre desejada...
luz na escuridão...
luz na multidão...
luz para o próximo que precisar...
luz para minha casa clarear...
luz para o irmão elevar...
luz para o senhor glorificar...
por tudo isto, agradeço a deus...
pelo milagre da minha vida...
Obrigado Senhor!
Luiz Antônio Gasparetto

12 de set. de 2008

Depoimentos de uma Vivência Feminina

Círculo Feminino
Vivência Terapêutica "La Loba"
Resgatando a Mulher Selvagem - 06 e 07 de setembro de 2008
Serra Gaúcha


"Olá, é muito gostoso sintonizar a energia do grupo e sentir a energia feminina tomar conta do meu ser, o curso foi maravilhoso, cada mulher do grupo trouxe um pedaço de mim que estava esquecido em algum canto, trancado pela necessidade e cobrança de agir pautada num modelo masculino.
É como se o meu melhor e a energia feminina, não fossem bem aceitas e valorizadas nesse mundo masculinizado e, agora pude resgatá-la compreendendo e aceitando que é isso que eu sou: mulher.
Está sendo fantástico, uma nova experiência e sem dúvida uma bela e doce etapa!
Adoro vocês!
Grata"!
Deise


"Meninas,
Antes de tudo muito obrigada! Vocês não sabem o quanto esta última vivência já me transformou! Estou me sentindo mais forte e capaz, pronta pra encarar qualquer coisa! Obrigada, por terem cruzado o meu caminho.Obrigada por serem o meio para eu chegar a mim mesma!Podem contar com a minha presença na próxima vivência!

Gostaria de agradecer imensamente a cada uma pelos momentos reveladores desta vivência que realmente me tocou e me transformou como mulher. Todas vocês foram essenciais para eu chegar a mim mesma, para eu curar o meu feminino. Muito obrigada!
Dedi...tô cuidando bem do filtro dos sonhos, coloquei junto a minha cama!
Alice...guarda bem a canga! (eheheheheh... estou ainda exercitando o desapego)".
bjs, Dani


"Vocês são mulheres admiráveis, estão no meu pensamento, ainda está forte a vivência do final de semana em mim. Quero compartilhar que o trabalho foi bastante intenso para mim também. É impressionante como o círculo age... aquilo que tem que ser mechido é mechido, quando é a hora é a hora... quando a consciência está pronta para captar do inconsciente aqueles aspectos que devem ser curados e você não compreende ou pensa que pode deixar para mais tarde... o coiote se apresenta! Sempre que entro no círculo, entro plena de amor de entrega e de confiança e sempre disposta a me curar. Este trabalho é maravilhoso, somos o sonho e somos a sonhadora, somos a teia e somos quem a tece, somos a cura e somos a curadora.
Amo fazer parte deste Clã e divido minha alegria com vocês, minhas irmãs, minhas mães e minhas filhas.
Sou grata a Grande Mãe e ao Grande Mistério por tê-las encontrado em minha caminhada, que possamos muitas vezes mais cantar e dançar juntas. HEI"!
Abraços,
Ana Paula Andrade

11 de set. de 2008

La Loba







... DANÇAR...










CRIAR...










... IR EM BUSCA JUNTAS...



Próxima vivência terapêutica para Mulheres

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Venha de saia e traga uma taça e uma rosa.

