26 de jun de 2008

A MENSTRUAÇÃO COMO PODER

O fluir do sangue menstrual tem como efeito colocar a mulher em uma situação diferenciada no grupo humano. Os poderes mágicos, atribuídos especificamente a este sangue que se manifesta regularmente, estão intimamente relacionados à vida e á morte. Por isto, quando menstrua, a mulher se encontra em uma situação liminar. Nessa condição sagrada, ela está em contato com um poder natural, cuja fonte não é o sangue em si. O que confere poder ao sangue menstrual é a simbologia relacionada com ele. Já explico!
Um evento que se origina de uma condição biológica, quando adquire um signifcado cultural, este passa a predominar, determinando como o fato biológico será inserido no campo de significados de cada comunidade, determinando seu valor.
Quando as mulheres sincronizaram a menstruação e se deram conta do poder que isso representava em uma situação determinada, podem ter se isolado para preservar este poder. Ao se retirarem do convívio social para a "tenda vermelha" ou "casa da lua", como eram chamadas as cabanas de menstruação, estabelecem a sacralidade e potencialidade deste evento.
A cada vez que uma mulher menstrua, ela entra em contato íntimo com a fonte deste poder, momento que a coloca novamente fora da estrutura social. Quando essas ocasiões são vividas de modo positivo pelo grupo, sua ocorrência tem como efeito uma renovação do contexto social. Apenas quando essa renovação é vivida como uma ameaça, o poder contido e explicitado nestes momentos é sentido como perigoso.
O perigo representado por uma situação carregada de poder é a sua potencialidade de irradiar-se para as regiões com as quais entra em contato. O perigo representado pelo contato com mulheres menstruantes era atribuído ao poder sagrado do qual o sangue era portador, poder este "de um tipo que é mais perigoso por estar vinculado com a lua e enraizado na natureza".
Os valores e crenças contidos e expressos nos mitos, lendas, arte, religião e ciência são, ao mesmo tempo, fundamento e consequência da articulação simbólica das ações. Os sistemas socias se formam e se mantêm através da ação de seus sujeitos.
"O mundo mítico é, primordialmente, o mundo da ação. Todas as ações são verdadeiros ritos, assim como os ritos são verdadeiras ações". (Tarcísio Moura)
Uma ação repetida se torna um rito, quando dá significado a uma experiência corporal. O siginificado é transmitido por meio do mito que, mantido e repetido por tempo suficiente, configura-se como crença, uma força energética que afeta nosso funcionamento bioquímico e, por consequência, nossa experiência. Os símbolos emergem e fundamentam-se em vivências corporais. Num processo de influência mútua, a cultura afeta nosso pensar, sendo que nossas crenças coletivas perpetuam a sociedade na qual vivemos.
Correspondências simbólicas são experiências acumuladas e partilhadas, qua se configuram como um campo unificado de significados, campo este que se organiza como um sistema de crenças. À medida que novos significados são criados, os anteriores vão recuando e se depositando nas camadas mais profundas da psique, formando o que foi denominado de inconsciente coletivo.
Ainda hoje, na Europa, acredita-se que se uma mulher menstruada entrar em uma cervejaria, a cerveja azeda. Quem já não ouviu dizer que a maionese desanda se for batida por uma mulher menstruada?! E quantas vezes você já ouviu dizer isto?

Ana Paula Andrade

Pesquisa bibliográfica:
Monika Von Koss - Rubra Força -Fluxos do poder feminino

12 de jun de 2008

Definição de Avó


Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo, em Florianópolis. Uma beleza !!!


'Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam nas flores bonitas e nem nas lagartas. Nunca dizem 'Some daqui'!. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem abotoar os nossos sapatos. Sabem sempre que agente quer mais uma fatia de bolo ou então, uma fatia maior. As Avós usam óculos e, às vezes, até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca pulam pedaços e não se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que sempre têm tempo para nós. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, ainda mais se não tiver televisão'.
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