8 de set. de 2008

Curar é simples

As condições físicas e psíquicas da época presente são pouco favoráveis à saúde. Pela sua constituição genética atual, nosso corpo físico poderia durar cerca de 150 anos. Entretanto, seu tempo médio de vida tem sido muito menor.
Três fatores na civilização moderna são especialmente responsáveis pelo desgaste do corpo físico: o uso dos produtos químicos, a alimentação e os hábitos inadequados, densos de­mais para o atual desenvolvimento da cons­ciência, e as tensões que sofremos — tanto externas, quanto emocionais e mentais. Esses fatores são tão disseminados que é
praticamente impossível não sermos tocados por eles.
Se todos estamos diante desses fatores que abalam o organismo, como en­tão obter saúde e equilíbrio e proporcioná-los às pessoas?
Vivemos simultaneamente em vá­rios níveis de consciência. As desarmonias são próprias do nível físico, do emocional e do mental. Além desses três bem conhecidos, há os chamados supramentais (abarcam o mundo intuitivo, o espiritual e outros ainda mais elevados), que não são afetados por nada de negativo e onde temos a maior parte do ser.
Portanto, para termos condições de ajudar a quem se encontra em dificuldade, precisamos aprender a focalizar a consciência nos níveis isentos de desarmonias. Se estamos excessivamente dedicados ao corpo físico ou presos a algum problema emocional ou pensamento negativo, necessitamos mudar tal situação. Para isso, basta transmitir ao nosso eu externo a idéia de que ele não é apenas um envoltório da consciência, mas um templo vivo, que contém a essência imaterial do ser. Essa perspectiva pode elevá-lo, enobrecê-lo e, conseqüentemen­te, transformá-lo.
Se alguém nos procura para tratar de seus problemas, só o ajudamos ver­dadeiramente quando nos conectamos com níveis superiores àqueles em que os ditos problemas se localizam. Tenhamos presente que não seria bom querer conduzir o que acontece no interior de quem nos pede ajuda. A ajuda real e durável é possível quando damos inteira atenção à pessoa, porém mantendo-nos focalizados em um nível supe­rior. Não se trata de correspondermos ao que ela espera, mas de mantermos a consciência em um nível elevado durante o contato com ela. Em outras palavras, quando alguém nos pede ajuda, abre em sua consciência um espaço. Se a energia positiva do nosso ser preenche esse espaço, a negatividade expelida, se retornar, encontra-o ocupado.
Não somos nós que curamos alguém, mas é o próprio doente que se cura. É ele que emite o apelo e é ele que recebe a estimulação para transformar- se. Se não fizesse esses dois movimentos, nenhuma ajuda poderia ter.
Além disso, quando mantemos a consciência num nível elevado, a pessoa a ser ajudada acompanha-nos nessa ascensão se tem afinidade conosco; recebe, assim, a energia curativa dos planos superiores.
A energia da cura não é nenhum remédio, tampouco nada de mágico. Mas quando desce das esferas supramentais ao mundo material, harmoniza tudo o que encontra.
A cura nasce do silêncio naquele que, tendo-se esvaziado, se volta para o Alto e se deixa preencher pelo que lá encontra.

Da Série Sínteses de palestras de Trigueirinho
Curar é simples
Irdin Editora

4 de set. de 2008

Baba Yaga - Mulher Selvagem

BABA YAGA

Caminho pela floresta
e falo intimamente com os animais
Danço descalça na chuva
Danço nua
Viajo por caminhos que eu mesma faço
e da maneira que me convém
Meus instintos e meu olfato são aguçados
Expresso livremente minha vitalidade
minha alegria pura e exuberante
para agradar a mim mesma
porque é natural
é o que tem de ser
Sou a selvagem e jubilosa energia vital
Venha e junte-se a mim


Baba-Yaga é uma velha, muito velha, que vive em uma cabana sobre pés-de-galinha. Ela se alimenta de ossos humanos moídos em seu pilão, mas há quem diga que também come criancinhas com seus dentes de ferro. E voa dentro de um almofariz de prata, muito veloz. Contam ainda que o rastro de cinzas que deixa pelo céu, rapidamente a danada vai apagando com sua vassoura. Importante figura no imaginário do povo russo, Baba-Yaga está presente em muitos contos tradicionais, no caminho de Vasilisa, a bela, ou do destemido Príncipe Ivan, como nas bilinas (narrativas em verso) de grandes poetas românticos, entre eles, Gogol, Puchkin, Liermontov. Igualmente na música clássica daquele país, alguns compositores se dedicaram a fazer-lhe um "retrato sonoro": temos três poemas orquestrais com Dargomíshky, Balakirev e Liadov; ela também aparece na suíte Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, e no Álbum para Crianças, de Tchaikovsky. Talvez, a primeira antologia de literatura russa de tradição oral, que o público de língua portuguesa teve acesso, fora feita por Alfredo Apell, nos idos da década de 1920. No Brasil, a bruxa aparece na história de encantamentos "A princesa-serpente", na coletânea Contos populares russos organizada por J. Vale Moutinho (Nova Crítica, 1978 e Princípio, 1990), mas coube à escritora Tatiana Belinky o resgate mais bem divulgado como literatura para crianças: a velha Yaga e a magia das skáskas (narrativas maravilhosas), estão em Sete contos russos (Companhia das Letrinhas, 1995). Mais recentemente, foram publicados, em três volumes, os Contos de fadas russos, organizados por Aleksandr Afanas'ev, a partir de 1855, com o título Narodnye russkii skazki, base destes trabalhos e outras formas adaptadas (Landy, 2002 e 2003). Clarissa Pinkola Estés, em seu livro "Mulheres que correm com lobos" faz uma re-leitura do conto de Vasalisa e Baba Yaga. Considera todos os componentes do conto como representações da psique feminina - é ÓTIMO!
Quase sempre, Baba-Yaga é a temível bruxa, a malvada, la maliarda. Às vezes, ela parece ser apenas uma grande conselheira ou a guardiã de muitos segredos, moradora da escuridão numa densa floresta. Sob esta faceta, Baba-Yaga seria assim como a representação da Mãe-Natureza, igualando-se às antigas deusas, uma divindade com poderes sobre a vida e a morte porque rico em mistérios é seu perfil. Contudo, nossa maneira apressada de encarar as realidades imaginárias acomodou-se sobre a lógica a dividir o mundo em partes e posições irreconciliáveis.
Quando se pensa em bruxas, evocam-se as fadas e uma eterna rivalidade, ou seja, a luta entre o Bem e o Mal. Ora, a designação "bruxa" dada às velhas sábias surgiu muito antes do cristianismo lançar sua caça à elas, e referia-se a uma casta de sacerdotisas de um sistema religioso antigo e diferente, com caracteres próprios ao paganismo: uma religião de culto à Terra. Durante a baixa Idade Média (até meados de 1400), as bruxas eram tidas em consideração pelos camponeses, aldeões e demais homens das vilas. A bruxaria era, para o Clero e a Coroa, uma simples superstição e, de modo algum, estava associada aos poderes do Mal.
Reconhecidamente, as velhas que prestavam serviços para toda a comunidade na condição de parteiras, curandeiras, conselheiras, eram bruxas. Acreditava-se (uma tradição que ainda hoje se mantém) que essas mulheres tinham poder e influência sobre o corpo de outras pessoas e podiam curar doenças, bem como havia a crença de que sua magia e outras formas de projeção podiam favorecer a boa colheita. Com suas ervas milagreiras, a antecipação do futuro e outras simpatias, as bruxas eram respeitadas. A Medicina era ainda uma ciência incipiente, atendendo prioritariamente às camadas mais altas da sociedade medieval, como a nobreza e o clero; mesmo assim, os resultados a que chegava eram menores e mais incertos que os milagres operados pelas velhas sábias do povo.
No entanto, com a crise que a igreja medieval enfrentou junto às classes populares, as bruxas acabariam por cair em desgraça. Política e religião uniram forças e passaram a difundir novas imagens e idéias a respeito do curandeirismo e outras superstições relacionadas às velhas. Tornaram-se agentes do Mal, foram demonizadas dentro dos tribunais, em oposição a um sistema que representava a visão do Bem. Como portadoras de uma maldição divina, as bruxas se transformaram ideologicamente em consortes do próprio Diabo — ao mesmo tempo em que, na iconografia da época, o anjo soberbo ganhava novos contornos, assemelhando-se ao traçado animalesco e profano do antigo deus Pã. Fora criado igualmente o conceito de sabá, a grande festa orgíaca em que a devassidão, a gula e a beberagem tomavam a cena, gerando terror e histerismo entre o povo. O velho conselho de uma bruxa não continha mais sabedoria, tornou-se um maledicente sussurro como um vento sequioso, frio e corruptor. E, entre os véus e alguma penumbra da fantasia, surgiram voláteis fadas, numinosas entidades, obrigando as mulheres-bruxas a esconderem-se em refúgios cada vez mais ermos.
Os contos populares de magia são pródigos nas imagens do sítio abandonado, da alta torre, do castelo debaixo da montanha ou imerso no mar, como a casa perdida no meio da floresta em que ninguém ousa penetrar. Vasilisa, a Formosa, andou e andou, e só ao entardecer do dia seguinte ela chegou à clareira onde ficava a cabana da Baba-Yaga. A cerca em volta dessa cabana era toda feita de ossos humanos, encabeçados por crânios espetados neles, com olhos humanos nas órbitas. E o trinco do portão era uma boca humana cheia de dentes aguçados. E a casinha era construída sobre grandes pés de galinha. (Belinky 1996: 25-6)
Longe do convívio humano, Baba-Yaga tem o domínio pleno e solitário da floresta, suas árvores e as sombras, revelando-se como uma das manifestações do arquétipo feminino da Grande-Mãe, com quem, em última instância, todos buscam um consolo ou ajuda. O encontro de Vasilisa com ela guarda certas semelhanças com uma versão primitiva pouco conhecida do conto de "O Chapeuzinho Vermelho", que remete não apenas a um rito de passagem, mas à transmissão de poderes da mulher velha para a jovem (Kaplan, 1997). É necessário um período de convivência naquela cabana e abandonar os temores e as curiosidades infantis, para que uma nova aprendizagem se estabeleça. É ilustrativo o diálogo com Vasilisa, a respeito dos três cavaleiros que a menina vira passar (o branco, o rubro e o preto), quando se dirigia à cabana sobre pés-de-galinha. A velha responde que eles respectivamente são "meu dia, minha tarde, minha noite". Não poderia se expressar de outra maneira, não fosse a verdadeira senhora da passagem do tempo. "Podemos chamá-la de Grande Deusa da Natureza", afirma Marie-Louise von Franz, mas "obviamente, com todos esses esqueletos em volta de sua casa, ela é também a Deusa da Morte, que é um aspecto da natureza" (1985: 208).
Baba-Yaga compreende igualmente os dois mistérios extremos da Vida, o nascimento (criação) e a morte (destruição). A Grande Mãe nem sempre é Boa Mãe. Na escala grandiosa, o seu aspecto negativo, devorador e asfixiante, denomina-se a Mãe Terrível [...] Nos mitos, aparece como a mãe devoradora que come os próprios filhos. Conhecemo-la como a cruel Mãe Natureza, que procura repossuir toda a vida — toda a civilização — com a finalidade de colocar tudo de novo dentro do ventre primevo. Como terremoto, abre literalmente o ventre para sugar o homem e suas criações de volta a si mesma. (Nichols 1995: 105)
Além de suas qualidades dóceis e férteis, o arquétipo da Grande-Mãe simboliza a destruição necessária para uma nova ordem. O sorriso malévolo de Baba-Yaga pode ser comparado com inúmeras representações de um tipo de mãe-fera, como é o caso da deusa Kali da tradição hindu. Sedenta de sangue, Kali pode surgir inesperadamente diante de seu expectador com a língua vermelha estirada para fora — antevendo o prazer da devoração.
Do bosque saiu a malvada Baba-Yaga. Viajava dentro de um almofariz e segurava na mão o pilão e a vassoura. — Cheira-me aqui a carne humana! — suspeitou a terrível bruxa. Vasilisa estava tão aterrorizada que se sentiu desmaiar. Tudo em volta era sinistro e Baba-Iaga tinha um ar ameaçador. Mas resolveu encher-se de coragem. Já que ali estava, pelos menos ia tentar a sorte e pedir ajuda àquela horrível bruxa. Assim, aproximou-se da velha, inclinou-se e disse: — Olá, avozinha! As minhas irmãs mandaram-me vir ter contigo, para te pedir lume. (Beliayeva 1995: 81)
Quando nos deparamos com o temível, ou mesmo com o nariz e as rugas de Baba-Yaga, intimamente sabemos algo de sua força e sua ancestralidade mágica. Tratá-la com respeito é o primeiro passo para conquistar respeito em troca. Quando Vasilisa encara a feiticeira com sinceridade, sem soberba ante o perigo, assegura as chances para uma cumplicidade e convivência pacífica com a velha. Não cair em sua ira devoradora significa ter acesso aos conhecimentos dessa potestade arquetípica.
Durante a estadia na isbá da bruxa, há de recuperar essa memória, os segredos de quem sabe ouvir a música das correntezas subterrâneas. Ao mesmo tempo em que vai demonstrando sinais de afeição, a menina reconhece na outra o saber, ainda que inconsciente, na verdade é seu. Afinal, que imagem o espelho de seus olhos refletirá?
Enquanto Baba-Yaga jantava, Vasilisa ficou ali perto, silenciosa. Baba-Yaga disse: "Por que é que você está me olhando sem dizer nada? Você é muda?" A menina respondeu: "Se pudesse, gostaria de lhe fazer algumas perguntas."Pergunte", disse Baba-Yaga, "mas lembre-se, nem todas as perguntas são boas. Saber demais envelhece!" (von Franz 1985: 206)

A honestidade que a busca espiritual exige de nós é ilustrada nos contos russos de iniciação sobre Baba Yaga. Baba Yaga é uma velha de aparência selvagem que mora no meio da floresta, está sempre mexendo o caldeirão e sabe de tudo. Ela assusta, pois quem a procura é obrigado a entrar na escuridão, a fazer perguntas perigosas, a deixar o mundo da lógica e do conforto.
Quando, empenhado na busca, o primeiro jovem chegou tremendo à porta de sua cabana, Baba Yaga perguntou: "Você está aqui por conta própria ou foi mandado por alguém?" Como a família do jovem apoiava sua busca, ele respondeu: "Fui mandado pelo meu pai." No mesmo instante, Baba Yaga o jogou no caldeirão e o cozinhou. A segunda pessoa a procurá-la, uma moça, viu o fogo crepitando e ouviu a risada de Baba Yaga. Novamente, Baba Yaga perguntou: "Você veio por conta própria ou foi mandada por alguém?" Essa jovem tinha ido para o bosque sozinha em busca do que encontrasse. "Vim por conta própria", respondeu ela. Baba Yaga a atirou no caldeirão e a cozinhou também.Mais tarde, um terceiro visitante, uma moça profundamente confusa diante do mundo, chegou à casa de Baba Yaga no meio da floresta. Ela viu a fumaça e percebeu o perigo. Baba Yaga a encarou: "Você veio aqui por conta própria ou foi mandada por outra pessoa?" A jovem respondeu com sinceridade: "Em parte vim por conta própria, mas em parte vim por causa de outras pessoas. Em parte vim porque você está aqui, por causa da floresta e por causa de alguma outra coisa que esqueci. E em parte nem sei por que vim." Baba Yaga ficou olhando para ela por um momento e disse: "Você serve." E a convidou para entrar na cabana.

As divindades da Lua Nova nunca nos procuram; nós é que devemos procurá-las!

3 de set. de 2008

A HISTÓRIA DO FEMININO

PARA COMEÇARMOS: A HISTÓRIA DO FEMININO

Quando observamos a forma de organização social, em nossa cultura, percebemos um tipo de relação que se estabelece entre homens e mulheres, uma organização social, econômica e política que tem como características as relações de poder e de submissão. Olhamos a história da humanidade e percebemos um longo caminho evolutivo deste tipo de relação. Podemos chegar à conclusão de que a humanidade sempre foi assim; cruel, destrutiva e contraditória, como demonstra nossa história.Mas se observarmos realmente toda nossa evolução histórica vamos ver que nem sempre foi assim. Voltemos cinco mil anos atrás e veremos em nossa pré-história um tipo de organização diferenciado. A existência de culturas pacíficas, voltadas à comunidade e à celebração dos ciclos naturais vistos na representação da grande deusa mãe terra. Ou seja, naquela época deus era mulher, a divindade era simbolizada no feminino. Os primeiros historiadores a perceberem esta diferenciação colocaram que seria uma sociedade matriarcal, como oposto completo de nosso atual patriarcado. Mais tarde chega-se à conclusão de que em realidade a organização das relações de poder nesta época é completamente diferenciada da que ocorre hoje. Em realidade não havia a qualificação de um gênero sobre a desqualificação de outro. Possivelmente haviam papéis definidos para homens e mulheres na estrutura social, mas o reconhecimento do saber. O poder de decisão era atribuição de ambos os sexos. Os historiadores chegaram à conclusão de que em realidade eram culturas matrilineares, ou seja, a linhagem é definida pela mãe...


INTEGRAÇÃO DO FEMININO
por Myrthes Gonzalez

Pensamento Biocêntrico

Acompanhe este texto no endereço acima. Myrthes é mais uma mulher guerreira que tivemos o prazer de conhecer durante nossas andanças.



Por todas nós!

Por todas as filhas e velhas que, não obstante difamações culturais que digam o contrário, não obstante mágoas, decisões equivocadas, fracassos totais... são prova viva de que a alma ainda volta à vida, ainda vive, e de modo vibrante... por todas as filhas e velhas que, apesar de todas as fraquezas, apesar de toda alengalenga do ego que indicaria o oposto, há muito tempo têm certeza, ou acabam de ter um vislumbre, de que nasceram com a sabedoria no corpo e na alma, e que essa sabedoria é tanto sua herança dourada como seu estopim dourado. Por todas as filhas e mais velhas que estão criando as referências que mais importam: prova de que uma mulher é como uma àrvore gigantesca que, por sua capacidade de se mover em vez de permanecer imóvel, pode sobreviver às piores tempestades e perigos; e ainda estar de pé depois; ainda descobrir seu jeito de voltar a balançar, ainda continuar a dança. Por todas as filhas que ainda estão em formação, quer tenham acabado de começar, quer já tenham avançado no caminho, para se tornarem "ordinariamente majestosas" e tão sábias, indomáveis e perigosas quanto forem convocadas a ser - o que é muito. Muito. Muito.

Por elas...
por todas nós,
Grande Avó e Grande Avô, Grande Neto e Grande Neta, da mesma forma...
Que todos nós nos aprofundemos e vicejemos, que criemos a partir das cinzas, que protejamos aquelas artes, idéias e esperanças que não podemos permitir que desapareçam da face desta terra. Por tudo isso, que vivamos muito, e nos amemos uns aos outros, jovens enquanto velhas, e velhas enquanto jovens para todo o sempre.
Amém.

Encerra-se aqui as preces de gratidão retiradas do livro "A Ciranda das Mulheres Sábias", que carinhosamente venho compartilhando nos últimos dias, mas que não se encerre nossas preces por todas as mulheres a cada dia e a cada noite.
Que a Deusa abençôe a todas e todos!
Ana Paula Andrade

2 de set. de 2008

Por todas as filhas e velhas que apóiam o que é bom e afastam a obediência cega a qualquer supercultura que premie somente a forma nivelada e deprecie o pensamento... por todas as filhas e velhas que estão se tornando escaladoras cada vez mais astutas de montanhas místicas e que por vezes percorrem caminhos acidentados... por aquelas que cada vez mais põem alma no que dizem, e pelos animais, águas, terras e céus... pelas que mantêm caldeirões cada vez mais fundos, que são a lente que amplia a luz do farol, que se erguem como terra firme, onde antes não havia terra... por aquelas que estão inflamadas com o desejo de ensinar e de aprender, pelas que estão apenas descansando para poder se levantar com prazer mais uma vez... por essas flores noturnas cuja fragrância tem um efeito profundo e prolongado, muito embora os botões estejam ocultos... por todas as filhas e velhas que mantêm as mãos não só no berço, mas também na roda do leme do mundo ao seu alcance... por aquelas que abandonaram algo essencial e gerador de vida, e voltaram para recuperá-lo... por aquelas que destruíram algo e pediram perdão com humildade em nome do amor... por aquelas que deixaram algo por fazer, se esqueceram, sem captar sua importância – mas voltaram, reconstruíram, amenizaram, deram "a bênção" na medida da sua capacidade... por todas as filhas e velhas que assumiram o papel de culpadas e deram tudo de si para reparar danos causados por outros... pelas filhas e velhas que sempre se interessam mais em ser amorosas do que em estar com a "razão"...

Por elas...
que se dêem conta de como sua vida é preciosa, de como,


apesar de quaisquer imperfeições, elas são exatamente os baluartes,


as pedras de toque, as notas fundamentais, os paradigmas necessários.

1 de set. de 2008


Por todas as filhas inteligentes, desconhecedoras, sem rumo e pelas que tudo sabem... pelas filhas que estão avançando direto ou que prosseguem aos trancos... pelas que estão aprendendo a chorar novamente... pelas que estão aprendendo a gargalhar... por todas elas, não importa se estão saudáveis, curadas ou não, não importa de que classe, clã, oceano ou estrela... por todas as filhas que herdaram amor em abundância de antepassadas queridas que já se foram, mas que mesmo assim ainda fazem visitas... por todas as filhas que um dia ouviram por acaso o conselho de uma sábia destinado a outros ouvidos, mas essas "palavras certas na hora certa" causaram uma centelha que iluminou seu mundo daquele momento em diante para sempre... por todas as filhas que ouviram a sabedoria, não a entenderam, mas a guardaram para o dia em que conseguissem compreender... pelas filhas que remam sozinhas e cujas antepassadas escolhidas foram por necessidade encontradas em livros queridos, em imagens norteadores captadas no cinema, na pintura, na escultura, na música e na dança... pelas filhas que absorvem o bom senso e as atitudes necessárias trazidas por espíritos de sabedoria, àsperos e evanescentes que aparecem em sonhos noturnos... pelas filhas que estão aprendendo a escutar a velha sábia da psique, aquela estranha sensação interior de nítida percepção, de audição, noção e ação intuitivas... pelas filhas que sabem que essa fonte de sabedoria interior é como a panela de mingau dos contos de fadas que, por mágica, nunca se esvazia por mais que se derrame seu conteúdo...

Por elas...
abençoadas sejam suas belezas, tristezas e buscas;
que sempre se lembrem de que perguntas ficam sem respostas,
até que sejam consultados os dois modos de enxergar: o linear e o interior.

29 de ago. de 2008

E pelas filhas queridas... por aquelas que estão aprendendo a ser sãs e sábias de novo – ou sãs e sábias pela primeira vez na vida... E assim, por todas as grandes mulheres mais velhas que percebem que não podem existir sem as jovens com quem meditar, a quem ensinar, de quem aprender, em quem encontrar humor e para quem encontrar potencial, na direção de quem se inclinar, em quem se derramar... e, do mesmo modo, por todas as mais jovens que perceberem que lhes restaria uma vida menos favorável sem a essência de uma velhinha sábia e quixotesca, com quem meditar, a quem ensinar, com quem aprender, em quem encontrar humor e para quem encontrar potencial, na direção de quem se inclinar, em quem se derramar. E assim, por todas as filhas jovens, de meia-idade e mais velhas que ainda hão de vir à lareira das avós pela primeira vez, muitas vezes ou pela última vez... por todas as grandes filhas e grandes velhas que manterão aceso o fogo desses relacionamentos sucessivos, por meio de cartas e livros, ensinamentos e reuniões, ditados e chamadas de atenção, viagens com capas e plumas no chapéu, bem como com a simples vizinhança... a todas as belas mulheres, jovens, velhas e no meio do caminho, que se procuram, que trabalham em busca de ser mãe-irmã-filha umas para as outras, que estão se dando conta de que são El refugio, um verdadeiro refúgio umas para as outras... por aquelas que percebem que estão juntas para que a menos experiente e a mais experiente possam um dia encontrar seu lar... o lar: aquele lugar da alma habitado com maior persistência à medida que a mulher acumula em torno de si seus anos de sabedoria... o lar: qualquer lugar onde haja necessidade do Amor, abrigo para o Amor, enaltecimento do Amor...


Por elas...
por todos os corações peregrinos...
que sempre possam se encontrar e não passar sem se ver,
mas que permaneçam perto umas das outras e que se fortaleçam,
e com isso fortaleçam os perímetros e portais
do mundo da alma confiados à sua guarda.

28 de ago. de 2008

Não resisti... achei tão linda que pedi pra ela ficar por aqui!
Beijão a todas e todos neste mundão virtual.
Ana Eçaí


Por todas as inteligentes e corajosas, Las sympaticas, as Gran meres e Mamãezonas e Tantes epeciales... por todas as robustas Bom Mamas e humildes Mujeres Grandes que se casaram com o próprio Amor e deram à luz cinco filhos insubmissos chamados Paz, Esperança, Sagacidade, Interferência e Impetuosidade... por aquelas reverenciadas que derramaram dentro de nós vinte, trinta, quarenta, cinqüenta, sessenta, setenta, oitenta anos de vida, que derramaram um rio de conselhos, advertências, que enfiaram no nosso bolso mapas de tesouro dobrados para levarmos ao entrar na selva... pelas que nos desafiaram, nos intigaram, cutucaram e empurraram... as ações exatas para nos fazer crescer na direção dos caminhos exatos para que pudéssemos cultivar mais nossa alma... por seus afagos carinhosos, seus olhares ternos, seus estranhos jeitos de nos incentivar a inovar e ter tanta coragem quanto elas... por seus murmúrios no nosso ouvido: Não tenha medo, estou com você, não desanime, siga em frente, brilhe agora, abaixe-se agora, e não, assim não vai funcionar, e sim, desse jeito, sim, desse jeito... por suas piadas secretas e seu gosto malicioso; por comportamentos revoltantes e qualidades enternecedoras, por estipularem limites, manterem limites, transgredirem limites; e por apagarem limites rígidos demais e ajustarem limites muito frouxos. Por essas grandes velhas, Les dames, algumas veneravelmente maduras na idade, algumas velhas no tempo da alma, mas decerto sábias, que atuam como o Norte Verdadeiro para outras – pelo simples fato de existirem...

Por elas...
que sejam mantidas em segurança, alimentadas por muitas fontes,
que sempre recebam demonstrações de amor e gratidão,
que mantenham sua alma vicejante
a céu aberto para que todos vejam.
Ana Eçaí

27 de ago. de 2008

Por todas as tias perspicazes e todas aquelas que se postam como avós guardiãs para qualquer alma necessitada... por aquelas que acolhem filhas e filhos, de sangue ou não, com a mesma facilidade e compatibilidade com que as flores acolhem as abelhas... pelas khaleh, "as queridas", ou seja, qualquer mulher mais velha que seja amada por uma mais jovem... (cinco segundos mais jovem ou mil anos mais velha, não importa). Por todas as idosas que estão tecendo uma vida vigorosa, preenchendo a trama com no mínimo um fio de ousadia, dois fios de impetuosidade e três de sabedoria... por las ancianas que, com veemência, perdoam, desembaraçam, fazem expansões inspiradas, desvios, recuos e consertos na vida e nos seus relacionamentos... para que almas menos experientes vejam e aprendam a fazer o mesmo, e sem constrangimento. Por todas as mulheres das raízes, as ‘Litas de preto’, todas as velhinhas das igrejas com suas coroas fabulosas, todas as que usam henna e saris para cobrir a cabeça na presença dos mais velhos e do sagrado, as que usam a mantilla e carregam o rosário, todas as que usam túnicas nos tons do açafrão e do marrom-avermelhado, por todas as que usam o darma como seu traje principal para todas as ocasiões... por aquelas que usam o antiqüíssimo hijab e as que puxam o sagrado talit franjado por sobre a cabeça para estar mais uma vez na tenda da antiga Sarai; por aquelas que usam o solidéu feito de contas, e pelas que usam o arco-íris e chuvas de estrelas na cabeça e arrumam o cabelo no formato de flores de abóbora... por todas aquelas em montes sagrado e em cachoeiras, em florestas e em templos feitos de terra e lama... todas aquelas na "igreja por baixo da igreja"... e todas as idosas ainda capazes de visitar a diminuta catedral rubra do coração... por todas essas mulheres das raízes que imploram por paz, amor e compreensão, e que agradecem e louvam com tanto fervor – que flores brancas praticamente se abram acima de sua cabeça quando estão rezando...




Por elas...
que continuem sempre a nos ensinar a amar este mundo
e todos os seres que nele estão...
das formas que mais importem para a Alma.

26 de ago. de 2008

Pelas avós nas cozinhas, de cujas mãos, corações e mentes vêm muitos tipos de alimento – doces, agridoces, fortes, suaves, picantes – alimentos que perduram na alma muito depois do primeiro registro do sabor na mente... por todas as desbravadoras, que desafiaram a morte, as corajosas Omahs e Bubbes, assim como todas as bravas Nonnas e Zias, que são exemplos vivos do que significa ter ao mesmo tempo um corpo físico e uma alma... por todas as Tradicionais, e pelas Donnas saggias, tranqüilas como rios e igualmente propiciadoras de vida a quem chega por acaso ou em fuga às suas margens. Por todas as velhas que acalmam e ajudam a curar não importa quem seja que elas toquem, por pior que seja a condição em que encontrem a pessoa... por todas as que, pelo menos uma vez, tenham viajado para muito longe para alcançar os gravemente feridos que outros não vêem, ou que se recusam a tocar... pelas que ousam dar abrigo a anjos que chegam sem se fazer anunciar... e pelas que se compadecem de animais abandonados... pelas velhas que aparecem sujas com salpicos de tinta ou adornadas com idéias radicais; ou que simplesmente surgem por um bom motivo quando mais ninguém ousa...

Por elas...
que sempre sejam corajosas;
que suas almas sejam protegidas por muitas outras,
pois ao nosso mundo carente elas trazem
recursos conquistados a duras penas.
Ana Eçaí
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